A PALAVRA A...

A Televisão e os Adolescentes

Ao mesmo tempo que a TV se transformou num importante meio de difusão de mensagens (ideológicas, políticas, publicitárias, etc.) tornou-se numa imaculável fonte que alguns consideram capaz até de ensinar e educar, apresentando-a atualmente como uma excelente ferramenta educomunicacional.
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Desde os anos 50 que se estudam formas de utilizar a televisão para o ensino de matéria educativa às crianças e adolescentes, sendo a partir dessa altura que se começou a perceber que os meios audiovisuais, nomeadamente a televisão, poderiam ser utilizados para beneficiar o ensino e a relação professor-aluno.

Apesar das potencialidades desta ferramenta, depressa surgiram teorias que apresentavam profundos contrastes entre o que é aprendido através da TV e através da escola, salientando o carácter negativo da televisão e sublinhando a relação antagónica que a maior parte dos professores assume viver com a televisão, acusando-a de transmitir violência e tirar tempo ao estudo, à leitura e ao espírito crítico. No entanto, têm vindo a crescer as opiniões que defendem que a televisão pode realmente ser uma ferramenta pedagógica, capaz de auxiliar o professor e de complementar as suas aulas. No entanto, levar a programação para a sala de aula não basta. Para que se consigam aproveitar as potencialidades pedagógicas da televisão é necessário que os professores saibam utilizar a televisão como uma ferramenta educativa, que mostrem aos alunos que ela não é uma indiscutível fonte de conhecimento, mas um objeto capaz de acender diálogos entre aluno/professor e alimentar discussões sobre os mais variados e atuais temas.

À primeira vista, a tendência é seguir a ideia de que as estações televisivas (desde sempre atadas ao fator concorrência) devem mudar as suas prioridades e apostar em programas culturais e educativos. É verdade. Contudo, torna-se necessário salientar que também a escola deve mudar: pois desde sempre existiu uma enorme resistência à utilização de novas tecnologias pela maior parte dos professores, que continuam muitas vezes a orientar-se apenas pela pedagogia da "fala, quadro e manual", pouco (ou nada) consentânea com os tempos da geração digital.

Não podemos esquecer que as crianças vivem hoje rodeadas de uma panóplia de fontes de informação e de recursos tecnológicos com capacidades educativas notáveis (revistas, telemóveis, Internet e, logicamente, televisão) cujas potencialidades não são devidamente logradas. A maior parte dos alunos absorve diariamente um manancial de mensagens, provenientes das mais diversas fontes, cuja interpretação nem sempre é feita da forma mais correta.

Cabe por isso à escola, e especialmente aos professores, ensinar a utilizar esses instrumentos, e não há melhor forma de o fazer senão utilizando essas ferramentas nas salas de aula. Mas mais do que utilizar a televisão nas salas de aula, os professores devem saber ensinar a ver televisão, a destacar os bons programas e a fazer uma leitura crítica da TV. Só assim os alunos perceberão a forma como a televisão é capaz de melhorar o seu processo de aprendizagem.

Não podemos descurar, de todo, a ideia de que este procedimento não é fácil, pois para que os professores possam utilizar devidamente a TV na sala de aula é necessário, entre outros fatores, que haja outro tipo de organização, formação e preparação (teórico-prática) dos docentes, mudanças nem sempre vistas como prioridade por parte das instituições governamentais ligadas à educação.

É imprescindível que os professores façam (re)leituras dos programas com os seus alunos, que discutam com estes as problemáticas dos programas e que ajudem a perceber os aspetos positivos e negativos das diferentes abordagens vistas na TV.

É necessário que as pessoas, como telespectadoras, percebam que são elas que escolhem os programas que veem e que querem ver. É necessário que os telespectadores percebam que são ímpares donos das audiências, e que, por isso, conjuntamente com as estações televisivas, têm grande parte da responsabilidade na definição de uma programação televisiva de qualidade, mormente de uma programação que alie entretenimento e educação.
Rui Lopes PinheiroProfessor de geografia do Ensino Secundário. Mestre em Tecnologia Educativa, pelo Instituto de Educação da Universidade do Minho.
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