PEDIATRIA

COVID-19 e desenvolvimento infantil: como minimizar o impacto?

O impedimento de brincar ao ar livre foi uma das limitações mais negativas para os mais pequenos, mas há diversas atividades que se podem fazer com as crianças dentro e fora de casa.
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A pandemia em que vivemos atualmente acarreta importantes desafios e tem impacto direto no comportamento e desenvolvimento infantil, numa dimensão que ainda não é totalmente conhecida.

Estudos recentes revelaram que a pandemia levou a um aumento do número de casos de problemas emocionais e comportamentais nas crianças e adolescentes. Os efeitos na saúde mental podem ser variados e poderão manifestar-se de diversas maneiras, como ansiedade/irritação, medo, tristeza, frustração, agressividade, alteração do padrão de sono e da alimentação, entre outros.

Brincar é uma parte fundamental da infância, pois além de permitir um crescimento harmonioso é muito importante na sua regulação emocional. 

A falta de brincadeiras e de socialização, aliadas a um aumento da exposição aos ecrãs, pode originar mais birras, desentendimentos e frustrações nas crianças. Assim sendo, as atividades lúdicas têm um papel muito importante, sendo as brincadeiras indispensáveis.

O impedimento de brincar ao ar livre foi uma das limitações mais negativas para os mais pequenos, mas há diversas atividades que se podem fazer com as crianças dentro e fora de casa. 

Apresentamos algumas sugestões:

Fazer e lançar um papagaio de papel – é uma das atividades que mais interesse e entusiasmo desperta nas crianças. Basta escolher um dia de vento e uma área ampla para realizar esta brincadeira.

Construir origamis – criar figuras e objetos através da arte de dobrar papel proporciona aos mais pequenos momentos de entretenimento, concentração e criatividade.

Construir marionetas/fantoches – o teatro é uma importante atividade que deve ser oferecida às crianças, uma vez que permite o desenvolvimento da expressão dramática e poderá ser um importante veículo para explorar emoções. Aprender sobre emoções ajuda a criança a sentir-se feliz e a lidar melhor com os problemas, pois acaba por reconhecer e compreender as suas próprias emoções.

Criar instrumentos musicais – a música deve fazer parte do desenvolvimento das crianças. Assim, combinando a reciclagem e as artes manuais, há um sem número de possibilidades para construir instrumentos musicais. Pode inclusive reutilizar alguns materiais que já não precisa, contribuindo para o bem-estar das crianças e do meio ambiente ao mesmo tempo. 

Fazer colagens – as crianças adoram colagens e estas são muito importantes pois permitem o desenvolvimento da motricidade fina, além de as levar a explorar a atenção às cores e às texturas. Folhas de árvore, fotografias, jornais ou revistas velhas… basta dar asas à imaginação. 

Atividades com plasticina – habitualmente despertam muito interesse e fomentam a imaginação. Potenciam uma experiência sensorial e de aprendizagem maravilhosa para as crianças pois, enquanto transformam a plasticina, pensam criativamente e desenvolvem competências de motricidade fina.

Organizar noites de jogos – os jogos de tabuleiro ou de cartas em família fazem as delícias dos mais pequenos. Organizar estes serões de forma regular com os seus filhos vai garantir momentos de muita diversão familiar. 

Criar um livro de histórias da família – as relações familiares dão à criança sentido de identidade e de pertença. E quando as crianças se sentem seguras, protegidas e com sentido de pertença, têm confiança para aprender e desenvolver-se. Criar um livro de histórias da família permite eternizar momentos de diversão ou de situações caricatas, estimular a capacidade de memória, a escrita e a capacidade de elaboração de textos.

Passear pela natureza – fazer uma caminhada pela natureza e observar as coisas deliberadamente encoraja as crianças a observar com todos os sentidos, aprender a focar a sua atenção e compreender os detalhes de tudo o que as rodeia. 

Brincar com bolas – estas brincadeiras ao ar livre aumentam a atividade física, trabalham os músculos, melhoram a coordenação olho-mão e, mais importante, permitem usufruir de bons momentos, contribuindo para a construção de relacionamentos, aumentando a autoestima e a confiança.

Brincar com uma caixa de papelão – uma grande caixa vazia é um excelente ponto de partida para brincadeiras criativas e imaginativas. A criança pode decidir como transformar a caixa em algo que possa usar para “brincar a fingir”, como um castelo, uma loja ou uma caverna, recorrendo à imaginação para transformar ideias em “realidade”.

Há um sem número de atividades que pode fazer com os mais pequenos. O mais importante é transformar as contrariedades numa oportunidade para maximizar o tempo de qualidade juntos. É a partir das relações que as crianças estabelecem com a realidade em que vivem, com o meio familiar e com as pessoas que as rodeiam, que passam a “ler” e a compreender o mundo.


André Morais, interno de formação específica de Pediatria do Hospital de Braga, com a colaboração da Dra. Sandra Costa, Pediatra do Hospital de Braga.

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