PEDIATRIA

Aftas orais - O que fazer?

Aftas são as lesões mais frequentes da mucosa da nossa boca. Consistem em “feridas” da camada mais externa da boca (à qual damos o nome de epitélio), e apresentam-se como lesões com centro esbranquiçado, circundadas por uma área avermelhada.
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Quais são as causas das aftas?

O mecanismo que leva à formação das aftas é desconhecido. No entanto, sabe-se que existem fatores que aumentam o risco de desenvolver aftas:

·    Hipersensibilidade aos alimentos: chocolate, cafe´, queijo, citrinos, marisco, tomate, frutos secos, alimentos salgados ou picantes;

·    Alterações hormonais: algumas mulheres têm aftas recorrentes relacionadas com a fase do ciclo menstrual;

·    Stress: o stress emocional e ambiental pode ter um papel desencadeante;

·    Traumatismo oral (mecânico, térmico ou químico): mordeduras, escovagem, uso de fio dentário, mastigar pastilhas elásticas, alimentos com espinha ou alimentos duros, má-oclusão dentária (quando os dentes superiores não estão alinhados com os inferiores), traumatismos dentários ou uso de aparelho dentário;

·    Défice de vitaminas e minerais: ferro, ácido fólico ou vitamina B12;

·    Fatores genéticos: ter familiares com aftas aumenta a probabilidade de virmos a ter aftas também; 

·    Fatores imunológicos: pensa-se que exista uma alteração da nossa resposta imune na mucosa da boca, causando uma resposta inflamatória exagerada e/ou um defeito na resposta anti-inflamatória;

·    Medicamentos: pasta dos dentes ou elixir com lauril sulfato sódico;

·    Alteração na composição e nas propriedades da saliva.

Na maioria dos casos, os episódios de aftas orais são recorrentes, ocorrendo 3 a 6 vezes por ano. Geralmente as lesões resolvem em poucos dias, tendo uma duração máxima de 14 dias. Frequentemente os episódios são benignos e não se identifica nenhuma causa. Geralmente têm início na adolescência e diminuem ao longo do tempo. 

Quais são os sintomas das aftas?

As aftas são dolorosas e podem interferir com o ato de falar ou com a alimentação, dependendo da sua localização e do seu tamanho. 

Nas 2 a 48 horas antes do aparecimento da afta, a criança pode sentir dor ou sensação de queimadura na boca.

As aftas são contagiosas?

As aftas não são contagiosas. As aftas não devem ser confundidas com as lesões causadas pelo vírus herpes, que são contagiosas. Uma forma de distinguir estas duas lesões, é que ao contrário das lesões herpéticas, as aftas não existem nos lábios.

Como se faz o diagnóstico das aftas?

O diagnóstico é clínico, através da realização da história clínica e do exame físico.

É aconselhável fazer um diário das aftas de forma a caracterizar melhor a frequência, número, tamanho, presença de cicatrizes e duração. As características das aftas ajudam o médico a fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças do organismo. 
Também deve ser avaliado o atingimento de outros órgãos.

Na maioria dos casos, não é necessário fazer nenhum exame ao sangue. No entanto, no caso de haver suspeita de uma doença, o médico irá pedir os exames necessários.

Existem sinais de alarme para outras doenças?

Em casos raros, as aftas podem ser devidas a uma doença do organismo.

Os sinais de alarme são os seguintes:

·    Crises recorrentes de aftas orais associadas a aftas nos genitais;

·    Crises mais prolongadas (4 a 6 semanas), com presença quase constante de três ou mais aftas orais;

·    Sinais e sintomas sistémicos, como por exemplo, febre, perda de peso, queixas gastrointestinais, queixas das articulações ou “manchas na pele”, etc. 

Como se tratam?

Não existe nenhum tratamento curativo para as aftas, sendo que o tratamento deve ser feito para reduzir os sintomas associados, como a dor e a dificuldade na alimentação e em falar. O primeiro passo, consiste em identificar e tratar/excluir qualquer fator predisponente modificável. 

Em todos os casos devem ser adotadas medidas gerais: 

·    Reduzir o stress;

·    Evitar traumatismos orais, como por exemplo, morder a língua ou as bochechas ou ingerir alimentos duros;

·    Evitar os alimentos como chocolate, café, queijo, citrinos, marisco, tomate, frutos secos, alimentos salgados ou picantes;

·    Evitar pastas dentífricas com sódio lauril sulfato;

·    Manter uma boa higiene oral.

Existem medicamentos em spray ou gel que formam uma camada protetora no topo das aftas, ajudando a promover a cicatrização das mesmas, mas deve consultar o seu médico para se aconselhar. 


Ana Luísa de Carvalho, com a colaboração de Maria Miguel Gomes, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga.
 

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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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