EDUCAÇÃO

Bem-vindo 2021

Bem-vindo, 2021, o ano da esperança (mesmo que ensombrada pelo novo e preocupante recrudescimento da pandemia).
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Era uma vez um ano que entrou em cena no meio de grandes convívios e festas em que famílias e amigos se juntaram para o acolher. Era o ano de 2020. Mal sabiam as pessoas que estavam a acolher festivamente um ano que seria “para esquecer”. A doença invadiu as cidades, as casas, os corpos, o mundo. Todas as pessoas passaram a conhecer de perto palavras que antes desconheciam ou achavam muito distantes de si: pandemia, confinamento, estado de emergência, recolher obrigatório. Com a pandemia, o desemprego cresceu rapidamente e de forma assustadora e alastraram privações de toda a espécie.

Era uma vez o ano de 2020, em que, no meio de desmedida incredulidade, coisas banais do quotidiano se tornaram proibidas, tornando palpável a sua importância vital e, angustiante, a sua falta. Ai as saudades de um abraço ou de um beijo; as saudades de encontros com os amigos; as saudades de ir à praia, ao café, ao parque, sem restrições e sem receio! Ai as saudades de frequentar a escola sem máscaras; das aulas em que o professor podia circular entre os alunos tirando dúvidas, e em que os alunos podiam formar grupos de trabalho partilhando ideias e materiais; dos intervalos em que se podia conviver com os amigos de modo natural e despreocupado, conversando, dizendo segredos ao ouvido, jogando à bola.

Era uma vez o mês de março de 2020, o mês em que o confinamento se impôs e, com ele, o fecho das escolas. E foi assim que, por imposição da pandemia, nos meses que se seguiram, o uso de meios digitais cresceu exponencialmente, com todas as oportunidades que oferece e com todos os riscos que comporta. A escola iniciou um processo de reconfiguração pelo qual não esperava e no qual o digital ocupará um lugar de destaque, quer sendo utilizado na sala de aula, quer possibilitando a comunicação à distância. Os primeiros passos dessa escola do futuro nascida em março de 2020 deixaram clara, todavia, a imprescindibilidade da escola presencial e da figura do professor.

Era uma vez o ano de 2020 que se aproximava do fim com a escola pública a mostrar que, malgrado a dimensão e imprevisibilidade das dificuldades e dos desafios, se consegue reinventar; mas reclamando também a atenção do poder político para nela investir, de modo a que essa capacidade não se esgote.

Era uma vez o ano de 2020 que partiu sem que as famílias e os grupos de amigos tenham podido festejar em conjunto o seu fim e dar as boas-vindas ao novo ano de 2021, nascido sob os auspícios da tão almejada vacina.

Adeus, 2020. É justo dizer que nem tudo foi mau. A ciência e o conhecimento foram verdadeiros heróis que, pelos esforços conjugados de muitos cientistas e do poder político com eles, geraram as vacinas que chegaram a todo o mundo antes mesmo do teu fim.

Bem-vindo, 2021, o ano da esperança (mesmo que ensombrada pelo novo e preocupante recrudescimento da pandemia). Quase adivinho os desejos que cada pessoa formulou a cada uma das doze passas que comeu no teu dealbar. Que histórias poderemos vir a contar sobre ti?


Armanda ZenhasProfessora aposentada. Doutora em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. Autora de livros na área da educação.
Professora profissionalizada nos grupos 220 e 330. Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Professora profissionalizada do 1.º ciclo, pela Escola do Magistério Primário do Porto.
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