PEDIATRIA

Água fora da rede pública - água de poço, nascente ou fonte - devo utilizar?

Todos os anos no verão são diagnosticadas gastroenterites bacterianas em que é identificado o consumo de água fora da rede pública. Este consumo não ocorre apenas na ingestão, mas na água de piscinas não tratadas, na água do banho, na rega ou na água utilizada para preparar/cozinhar alimentos.
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A água destinada a beber, a cozinhar, a preparar alimentos ou para higiene pessoal deve ser salubre e limpa e não deve conter microrganismos que põe em risco a saúde humana.

Em Portugal, sobretudo em áreas rurais, onde o consumo de água do poço é rotineiro a frequência de gastroenterites bacterianas é mais comum que no resto da Europa, sendo a segunda causa de internamento em Pediatria.

A água de poço, furo, mina ou fontanário devem ser analisadas?
Os fontanários não ligados à rede pública só são integrados no programa de vigilância sanitária se forem as únicas fontes de água para consumo humano. No caso de fontes individuais destinadas a consumo humano que sirvam menos de 50 pessoas ou com consumos inferiores a 10m3/dia, estão isentas da legislação praticada para a restante rede pública.
Os proprietários dos poços ou furos são responsáveis pelo sistema particular de abastecimento e devem garantir a análise à qualidade da água, um sistema de tratamento e a limpeza dos equipamentos. Estas análises devem ser realizadas pelo menos uma vez por ano, idealmente no verão.
Caso possua uma captação particular e também água da rede pública, deve garantir a existência de duas redes independentes de forma a não misturar os dois tipos de água. Desta forma, evita contaminar a sua rede e a rede pública.

Que situações podem afetar a qualidade da água?
A água de uma captação particular, nascente ou fonte poderá ser imprópria para o consumo humano mesmo que apresente bom aspecto, seja cristalina ou não tenha sabor. Esta água poderá conter inúmeras bactérias, provenientes de dejetos de animais ou de fossas sépticas (esgoto humano), substâncias químicas ou outras substâncias prejudiciais à saúde, como por exemplo fertilizantes e pesticidas.

Como se dá a transmissão dos microorganismos presentes na água contaminada?
Geralmente a transmissão dos organismos dá-se pela via fecal-oral ou pela ingestão água e alimentos contaminados.
Uma bactéria comumente isolada em gastroenterites provocadas por água não tratada é o Campylobacter. O número de microorganismos necessários para infectar uma criança são mais baixos e estas são mais sintomáticas na infância. É também mais comum engolirem água do banho ou da piscina.

Como se pode manifestar a infeção?
Geralmente os doentes apresentam clínica de gastroenterite aguda. Os sintomas incluem dor abdominal, diarreia (por fezes com sangue ou muco), vómitos e febre.
Na maioria dos casos, particularmente em crianças saudáveis, constitui uma doença auto-limitada, embora estejam descritas complicações tais como artrite reativa, sépsis, síndrome de Guillain-Barré, anemia hemolítica, entre outras.

E se ferver a água?
No caso de água de fonte, nascente ou poço, se não conseguir evitar o seu uso, deverá ferver a água. Como foi dito, este tipo de água está muito sujeito a contaminações, pelo que é importante esterilizá-la antes de dar às crianças.
No caso da água engarrafada ou da rede pública não é necessário ferver uma vez que o controlo destas águas é muito apertado, não havendo necessidade de cuidados adicionais.

Mariana Santos, com a colaboração de Joana Oliveira, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga

 

Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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