PEDIATRIA

Febre Escaro-Nodular (ou Febre da Carraça) - o que sabemos?

A Febre Escaro-Nodular, conhecida vulgarmente por “febre da carraça”, é uma doença infeciosa aguda, provocada pela bactéria Rickettsia conorii. Para poder infetar o ser humano, esta bactéria precisa primeiro de passar por um vetor/veículo de transmissão - a carraça.
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O que é?

 A Febre Escaro-Nodular, conhecida vulgarmente por “febre da carraça”, é uma doença infeciosa aguda, provocada pela bactéria Rickettsia conorii. Para poder infetar o ser humano, esta bactéria, precisa primeiro de passar por um vetor/veículo de transmissão - a carraça. Apenas as carraças infetadas podem transmitir a bactéria ao ser humano, fazendo-o através de uma picada acidental e transmissão de saliva contaminada, sendo necessárias entre 6 a 20 horas de parasitação para que ocorra a transmissão. 

A incidência desta doença é mais elevada no verão e início de outono e predomina nas zonas rurais. Sabe-se, contudo, que em certas zonas do país, as condições climáticas permitem que a carraça se mantenha ativa durante todo o ano. 

Em Portugal é uma doença de declaração obrigatória que ainda ocorre com frequência.  

Quais os sintomas?

Após a picada de uma carraça infetada segue-se um período de incubação que pode durar entre uma e três semanas. Após terminar esse período, iniciam-se os sintomas: febre, dores musculares, cefaleias, náuseas, vómitos e perda de apetite. Alguns dias mais tarde (3-5 dias), surgem manchas vermelhas elevadas que habitualmente começam nos membros inferiores e se espalham progressivamente por todo o corpo, incluindo as palmas das mãos e as plantas dos pés. No local da picada (nem sempre identificado, principalmente se a picada for no couro cabeludo, por exemplo) pode surgir uma mancha negra – a escara. Estas lesões da pele não são dolorosas e desaparecem, na maioria das vezes, sem deixar marcas. 

Qual o tratamento?

Se existir a suspeita de “febre da carraça” é aconselhada a observação por um médico/ pediatra. O tratamento é realizado com antibióticos e deve ser iniciado o mais precocemente possível, de modo a evitar a progressão para um quadro clínico mais grave. Habitualmente a resolução do quadro ocorre ao fim de 10-20 dias, sem sequelas. 

Como remover a carraça?

Para a remoção de uma carraça devemos utilizar uma pinça, de modo a prender a carraça o mais próximo da pele possível. Posteriormente, puxar com força, sem fazer movimentos de rotação. Devem ser retirados todos os pequenos “pedaços” da carraça que possam eventualmente ficar na pele após uma tentativa de remoção. Se não conseguir remover na totalidade, deve recorrer a uma instituição de saúde. 

Como prevenir?

Uma vez que é praticamente impossível erradicar esta bactéria, devemos apostar na prevenção, mantendo as carraças longe da pele. Deste modo, algumas medidas preventivas podem ser implementadas:

·    Cães ou outros animais domésticos devem sempre ser inspecionados. É aconselhado o uso de coleiras de proteção. 

·    Devem evitar-se as áreas de maior risco (zonas de vegetação baixa/ média, com algum grau de humidade). Se isso não for possível, é aconselhado o uso de vestuário “protetor” - calças, camisolas de manga comprida, botas ou sapatilhas que cubram a totalidade do pé/ tornozelo, protegendo dessa forma a maior superfície possível do corpo. 

·    Aconselha-se o uso de vestuário claro durante as atividades ao ar livre pela maior facilidade na identificação dos parasitas. 

·    Aplicar repelente para insetos (os melhores são os que contêm DEET - dietiltoluamida). Deve ser aplicado de acordo as instruções que se encontram na embalagem. (consultar artigo sobre A criança e os insetos 

·    No regresso a casa é necessário inspecionar toda a roupa e corpo, com especial atenção à cabeça, pescoço e locais onde a roupa está mais apertada, como a cintura ou as axilas. No caso de ser encontrada uma carraça, esta deve ser imediatamente removida. 

“O meu filho foi picado. E agora?”

Não entre em pânico. Remova a carraça na totalidade, conforme indicado.  

Apenas uma pequena percentagem de carraças estão infetadas. Além disso, são necessárias pelo menos 6 horas de parasitação para que ocorra a transmissão da bactéria. 

Vigie os sintomas sugestivos de doença nos dias seguintes. Se estes surgirem, deve recorrer ao Serviço de Urgência. 

O prognóstico, quando o tratamento é iniciado precocemente, é bom, com resolução do quadro sem sequelas. 

André Morais, interno em formação específica de Pediatria do Hospital de Braga, com a colaboração da Dra. Liliana Abreu, Pediatra do Hospital de Braga.
 

Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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