A PALAVRA A...

Metodologias de Aprendizagem

(...) a descoberta não pode confundir-se com uma qualquer adivinha ocasional, pois tem de ser conseguida de forma progressiva e orientada, em termos de se sentir que é resultado de um esforço individual determinado, persistente e com sentido voluntário.
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Uma das questões sempre presentes na apreciação dos métodos de aprendizagem escolar relaciona-se com a ponderação do interesse que apresentam duas posições suscetíveis de ser confrontadas:

- uma primeira que se suporta numa estreita orientação, por parte dos professores, das ações que os alunos devem realizar para assimilação de um novo conhecimento;
- uma segunda, de tipo eminentemente problemático, em que se solicita, dos alunos, uma procura ativa das soluções.

Tal como seria facilmente previsível, investigações realizadas evidenciaram uma maior eficácia da segunda posição enunciada, uma vez que o método problemático em que assenta exige um maior nível de atividade dos alunos na procura de soluções.

Esta questão, aliás, vai chamar a atenção para o sentido alargado das funções dos professores, no entendimento de que lhes incumbe não só transmitir conhecimentos, mas também (e preferencialmente) conduzir o respetivo processo de assimilação.

Significa isto que, por parte do professor, se exige uma permanente atenção ao que os alunos vão realizando, apreciando o sentido problemático das questões apresentadas e a lógica das hipóteses que são formuladas.

Mas, verdadeiramente, é nos alunos que se situa a força motriz do método, uma vez que são eles que têm de sentir as dificuldades, bem como a necessidade de as superar.

É nisto que se fundamenta a lógica educativa das situações problemáticas, enquanto atividade cognitiva dos alunos.

Trata-se, no fundo, de reconhecer que, muitas vezes, não se pode explicar um novo conhecimento a partir dos que já se possuem ou não se pode realizar um novo trabalho a partir de procedimentos já adquiridos; então, haverá que descobrir uma nova explicação ou inventar um novo procedimento.E é nesta tentativa de descoberta que se sente, por um lado, a pilotagem distante dos professores e, por outro, o sentido evolutivo dos alunos.

É que a descoberta não pode confundir-se com uma qualquer adivinha ocasional, pois tem de ser conseguida de forma progressiva e orientada, em termos de se sentir que é resultado de um esforço individual determinado, persistente e com sentido voluntário.

Para que a descoberta surja, os alunos têm de ponderar as diferentes hipóteses que se lhes apresentam e fazer escolhas conscientes, baseadas em argumentos sólidos, não caindo em tentação de opções gratuitas ou destituídas de alguma lógica assumida.

As escolhas fundamentadas são o oposto das opções caprichosas, razão pela qual elas suscitam um esforço de reflexão individual que contribui, decisivamente, para a aquisição de uma atitude perante a vida.

Com efeito, na vida social futura, haverá múltiplas escolhas a fazer, grandes opções a tomar; e o importante é que isso se faça de forma consciente, com suporte garantido de pensamento na fundamentação que as determine.

Em todos os casos, a condição de seres atuantes na vida aconselha a recusa de escolhas gratuitas ou induzidas pelas opções dos outros.
Albano EstrelaProfessor catedrático jubilado da Universidade de Lisboa (Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação), nasceu no Porto em 1933. Autor de variadíssimos trabalhos na área das Ciências da Educação, tem-se dedicado, nos últimos anos, à literatura de ficção, nomeadamente ao conto e à crónica ("O Mapa dos Sabores", "Crónicas de Um Portuense Arrependido", "As Memórias que Salazar Não Escreveu", "E Se o Mal Existisse Mesmo?", entre outros).
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