A PALAVRA A...

Uma greve aos exames justa

O que está em causa é o exercício por uma classe profissional dos seus direitos cívicos em defesa de uma causa de interesse nacional que assim deve ser apresentada e não como uma estratégia destinada a causar danos a terceiros.
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Como pai e professor sou defensor dos exames como método de avaliação externa das aprendizagens que permite uma aferição do trabalho realizado ao longo de um ciclo de escolaridade.

Como pai e professor estou profundamente preocupado com a governação na área da educação e com aquilo que no meu entender coloca gravemente em risco os ganhos importantes conseguidos nos últimos 15 anos, conforme os resultados alcançados pelos alunos no 1º ciclo nos testes internacionais PIRLS e TIMMS 2011.

Como pai e professor considero que a greve aos exames convocada para o próximo dia 17 é um ato de defesa dos interesses de todos aqueles que estão preocupados com a qualidade da educação em Portugal e não apenas um protesto corporativo.

Lamento que por razões táticas de ordem política o Ministério da Educação e o Governo tenham arrastado um processo negocial com os sindicatos de professores para um calendário que tornou praticamente impossível uma outra solução que não fosse uma greve às avaliações aos exames.

Lamento que tentem apresentar esta greve como uma espécie de confronto maniqueísta entre o MEC e os sindicatos de professores, quando o que está em causa é um conflito assumido entre os professores o Governo.

Porque o que está em causa é o exercício por uma classe profissional dos seus direitos cívicos em defesa de uma causa de interesse nacional que assim deve ser apresentada e não como uma estratégia destinada a causar danos a terceiros.

Os professores não fazem greve contra os alunos mas em sua defesa. Não o fazem para perturbar as famílias, pois também são pais de alunos com exames, mas porque querem defender o pouco que resta de liberdade num país empobrecido e praticamente saqueado em nome de interesses financeiros que têm exaurido um Estado que se apresenta falsamente como "gordo" e em que os contratos só são para cumprir se tiverem sido assinados por quem transita entre os corredores do poder político e os gabinetes dos negócios privados. E que têm o negócio da educação na sua mira, agora que esgotaram outras fontes de receita.

A greve aos exames pode parecer corporativa e tem, por certo, alguns objetivos que só aos professores dizem respeito. Mas numa sua essência mais profunda o que está em causa com esta greve é a resistência contra uma investida de desgovernação que oscila entre os sucessivos erros de cálculo e as falhas de execução.

É por isso que, como pai e professor, farei esta greve e espero que os meus colegas a façam, os alunos a compreendam e as suas famílias a apoiem.
Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação
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