A PALAVRA A...

Que escola para o futuro?

Há uma cruzada europeia contra os professores. Melhor, contra o horário de trabalho que eles asseguram. Agora já não importa saber o que a escola ensina ou se ensina. Importa apenas, a estes demagogos, o estudo comparado das horas e dos horários de trabalho.
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O império economicista cresce, numa espécie de ilusionismo de quantidades, comparáveis e fáceis de quebrar a coesão social. Agora já não importa saber o que a escola ensina ou se ensina. Importa apenas, a estes demagogos, o estudo comparado das horas e dos horários de trabalho.

Há uma ideia sinistra por detrás de todo esse argumentário idiota. Todos nós deveríamos assegurar o mesmo número de horas, assim se aplacando a fúria dos que só alcançam, por essa via, a paz provisória.

A Europa enlouqueceu de vez, apesar da crença no contrário!

Deixem-nos ao menos argumentar com o horário dos ideólogos da cruzada, ou melhor, com a inutilidade em que se transformam as horas que apregoam dedicar à causa pública. São ministros de manhã, secretários ou membros do partido da parte da tarde e porta-vozes de pouca ou coisa nenhuma à noite, viajando entre todos os cargos ou deveres, como se fosse coisa nenhuma, tamanha é a ineficácia dos resultados.

Enchem, pelo menos, os noticiários e alimentam as intrigas palacianas para deleite de alguma opinião pública.

É essa inutilidade que os expõe que motiva a vingança de querer mostrar que os professores nada fazem, porque nada produzem. Eles próprios, vendo bem, embora não o assumam ou digam, são já o produto dessa " nova escola". Uma escola que os dispensou na exigência e no esforço, projetando-os para destaques que nunca mereceram. É essa escola, domesticada e simplória, desprovida de crítica e de crivo que querem inaugurar com mais quantidade.

Pobres inúteis que desprezam a escola do pensamento e do rasgo. Pobres inúteis que parecem inventar uma contabilidade impossível de observar.

Os verdadeiros professores não precisam de alargar horários. Eles fazem da escola a sua vida. Os verdadeiros professores não discutem o tempo que dão à escola, porque lho dão todo. Os professores verdadeiros, nessa medida, têm isenção de horário. A estes, aos verdadeiros professores, se lho quiserem alargar, será para, num dia de manhã, venderem uma qualquer matéria, destilada de forma mecânica e sem alma, repetida numa tarde qualquer, à procura de uma visibilidade que os equipare a qualquer contabilista ou político de corredor. Nessa altura, se esse tempo vier, então a escola será uma mera praça de sombras, coberta pelos silêncios amargos da vergonha.

Se esse tempo chegar só nos resta resistir. Em nome da escola e da decência.
Acúrcio DomingosProfessor de Educação Moral e Religiosa Católica na Escola Secundária de Eça de Queirós
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