PEDIATRIA

Febre: “o conhecimento é o antidoto do medo”

A febre não é uma doença, mas sim um sinal clínico. Hoje em dia sabe-se que a temperatura elevada do organismo é benéfica no combate às infeções. No entanto, a febre pode também ser a manifestação de uma doença grave.
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“A minha criança está muito quente, acho que tem febre. O que faço?”
Antes de explicarmos o que deve fazer, nunca é demais relembrar que a febre não é uma doença, mas sim um sinal clínico. Hoje em dia sabe-se que a temperatura elevada do organismo é benéfica no combate às infeções. No entanto, a febre pode ser a manifestação de uma doença grave. Sendo assim, colocam-se as questões: “Mas afinal quando consideramos febre? Como sei se a minha criança pode ter uma doença grave e precisa ser visto por um médico?”

A febre define-se por um aumento da temperatura de pelo menos 1 ºC acima da temperatura média individual. Devido às dificuldades técnicas em conhecer a temperatura média basal de cada criança, podemos considerar como febre quando a temperatura axilar é maior ou igual a 37,6 ºC; a rectal é igual ou superior a 38 ºC; a timpânica é igual ou superior a 37,8 ºC e a oral é maior ou igual a 37,6 ºC.

“O que devo fazer se acho que a minha criança está com febre?”
O primeiro passo é, através de um termómetro, medir de uma forma quantificável a temperatura da sua criança. A temperatura pode ser medida na boca, no ouvido, na axila, no rabinho e na testa.

Desde já podemos dizer que a medição na testa e o uso de chupetas com termómetro são desaconselháveis. Nota para os pais mais modernos: as aplicações de telemóveis com o adaptador específico também não são, atualmente, métodos aconselháveis.

A medição da temperatura na boca é apenas aconselhável se a criança tiver mais de 5 anos. Neste caso, o termómetro deve ser colocado debaixo da língua com a boca permanentemente fechada. Em relação à temperatura medida no ouvido, isto é, à temperatura timpânica, esta não deve ser utilizada em crianças com menos de 3 anos de idade. No caso de utilizar esta técnica deverá sempre orientar o termómetro para o buraquinho do ouvido e não para as “paredes” do mesmo.
Quando medem a temperatura a nível axilar, a vulgar medição “debaixo do braço”, os cuidadores devem ter em atenção que o termómetro deve ser colocado desligado e só deverá ser ligado após 5 minutos (se possível), para dar tempo para o termómetro aquecer e dar uma informação mais real da temperatura da criança.

“Já medi a temperatura corretamente, e agora? Levo ou não a minha criança ao médico?”

Esta talvez seja a pergunta que mais atormenta os pais e é, também, das perguntas mais importantes.

Recorde e aponte os sinais de alerta que descrevemos em seguida, e que devem ser tidos em conta para que tome a decisão de levar a sua criança a ser observada por um médico, o mais rapidamente possível, seja qual for o dia de febre ou a sua idade:
- Se a criança estiver irritada ou a gemer;
- Se tiver excesso de sono ou incapacidade em adormecer;
- Se teve uma convulsão;
- Se apareceram manchas na pele nas primeiras 24/48h;
- Se começou a respirar rápido após baixar a febre ou se tem dificuldade em respirar;
- Se teve vómitos repetidos entre as refeições;
- Se está há mais de 12h sem comer absolutamente nada;
- Se tem uma sede insaciável;
- Se tem uma dor muito forte;
- Se tem um choro constante que não é consolável ou que não tolera o colo;
- Se tem lábios ou unhas roxos e/ou calafrios/tremores prolongados e intensos na subida térmica;
- Se tem dificuldade ou dor a mobilizar um membro ou se tem alteração ao caminhar;
- Se a urina tem cheiro diferente ou não é transparente.

Caso verifique alguns destes sintomas, a sua criança deve ser observada por um médico. Mas lembre-se de manter sempre a máxima segurança no transporte.

Se a sua criança não tiver nenhum dos sinais de alerta descritos acima, há também outras situações que deve considerar. Caso verifique alguma das questões abaixo descritas, deverá também consultar um médico:
- Se o seu bebé tem febre e menos de 3 meses de idade;
- Se tem idade entre os 3 e 6 meses e uma temperatura axilar maior ou igual a 39 ºC ou uma temperatura retal igual ou superior a 40 ºC;
- Se tem mais de 6 meses, e uma temperatura axilar maior ou igual a 40 ºC ou uma temperatura retal igual ou superior a 41 ºC.

Finalmente, se a criança tem uma doença crónica grave, se tem uma febre com mais de cinco dias ou se a febre reaparecer dois a três dias depois de estar sem febre, também deverá ser observada por um médico.

Excetuando estas situações, tenha calma! O mais provável é que a sua criança tenha uma infeção benigna e autolimitada e que, após alguns dias de xaropes (antipiréticos) e muito mimo, tudo fique melhor.

O que posso eu fazer para ajudar a dar mais conforto à minha criança?
Antes de mais, tenha calma. Como já falamos anteriormente, a febre nem sempre é prejudicial, pois é uma forma de manifestação do organismo combater a infeção.

Se a sua criança lhe parece desconfortável o que deverá fazer é administrar um antipirético, aqueles xaropes famosos que ajudam a baixar a febre. Deverá sempre manter uma temperatura ambiental média de 20-22ºC; adequar a atividade e o vestuário. Muito importante também é manter uma boa hidratação oral (ou seja, ofereça líquidos ou leite em quantidade). Evite os banhos frios e as toalhas húmidas na testa, porque só vão aumentar ainda mais o desconforto da sua criança.

Em relação aos antipiréticos, deverá sempre optar pelo paracetamol (na dose adequada para o peso), exceto no caso de a sua criança ter alergia ao paracetamol. O intervalo mínimo entre duas tomas de paracetamol é de 4 horas. O antipirético é considerado eficaz se baixar a temperatura de 1,0º a 1,5ºC dentro de 2 a 3 horas.

Lembre-se que deve optar sempre pelo paracetamol e não deverá alternar com o ibuprofeno. O ibuprofeno tem outras características e não deve ser administrado se a criança tiver varicela; úlcera péptica, insuficiência renal, cardíaca ou hepática; hipertensão; alergia a medicamentos anti-inflamatórios; ou se estiver a tomar anticoagulantes. Também não é aconselhável o uso de ibuprofeno em crianças com menos de 6 meses.

Agora que já sabe o essencial sobre a febre, não tem que ficar em pânico no próximo pico febril da sua criança. Lembre-se que “o conhecimento é o antídoto do medo”.

Se necessário pode contactar o Centro de Contacto SNS 24 (808 24 24 24).

Ivo Miguel Neves, com a colaboração de Manuela Costa Alves, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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