PEDIATRIA

Fenda lábio-palatina

Na maioria dos casos não é possível identificar com certeza a causa da malformação, contudo estão descritos vários fatores predisponentes, ambientais e genéticos, como a obesidade materna, diabetes gestacional, idade materna avançada, o consumo de álcool, tabaco e a utilização de fármacos durante a gravidez.
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O que é?
As fendas lábio-palatinas são malformações congénitas da face que ocorrem por perturbações do desenvolvimento e formação do feto. São malformações frequentes, afetando cerca de um em cada 700 recém-nascidos.

A fenda labial é uma malformação que resulta num defeito no lábio superior e nariz, com extensão variável, podendo ser unilateral ou bilateral.

A fenda palatina é uma malformação do palato, completa ou incompleta de acordo com o atingimento do palato duro, e condiciona uma comunicação entre a cavidade oral e a cavidade nasal.

Estas malformações podem atingir isoladamente o lábio, o palato, ou o lábio e o palato, classificando-se como uni ou bilaterais, completas ou incompletas.

Em cerca de metade dos casos, as fendas lábio-palatinas podem estar associadas a outras malformações (cardíacas, urológicas, entre outras), constituindo um síndrome. As fendas palatinas isoladas (sem fenda labial) são as que mais frequentemente surgem neste contexto.

Como surge?
Na maioria dos casos não é possível identificar com certeza a causa da malformação, contudo estão descritos vários fatores predisponentes, ambientais e genéticos, como a obesidade materna, diabetes gestacional, idade materna avançada, o consumo de álcool, tabaco e a utilização de fármacos durante a gravidez. Os fatores genéticos são frequentemente responsáveis pela associação a outras malformações.

A suplementação com ácido fólico durante a gravidez diminui a probabilidade de ocorrência de fenda labial ou palatina.

Como se diagnostica?

O diagnóstico pré-natal (DPN) é possível na maioria dos casos através da ecografia fetal 2D, que permite a observação das estruturas da face do feto e a eventual identificação de alterações. O avanço na qualidade da imagem da ecografia, bem como a diferenciação e especialização dos médicos em DPN tem contribuído para a deteção cada vez mais precoce destas malformações, contudo nem sempre é possível o diagnóstico pré-natal, só se diagnosticando a malformação ao nascimento.

Tratamento
Após o nascimento o recém-nascido será observado e serão realizados exames complementares de diagnóstico adequados, com o objetivo de rastrear outras malformações, nomeadamente a nível cerebral, cardíaco e nefro-urológico.

O tratamento da criança com fenda labial ou palatina envolve uma equipa multidisciplinar que irá orientar não só a abordagem cirúrgica, mas também questões relacionadas com a alimentação e linguagem, com o aparelho respiratório e auditivo, implicações estomatológicas, entre outras.

A intervenção cirúrgica permite a correção da fenda labial e/ou palatina, reconstruindo nas suas vertentes estética e funcional, com a obtenção de excelentes resultados. De forma individualizada e de acordo com o tipo de fenda, a equipa cirúrgica irá definir o melhor timing cirúrgico. Habitualmente a fenda labial é corrigida precocemente (pelos 3 meses de idade) e a fenda palatina numa fase mais tardia (entre o 9 e os 12 meses de idade). Podem ser necessárias intervenções cirúrgicas secundárias de acordo com  o crescimento da criança.

Francisca Calheiros Trigo com a colaboração da Dra. Ana Raquel Silva (Serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital de Braga)
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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