PEDIATRIA

Parotidite na criança e no adolescente

A parotidite consiste na inflamação da glândula parótida (estrutura que produz saliva) que se situa em frente ao pavilhão auricular. Isto ocorre na maioria das vezes por um vírus chamado paramixovírus, originando a chamada parotidite epidémica (popularmente conhecida como “papeira”).
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
O que é a parotidite?
A parotidite consiste na inflamação da glândula parótida (estrutura que produz saliva) que se situa em frente ao pavilhão auricular. Isto ocorre na maioria das vezes por um vírus chamado paramixovírus, originando a chamada parotidite epidémica (popularmente conhecida como “papeira”).

Esta situação específica é mais frequente entre os 1 e os 14 anos e atinge sobretudo o sexo masculino, havendo maior incidência no inverno e primavera.
Existem outras causas possíveis de inflamação da glândula parótida:
– infeção por outros vírus, por exemplo, adenovírus, vírus parainfluenza, vírus do herpes humano tipo 6, vírus herpes simplex, parvovírus B19, enterovírus, citomegalovírus e vírus do Epstein-Barr – infeção por bactérias da cavidade oral;
– sialolitíase (“pedra” na glândula, semelhante à “pedra” do rim);
– doenças auto-imunes, por exemplo Síndrome de Sjögren e Lúpus Eritematoso Sistémico;
– parotitide juvenil recorrente idiopática, uma entidade em que a glândula parótida fica inflamada de forma recorrente e cuja causa ainda não está totalmente esclarecida.
Pode haver ainda aumento de volume da parótida sem que esta esteja inflamada como acontece quando há desnutrição grave (na anorexia nervosa, por exemplo) ou quando existe um tumor a crescer na glândula.


Como se manifesta?
A parotidite epidémica manifesta-se de forma súbita com o aumento doloroso da glândula parótida, habitualmente bilateral, acompanhado por mal-estar geral e febre baixa. Normalmente há um pródromo gripal, isto é, nos dias que antecedem a doença existem sintomas respiratórios como obstrução nasal, "pingo" e tosse. Se o agente responsável for uma bactéria a febre vai ser mais alta e pode haver drenagem de pus através de um orifício da cavidade oral por onde sai a saliva produzida na glândula parótida.

Como se faz o diagnóstico?
Habitualmente o médico diagnostica a doença através da história e do exame físico do doente. Por vezes, quando há dúvida quanto ao diagnóstico, pode ser feita uma ecografia ou análises ao sangue, mas na maior parte dos casos não é necessário qualquer exame complementar.

É uma doença grave?
Normalmente a parotidite epidémica é uma doença benigna. Contudo, podem ocorrer complicações noutros órgãos. Há maior probabilidade de complicações à medida que aumenta a idade. Destacam-se o atingimento do testículo (epidimite/orquidite) nos rapazes e do ovário (ooforite) nas raparigas. Complicações como a meningite são também possíveis, mas raras.

Como se trata?
Não existe nenhum tratamento específico para a parotidite epidémica. Contudo, há algumas medidas que podem ajudar a aliviar os sintomas como: medicação para controlar a dor e a febre (antinflamatório/antipirético); aumento da ingestão de líquidos; otimização da higiene oral; uso de compressas frias; promoção da salivação, recorrendo a pastilhas elásticas ou bebidas/alimentos ácidos (por exemplo rebuçados de limão). Os antibióticos só estão recomendados na parotidite bacteriana.

Demora muito a passar?
O quadro tem duração variável, que pode ir até às 2 semanas. Os sintomas vão melhorando de forma gradual e a glândula parótida acaba por retomar o seu tamanho habitual. Se não houver complicações não é expectável que deixe qualquer tipo de sequelas.

É uma doença contagiosa? Como ocorre a transmissão?
A parotidite epidémica é uma doença muito contagiosa, de declaração obrigatória. O período de contágio compreende a semana antes e a semana depois do início do quadro, pelo que está recomendado que a criança não vá à escola nos 9 dias após o início do aumento da glândula parótida. A transmissão ocorre por contacto com gotículas respiratórias, contacto direto com a saliva ou com objetos que possam conter saliva da pessoa doente.

Pode-se ter a doença mais que uma vez?
A infeção pelo paramixovírus confere imunidade permanente, o que significa que não é possível ter a parotidite epidémica outra vez. Contudo, podem ocorrer parotidites por outras causas, como infeções bacterianas ou sialolitíase (nestes casos a doença não é de declaração obrigatória e a evicção escolar não é necessária).
Existe uma entidade específica chamada parotitide juvenil recorrente idiopática na qual a criança ou adolescente pode ter múltiplos episódios de parotidite (por vezes vários ao longo do ano), sem que se encontre uma causa. Não se sabe muito bem porque acontece mas pensa-se que poderá estar relacionado com alguma malformação na estrutura da glândula parótida que propicia a sua inflamação de forma repetida. Trata-se de um diagnóstico de exclusão, o que significa que o médico tem que fazer vários exames para excluir outras causas de inflamação da glândula parótida. Nestes casos também não é necessário fazer evicção escolar (uma vez que não se trata de uma situação infecciosa), sendo o tratamento apenas sintomático. Habitualmente este problema desaparece com a idade sem que seja preciso fazer tratamento específico.

Como se previne a parotidite?
A imunização para a parotidite epidémica está incluída no programa nacional da vacinação desde 1987, com a vacina VASPR que é administrada aos 12 meses e 5 anos. Esta vacina também protege contra o sarampo e a rubéola. Trata-se da única forma disponível para a prevenção da doença. Contudo, devido a alguns movimentos “anti-vacinação” recentes, poderão ocorrer mais casos de parotidite epidémica, uma vez que as crianças que ainda não estão totalmente imunizadas deixam de beneficiar do efeito da imunidade de grupo.

Catarina Magalhães Faria e Inês de Medeiros, com a colaboração de Maria Miguel Gomes e Susana Carvalho.
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.