NUTRIÇÃO

Férias saborosas

Embora para a maioria das pessoas as férias sejam inferiores a um mês, é nesta altura que há mais tempo para dar mais atenção ao que se come e se inventam pratos que melhor se adaptem ao tempo mais quente e que complementem de forma prazerosa este merecido e curto descanso. Por isso ninguém pensa muito em alimentação saudável ou racional porque esta é, invariavelmente, associada a comida sem graça, sensaborona.
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Se a minha formação profissional me relembra diariamente que comemos para ingerir todos os nutrientes necessários a uma boa saúde, a minha formação enquanto pessoa e amante de culinária criativa não esquece que as férias, sobretudo quando passadas em locais cultural e gastronomicamente diferentes daquele em que vivemos, nos proporcionam diferentes e enriquecedoras experiências gastronómicas. Entendo eu que é possível misturar estes vários ingredientes e conseguir refeições muito boas e saudáveis.

Deixo assim algumas dicas práticas, como as dicas devem ser, para que nesta altura, ou em qualquer outra do ano, nunca se dissocie a saúde do prazer de comer.

Pato – mais gordo do que outras aves domésticas como o frango ou o peru, a carne de pato é, apesar disso, de fácil digestão e uma boa fonte de ferro. Tal como as suas congéneres, deve ser consumida sem pele. Outros ingredientes como cebola, alho, canela, salsa, etc, adicionados durante a sua cozedura, compensarão em sabor a diminuição da gordura retirada.

Grelhada – uma boa grelhada ou churrascada é um bom motivo para conviver com os amigos. No entanto, para evitar o “sangue gordo”, deve eliminar do seu prato as salsichas frescas e a gordura visível das carnes. Acompanhe com uma salada de vários hortícolas e tempere com molho de iogurte, fresco e pouco calórico.

Peixe – quando as férias são passadas na praia muita é a oferta de peixe e marisco frescos. Com um teor de proteínas e de aminoácidos essenciais semelhante ao da carne, apresentam uma maior proporção de ácidos gordos poli-insaturados e são mais ricos em iodo. São importantes no combate às doenças cardiovasculares e devem comer-se todo o ano, duas a três vezes por semana que podem incluir as variedades congeladas.

Sardinha – considerada durante muito tempo um peixe “menor”, provavelmente devido ao seu baixo custo, a sardinha é hoje indiscutivelmente associada a uma alimentação saudável. A inclusão deste peixe no nosso regime alimentar constitui uma fonte barata e acessível de proteínas e de ácidos gordos ómega 3. A ela se podem juntar, para uma delicioso resultado, as tradicionais batatas cozidas, os pimentos, os tomates e a cebola, tudo regado com um fio de azeite. Sim, um fio, não um rio…

Iogurte – obtido a partir da fermentação do leite, o iogurte é geralmente mais bem digerido e mesmo aconselhado para a regularização de algumas perturbações gastrointestinais. Da sua mistura com ervas aromáticas e condimentos resultam excelentes molhos, de baixas calorias mas muito nutritivos, ricos em cálcio e proteínas de alto valor biológico.

Fontes de água – com a enorme variedade de frutos e legumes que esta época nos traz, não há desculpas para os não comer. Ricos em água, são excelentes para refrescar e matar a sede, em vez dos refrigerantes cheios de açúcar e aditivos químicos. Pobres em calorias, são, no entanto, ricos em vitaminas, sais minerais e fibras, nutrientes fundamentais para que toda a “máquina” funcione. Experimente juntar às saladas de hortícolas tradicionais uvas, morangos, laranja, melão ou outro fruto rico em água e dê ao verão todo o sabor que ele merece.

Leguminosas – para todos, em especial para os vegetarianos, as leguminosas são uma importante fonte de proteínas e de hidratos de carbono de absorção lenta o que as torna também adequadas para diabéticos. Em conserva ou congeladas, têm um preço acessível a qualquer bolsa e são extraordinariamente versáteis porque permitem fazer sopas, patês, saladas quentes ou frias e excelentes combinações de aminoácidos e sabor com arroz ou massa.

Azeite – falo dele muitas vezes porque é recomendado numa alimentação saudável e, por isso muitas vezes comido sem restrições. No entanto, o excesso de qualquer gordura, mesmo monoinsaturada como a do azeite, contém mais do dobro das calorias do açúcar e, em excesso, contribui para o aparecimento da obesidade. Há que consumi-lo em doses não superiores a 6-9 colheres de chá por dia, de acordo com o peso individual.

Boas férias!

Paula VelosoNutricionista e autora de Dietas sem DietaDieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso.
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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