PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

Covid-19 | Dia 2 – Quase a entranhar‑se

Após uma semana sem “actividades presenciais”, sinto-me mais desgastado do que se tivesse estado em aulas. E mesmo se, honra lhe seja feita e o devido elogio, a minha escola adoptou das medidas mais sensatas que por aí tenho visto, nem quero pensar em quem tem sido bombardeado todos os dias com pedidos disto e daquilo.
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Após uma semana sem “actividades presenciais”, sinto-me mais desgastado do que se tivesse estado em aulas. E mesmo se, honra lhe seja feita e o devido elogio, a minha escola adoptou das medidas mais sensatas que por aí tenho visto, nem quero pensar em quem tem sido bombardeado todos os dias com pedidos disto e daquilo, muitas vezes de coisas que nem sequer ainda estão no devido tempo (caso da avaliação) ou que parecem esquecer que em circunstâncias normais os alunos teriam duas semanas de paragem. Sei que me repito, mas acho que vale a pena, que é para ver se algumas pessoas ganham algum tino e tomam um leitinho morno pela manhã.

Entretanto, as filas fora de talhos e padarias começam a fazer parte da paisagem, assim como as pessoas que, em virtude do “isolamento”, quando conseguem entrar, aproveitam para colocar a sua vida em dia e saber de tudo sobre @ don@ ou empregad@ da loja. Com a chuvinha miudinha, os parvos ficam à molha cá fora enquanto, entre a meia dúzia de carcaças e os 300 gramas de fiambre, uma senhora decide fazer o relatório sobre o estado da sua descendência. No caso dos homens, com o futebol parado, 90% dos temas de conversa morreram, pelo que ao menos nisso ganhámos alguma coisa.

A gata, ao meio-dia já se resignou com toda a gente em casa e foi dormir a 2.ª das 7 sestas do dia, até porque chove na varanda.

Inventário: meio frasco pequeno de álcool, um de gel desinfectante dos tempos da outra gripe e um spray para as mãos comprado por acaso há uns meses… níveis de consumo de papel higiénico dentro dos valores médios aceitáveis…

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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