EDUCAÇÃO

Quem vai ao mar (ao rio ou ao lago) avia-se em terra

Boas férias, boa praia, bons banhos. Não se esqueçam: “Há mar e mar, há ir e voltar.” E o mesmo se aplica aos rios e aos lagos.
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Quem te ensinou a nadar?
Quem te ensinou a nadar?
Foi, foi, marinheiro,
Foi o peixinho do mar. (Canção popular)

Só mesmo a fantasia poderia permitir acreditar que os peixes nos podem ensinar a nadar. Mais certeiro é o provérbio que avisa: “Quem vai ao mar avia-se em terra.” Vale para quem vai navegar, mas vale também para quem for dar um mergulho ou umas braçadas na água. A época balnear ainda nem tinha começado e já tinha havido vítimas mortais nas praias portuguesas. Aprender a nadar é muito importante e essa oportunidade deve ser proporcionada a todas as crianças. Contudo há várias outras questões imprescindíveis para o mergulho no mar ser seguro e proporcionador do lazer desejado. Com efeito, a sabedoria popular previne ainda que “Nem com o mar contar, nem a muitos fiar.” É por o mar ser traiçoeiro que, nas idas das famílias à praia, a opção por praias vigiadas deve ser uma condição a salvaguardar. Deste modo as crianças crescerão a compreender e a respeitar essa opção. Adicionalmente devem ser-lhes ensinadas as regras básicas, incluindo a identificação e significado das diversas bandeiras, bem como o respeito por elas, e o reconhecimento da delimitação da zona de banhos vigiada.

Também os banhos nos rios e lagos podem proporcionar momentos de prazer ou dar origem a tragédias, pelo que é imprescindível salvaguardar condições de segurança. Assim, devem ser escolhidas praias vigiadas que, por isso, se tornam mais seguras. Praias não vigiadas devem mesmo ser evitadas. Contudo se a praia disponível não é vigiada, os cuidados precisam de ser redobrados. Algumas regras básicas devem ser ensinadas às crianças e praticadas pela família, como, por exemplo, não dar mergulhos em locais desconhecidos ou observar a força da corrente antes de ser tomada a decisão de entrar na água.

Na hora do banho – quer se trate de entrar na água do mar, do rio ou de um lago –, há que não esquecer que o exemplo tem mais força do que a palavra. De que adianta os pais ensinarem, aos seus filhos, as regras e os cuidados a observar e exigirem deles o seu cumprimento se eles próprios não os respeitarem? “Bem prega Frei Tomás. Olha para o que ele diz, não olhes para o que ele faz.”, diz outro provérbio português, que se pode aplicar à falta de coerência de muitos educadores. Não acreditem que os vossos filhos darão crédito às regras que lhes ensinam e, eventualmente, lhes impõem, se não vos virem praticá-las.

Boas férias, boa praia, bons banhos. Não se esqueçam: “Há mar e mar, há ir e voltar.” E o mesmo se aplica aos rios e aos lagos.
 

Armanda ZenhasProfessora aposentada. Doutora em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. Autora de livros na área da educação.
Professora profissionalizada nos grupos 220 e 330. Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Professora profissionalizada do 1.º ciclo, pela Escola do Magistério Primário do Porto.
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