PEDIATRIA

Vacinação em todas as etapas da vida

O acesso à vacinação é um direito fundamental. Os programas de vacinação universais, como é o caso do português, promovem a equidade e igualdade de oportunidades, independentemente da idade, etnia, género, estatuto social ou ideologia.
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O Programa Nacional de Vacinação (PNV) teve início em outubro de 1965 numa campanha em massa de vacinação contra a poliomielite, tendo-se administrado até ao final de 1966, 3 200 000 doses de vacinas. A vacinação universal, sobretudo em crianças dos 0 aos 9 anos, teve um impacto imediato, registando-se uma diminuição abrupta do número de casos de poliomielite, o que foi determinante para a aceitação do programa.

Desde 1965 até aos dias de hoje foram administradas milhões de vacinas, com um perfil de eficácia, segurança e qualidade demonstrados. A efetividade das vacinas demonstra-se pela erradicação da varíola em 1980 e eliminação da poliomielite na Europa em 2002. Há outras doenças evitáveis pelas vacinas do PNV que estão também eliminadas ou, pelo menos, controladas.

O PNV baseia-se em três grandes pilares: universalidade, gratuitidade e acessibilidade.

Porque está o PNV em constante atualização?
Ao longo das últimas décadas, novas vacinas foram sendo integradas no PNV de forma faseada, de acordo com a sua importância para a saúde do indivíduo e da comunidade.

O PNV português era constituído inicialmente por 5 vacinas, tendo apenas sido retirada a vacina da varíola, após a sua erradicação a nível mundial. Ao longo dos anos, foram incluídas 8 novas vacinas (vacinas contra o sarampo, parotidite epidémica e rubéola (VASPR); Haemophilus influenzae b (Hib); hepatite B (VHB); meningococos C (MenC); papiloma humano (HPV) e pneumococos (Pn13)), tendo o programa sofrido alterações sequenciais de acordo com a evolução epidemiológica e características das doenças do nosso país, para as quais contribuíram também a evolução social e dos cuidados de saúde.

A vigilância das doenças abrangidas pelo PNV permite acompanhar a sua evolução e adequar o esquema vacinal para que seja o mais benéfico para a saúde da população. Alguns exemplos:
- Em 2012 a vacina contra a meningite C foi alterada para uma dose aos 12 meses de idade devido às alterações epidemiológicas causadas pela elevada taxa de cobertura vacinal alcançada em adolescentes e crianças. Este efeito de imunidade de grupo permitiu reduzir o número de casos de meningite para zero em crianças com menos de 12 meses.
- Estudos pós-comercialização da vacina contra o vírus Papiloma Humano demonstraram que esta é eficaz e confere uma proteção adequada com apenas 2 doses quando administradas em adolescentes entre os 10-13 anos, não sendo necessárias as 3 doses administradas previamente aquando da sua introdução no PNV.

O PNV integra hoje 12 vacinas, atingindo elevadas taxas de cobertura vacinal.

O que mudou em 2017?
A atualização do PNV em 2017 foi aprovada pelo Despacho n.º 10441/2016 do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, de 9 de agosto de 2016 e publicado no Diário da República, 2ª série, nº 159, de 19 de agosto de 2016, e entrou em vigor em janeiro de 2017.

- A vacina BCG (contra a tuberculose) deixou de ser recomendada de forma universal desde 1 de junho de 2016, utilizando-se atualmente uma estratégia de vacinação de grupos de risco, uma vez que Portugal é atualmente considerado um país de baixa incidência de tuberculose pela Organização Mundial de Saúde.
- Aos 2 e 6 meses de idade é agora administrada numa única vacina hexavalente, as vacinas VHB, Hib, DTPa e VIP.
- As vacinas de reforço dos 18 meses são administradas numa única vacina pentavalente que contém DTPa, Hib e VIP.
- As vacinas que anteriormente se faziam aos 5-6 anos foram antecipadas para os 5 anos, permitindo assim completar o PNV mais cedo. Nesta idade faz-se a segunda dose de vacina combinada contra o sarampo, parotidite epidémica e rubéola (VASPR) e a vacina tetravalente que contém os reforços da DTPa e da VIP.
- A vacina contra infeções pelo HPV contém agora 9 genótipos, e inicia-se a sua administração às raparigas aos 10 anos de idade, num esquema de 2 doses com 6 meses de intervalo.
- Todas as mulheres grávidas, entre as 20 e as 36 semanas de gestação, são vacinadas contra a tosse convulsa com a vacina Tdpa (vacina contra o tétano, difteria e tosse convulsa, em doses reduzidas). Esta vacina deve ser feita em todas as gestações.
- Os reforços da vacina contra o tétano e difteria em adolescentes e adultos, ao longo da vida, foram alterados: o primeiro reforço aos 10 anos de idade; repetindo aos 25, 45 e 65 anos e posteriormente de 10 em 10 anos.

As vacinas são talvez o método mais seguro e eficaz na prevenção de doenças potencialmente graves pelo que todas as crianças e adultos deverão cumprir rigorosamente o esquema vacinal recomendado.

Diana Rita Oliveira, com a colaboração de Margarida Reis Morais e Isabel Cunha, Pediatras do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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