PSICOLOGIA

A minha professora é…

Numa sessão de trabalho com uma turma do 4º ano, no âmbito do projeto “Encarreirar” (Orientação de Carreira), deparei-me com um grupo de alunos que, de uma forma espontânea, caraterizaram a sua professora titular.
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“Muito simpática e ensina muito bem. Ela não é só uma professora é um bocado da minha vida”.

“Amiga e simpática”.

“Bela, divertida. A melhor professora do mundo. Gosto muito dela”.

“ Diz sempre a verdade”. “A professora é corajosa,

Não tem medo de ninguém Mas também é carinhosa Dizendo a verdade de alguém”


“Amiga e gosta dos alunos dela e quer que sejam bons alunos a Português, Estudo do Meio e Matemática e que mantenham ou subam as notas no 5º ano”.

“Amiga de todos nós e gosta de amar, do mar e do seu neto”.

“Assume tudo e não é coscuvilheira”.

“Explica muitas vezes e volta a explicar quando algum de nós não compreende”.

“Exigente, carinhosa, bela, engraçada, simpática, amável, ela é a professora Cristina Carvalho”.

Numa sessão de trabalho com uma turma do 4º ano, no âmbito do projeto “Encarreirar” (Orientação de Carreira), deparei-me com um grupo de alunos que, de uma forma espontânea, caraterizaram a sua professora titular da forma anteriormente descrita. Apesar de estar perto da idade da reforma, a professora Cristina adora a sua profissão e entrega-se aos seus alunos de uma forma espontânea, afetuosa e empenhada. Curiosamente, os adjetivos positivos para a caraterizar pareciam não se esgotar e, surpreendentemente novos, iam surgindo, numa manifestação em catadupa de afeto, que me deixou comovida.

Felizmente, a professora Cristina não é caso único. Ao longo dos já muitos anos de trabalho em contexto escolar, tenho-me cruzado com profissionais excelentes, que, de uma forma mais ou menos discreta, marcam a diferença na vida dos mais novos, porque “sabem lidar” com os alunos e gerem de uma forma assertiva a imprevisibilidade associada à sala de aula. Mas também tenho verificado que são esses, os que mais se entregam à sua profissão e aos seus alunos, os que mais facilmente caem em situações de burnout. Explicam-me que, entre outras razões, não têm condições para continuarem a exercer a sua profissão dando a cada aluno a atenção individualizada que sempre deram e acabam por adoecer.

Neste grupo de alunos, e dada a temática que estava a ser abordada, vários manifestaram interesse em virem a ser professores no futuro. Este grupo parece, assim, contrariar a estatística que resulta do estudo do Conselho Nacional de Educação, efetuado junto dos alunos que, em 2015, realizaram os testes PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), em que só 1,5% mostraram interesse em ter no futuro a profissão docente. Esta baixa percentagem é preocupante, tendo em linha de conta que, até 2032, se reformarão 2/3 dos docentes atualmente em funções. Daqui se poderá rapidamente concluir que, a muito curto prazo, a tendência atual se inverterá e teremos falta de profissionais na área da docência.

Para estas crianças que estão à margem da desvalorização de que a profissão “professor” tem sido alvo, exercê-la será algo atrativo pois, na sua sala de aula, têm uma professora que colocam num patamar muito elevado, pelo seu desempenho próximo e simultaneamente exigente. Precisamos urgentemente que se encontrem soluções para que os professores se voltem a sentir motivados e valorizados, porque o seu papel é inegavelmente determinante no presente e no futuro.

Adriana CamposLicenciada em Psicologia pela Universidade do Porto, na área da Consulta Psicológica de Jovens e Adultos e mestre em Psicologia Escolar. Detentora da especialidade em Psicologia da Educação e das especialidades avançadas em Necessidades Educativas Especiais e Psicologia Vocacional e de Desenvolvimento da Carreira atribuída pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Atualmente desenvolve a sua atividade profissional no Agrupamento de Escolas do padrão da Légua em Matosinhos.
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