PEDIATRIA

O meu filho tem asma! E agora?

A asma é uma doença inflamatória das vias aéreas, caracterizada pelo estreitamento dos brônquios, que origina a sensação de dificuldade em respirar e a pieira, comumente conhecida por “gatinhos no peito”. Estes sintomas habitualmente são transitórios e reversíveis. Em Portugal, a asma afeta cerca de 13% das crianças.
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Como se manifesta?
Os sintomas típicos são:
- Falta de ar (também designada por dispneia)
- Pieira
- Tosse
- Sensação de aperto no peito

Caracteristicamente agravam-se durante o período noturno ou início da manhã e aliviam com a terapêutica adequada. Os episódios de “crise” ou agudização da doença, caracterizados pelos sintomas acima descritos, são frequentemente desencadeados pela exposição a alergénios inalados, tais como: ácaros do pó da casa, pólenes, fungos, pêlos de animais (cães, gatos, cavalos, coelhos, entre outros animais), alimentares (nozes, amêndoa, trigo, mariscos, chocolates, ovo ou leite) ou ainda pela exposição ao frio, poluentes ambientes, particularmente fumo (tabaco, lareira ou outros). Podem também ocorrer durante a prática de desporto.

A asma é frequente em crianças?
A asma é a doença crónica mais prevalente na idade pediátrica e tem início habitualmente antes dos 5 anos de idade.

Como se faz o diagnóstico?
O diagnóstico de asma é clínico. Significa que é feito pela presença da sintomatologia típica num determinado contexto epidemiológico. No entanto, o diagnóstico poderá ser reforçado por alguns exames auxiliares de diagnóstico, nomeadamente:

- Espirometria (exame à função pulmonar) - importante não só para confirmar o diagnóstico, mas também para controlar a evolução da doença e avaliar a resposta à medicação. Habitualmente requisitado a partir dos 4 ou 5 anos pois é a idade em que previsivelmente serão capazes de executar as manobras necessárias e colaborar na sua realização.

- Testes cutâneos - são particularmente úteis quando há suspeita de que a asma é desencadeada por inalação de alergénios.

- Radiografia pulmonar e as análises ao sangue - permitem avaliar a possibilidade de complicações ou alterações na evolução habitual da doença.

Quais os fatores de risco para a asma?
Existem vários fatores de risco para o desenvolvimento de asma, nomeadamente, a história familiar de asma, a história pessoal de rinite alérgica e/ou dermatite atópica, a sensibilização a alergénios inalantes e às proteínas do ovo, o início dos sintomas antes dos 5 anos, a exposição tabágica e as infeções virais (nomeadamente o rinovírus, adenovírus e os vírus influenza e parainfluenza).

Qual o tratamento?
O objetivo do tratamento é controlar os sintomas e prevenir as exacerbações. Este consiste em duas vertentes:

- Tratamento de controle ou manutenção (para prevenção de ocorrência de crises) - Os medicamentos mais frequentemente utilizados são os corticosteróides inalados que têm benefícios, tanto na redução dos sintomas e das agudizações, como na melhoria da função respiratória. Em determinados casos, também poderão ser utilizados os antagonistas dos leucotrienos.

- Tratamento de crise (de alívio) – mais comumente tratada com β2-agonistas de curta ação, sob via inalatória, sendo que o mais utilizado é o salbutamol. Em crianças mais pequenas deverá ser administrado com recurso a câmara expansora com máscara ou bocal (consoante a idade), e em crianças mais velhas e adolescentes poderá ser efetuado com inaladores pressurizados de dose calibrada.

É fundamental que os pais, no caso das crianças mais pequenas, e os próprios, no caso das crianças mais velhas e adolescentes saibam reconhecer precocemente os sinais de agudização da doença, de forma a instituir precocemente a medicação.

O que devo fazer para prevenir as crises de asma?
Para prevenir as crises de asma, além do tratamento de controle prescrito, devem ser tomadas medidas de evicção para diminuir a exposição aos alergénios inalados, como os ácaros do pó da casa, pêlos de animais e exposição a poluentes (como o fumo de tabaco). Outra medida importante é a prevenção das infecções respiratórias. As crianças e adolescentes com asma moderada a grave devem tomar a vacina da gripe sazonal anualmente. Em algumas situações, pode ser prescrito tratamento específico dirigido às alergias particulares de cada criança ou adolescente – a imunoterapia específica, que previne a asma desencadeada por reação a determinados alergénios.

A medicação perde eficácia ao longo do tempo?
Não, a medicação não perde eficácia ao longo do tempo. Deverá cumprir todas as indicações dadas pelo seu Médico Assistente relativamente à medicação diária e à medicação da crise, aquela que fará em situações de agudização. Caso a criança tenha crises com maior frequência ou mais graves, deverá contactar o seu Médico Assistente, pois poderá ser necessário rever a terapêutica.

A asma tem cura?
Tal como a diabetes ou a hipertensão, a asma é considerada uma doença crónica, pelo que não existe cura, mas é possível controlar a frequência e intensidade dos sintomas.

O meu filho pode fazer exercício físico?
Tal como em todas as crianças e adolescentes, a prática de exercício físico pode, e deve, ser fomentada, devendo fazer parte do seu dia-a-dia. Para que tudo corra bem e o exercício seja bem tolerado, é necessário que a asma esteja bem controlada e para tal, a criança deve fazer diariamente a medicação que lhe foi prescrita. Em determinados casos, e com indicação do Médico Assistente, pode ser necessário fazer o broncodilatador antes de iniciar o exercício físico.

Desde que diagnosticada atempadamente e cumprindo as recomendações do Médico Assistente, é possível ter a asma controlada. Atualmente, as crianças e adolescentes com ama conseguem ter uma vida tão normal quanto possível, sem implicações no seu dia-a-dia, e manter a qualidade de vida.

Cristiana Maximiano, Interna de Formação Específica de Pediatria, com a colaboração de Augusta Gonçalves, Pneumologista Pediátrica do Hospital de Braga

Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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