PEDIATRIA

Alterações ortopédicas fisiológicas

Os primeiros passos de uma criança são sempre um marco muito esperado por todos os pais, mas com eles vêm várias dúvidas e incertezas. As alterações na marcha e deformidades dos membros inferiores são um motivo frequente de consulta de Pediatria e de Ortopedia Infantil, sendo que algumas são preveníveis tendo pequenos cuidados.
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Há várias variações transitórias do crescimento da criança que são confundidas com alterações patológicas. É importante verificar se a deformidade reverte com a manipulação (não sendo rígida); ou se é simétrica (sendo nestes casos mais provável que seja uma alteração fisiológica e transitória). Um dos exemplos é o pé plano, que surge nos primeiros dois anos de vida, por depósito da gordura no local que disfarça o arco do pé e por laxidez articular (típica da infância). Está presente em quase todas as crianças e se for fisiológico desaparece quando a criança se põe em pontas (“bicos de pé”). Nestes casos fisiológicos a correção não depende de calçado corretivo, sendo que os implantes e palmilhas são inúteis e por vezes contraproducentes.

Até aos 3 anos de idade as crianças têm uma marcha imatura, com uma base alargada (pés afastados), ancas e joelhos fletidos, braços afastados e estendidos, com passos rápidos e curtos. Nesta idade a principal causa de claudicação (“mancar”) é o calçado. Nesta idade as crianças devem andar descalças sempre que possível e devem ser incentivadas a andar “em bicos de pé” por períodos. Deverão também sentar-se com as pernas dobradas para fora quando sentadas no chão (“pernas à chinês”). Devem também dormir de barriga para baixo (nunca antes dos 12 meses!). Todos estes conselhos ajudam na aquisição de uma marcha correta.

O calçado das crianças deverá ser flexível, confortável, deve proteger o pé de traumatismos e interferir o mínimo possível com a função (o que se parecer mais com o estar descalço). Devem estar bem ajustados, para evitar quedas se largos ou compressão dos dedos se apertados. Os sapatos duros devem ser evitados, pois impedem o movimento normal do pé prejudicando o desenvolvimento da força muscular. A sola não deverá ser muito escorregadia nem muito aderente pois pode ser um motivo de quedas. O material deve ser poroso, de modo a permitir respiração do pé e deverá ter características térmicas apropriadas.

Dos 4 aos 10 anos as crianças adquirem a marcha madura, com alternância dos braços, velocidade estável e passos uniformes. Nesta idade há maior facilidade de comunicação com a criança e maior colaboração no exame físico durante a consulta, portanto será mais fácil avaliar a alteração da marcha. Nesta fase um exercício bom para uma postura correta ao caminhar é o ballet e a patinagem a partir da idade escolar.
A marcha com progressão interna ou externa dos pés, o joelho varo/valgo (“para fora”/“para dentro”) também são motivos frequentes de preocupação para os pais e para referenciação ao Pediatra ou Ortopedista e na sua maioria resolvem com o tempo e sem necessidade de tratamento. A marcha com os “pés para dentro” é mais notada entre os 4 e os 6 anos e está frequentemente associada ao hábito das crianças se sentarem em W (ver artigo sobre a epidemia das pernas em W), devendo esta posição ser evitada. Esta alteração resolve espontaneamente com o desenvolvimento. O joelho varo é frequente no 2º ano de vida, enquanto o joelho valgo é comum dos 3 aos 4 anos.

A partir dos 11 anos as crianças já têm uma marcha adulta.

Mariana Santos com a colaboração do Dr. Eduardo Almeida, Ortopedista Infantil do Centro Hospitalar Universitário do Porto

Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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