EDUCAÇÃO

Novo ano, nova escola, novos desafios

Se os pais estiverem conscientes das implicações da mudança que o seu filho está a viver, poderão compreender melhor os motivos da ansiedade que ele, eventualmente, sinta e, desta forma, conseguirão ajudá-lo a ultrapassar esta fase de forma mais positiva e adequada.
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2018/19 aí está. Novo ano, novos desafios. Estes serão ainda maiores para as crianças que vão para a creche ou para o jardim de infância pela primeira vez ou para aquelas que mudam de escola. Alegria e curiosidade surgem, de forma geral, à mistura com receio e preocupação. Se os desafios forem vistos de forma positiva, podem ser encarados de um modo mais otimista.

Olhemos para alguns dos desafios de cada mudança:

- Primeira entrada para a creche ou para o jardim de infância: A criança vai deixar a casa dos pais/avós/ama pela primeira vez. Também pela primeira vez os adultos que se ocuparão dela não serão pessoas muito familiares. Pela primeira vez, ainda, passará o dia num contexto com muitas crianças e não terá a atenção dos adultos centrada exclusivamente em si.

- Entrada para o 1º ciclo: A criança sabe que vai realizar aprendizagens importantes, como a leitura e a escrita, por exemplo. Sabe que lhe será exigida uma forma de estar diferente, mais “séria” e autorregulada. Vai começar a sua vida de estudante.

- Entrada para o 2º ciclo: Acaba o ensino em regime de monodocência e passa a haver um conjunto de professores. Há também bastantes disciplinas novas. A criança terá que ser mais autónoma e organizada. Se até aí um único professor lhe indicava os trabalhos de casa, agora haverá vários professores a solicitar tarefas de estudo em casa para as várias disciplinas, cabendo ao aluno fazer a gestão do tempo para as concretizar. As crianças deixam de ser as mais velhas da escola e passam a ser as mais novas.

- Entrada para o 3º ciclo: Acentua-se a caminhada iniciada no 2º ciclo. O número de disciplinas e de professores aumenta. A complexidade das aprendizagens aumenta e a necessidade de estudo regular também. Os professores esperam dos alunos maior autonomia.

- Entrada para o ensino secundário: A entrada na escola secundária foi antecedida por escolhas feitas pelos jovens com grande importância para o seu futuro académico e profissional. Os jovens sabem que as notas serão determinantes na consecução dos seus objetivos. Cada vez se espera deles mais autonomia e mais estudo individual.

Se os pais estiverem conscientes das implicações da mudança que o seu filho está a viver, poderão compreender melhor os motivos da ansiedade que ele, eventualmente, sinta e, desta forma, conseguirão ajudá-lo a ultrapassar esta fase de forma mais positiva e adequada.

Não há receitas para o sucesso. Contudo, conversar sobre os desafios, levar a refletir que aquilo que é novo tendencialmente provoca sempre algum receio que desaparece com o tempo, ajudar a enfatizar o crescimento implícito em cada mudança podem ser estratégias eficazes. Convidar colegas da nova escola para casa pode ajudar a que se criem mais rapidamente laços de amizade e a adaptação não seja tão solitária. Falar da nova fase como algo de positivo, em que a criança / o jovem vai aprender novas coisas aliciantes (ex.: ler e escrever, uma nova língua) e que correspondem aos seus interesses, pode ajudar a diminuir receios. Fazer do primeiro dia de escola um dia de festa com um jantar melhorado em família, durante o qual se contam as novidades do dia, contribuirá para destacar os aspetos positivos da mudança.

Tal como Roma e Pavia, também a integração numa nova escola ou num novo ciclo de ensino não se faz num dia. É importante que os pais tenham bem presente que, se estiverem muito ansiosos, essa inquietude e preocupação será transmitida aos filhos. Aos primeiros dias ou semanas de ansiedade segue-se, normalmente, uma adaptação progressiva e uma vivência saudável da nova escola. Os pais precisam de dar tempo ao tempo e de deixar espaço aos filhos. Quando a ansiedade não é excessiva (e essa, sim, tem que ser alvo de atenção dos pais), além de saudável é perfeitamente normal. Receios exagerados por parte dos pais produzem, nos filhos, a convicção de que, de facto, a transição em que se encontram é complicada.

Sem descurar, com a continuação dos dias de aulas, a atenção (sem ansiedade) a sinais que possam indiciar a eventualidade de dificuldades na integração, há que criar condições para que ela corre o melhor possível, com alegria e com confiança. Que criança/jovem não gosta de crescer? Não é a entrada para uma nova escola sinal de crescimento?
Armanda ZenhasProfessora aposentada. Doutora em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. Autora de livros na área da educação.
Professora profissionalizada nos grupos 220 e 330. Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Professora profissionalizada do 1.º ciclo, pela Escola do Magistério Primário do Porto.
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