PEDIATRIA

Atividades promotoras do desenvolvimento psicomotor no primeiro ano do bebé

Para o seu pleno desenvolvimento, todas as crianças necessitam de amor, afeto, um meio familiar seguro e previsível e estímulos adaptados à sua idade.
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O desenvolvimento do bebé e da criança é um processo contínuo e sequencial, o que significa que a aquisição de determinada competência depende da detenção de outras capacidades prévias.

Na sua trajetória, a criança vai evoluindo em autonomia, comunicação, cognição, motricidade grosseira e fina. É um processo individual e por isso cada criança é única, com ritmo próprio, e deve ser avaliada como tal.

Nos primeiros meses, o desenvolvimento é extremamente dependente da maturidade física do bebé, sendo de esperar que um bebé que nasceu prematuro atinja os marcos de desenvolvimento mais tarde que um bebé de termo. Ao longo do tempo, a influência do meio é cada vez mais importante, sendo os pais e cuidadores influências fundamentais para o processo de aquisição de competências. Estes devem promover um ambiente de estímulos apropriados a cada fase, envolver-se ativamente neste processo desafiando a criança a superar as suas dificuldades, e reforçar positivamente cada conquista.

De forma a elucidar o processo de desenvolvimento no primeiro ano de vida, em linhas gerais, segue um esquema-tipo dirigido a cada idade, assim como algumas dicas para promover o progresso do seu filho.

Primeiro mês

O bebé começa a levantar a cabeça, reage a sons e fixa a face da mãe. Pelas seis semanas começa a apresentar o sorriso social. Para ele tudo é novo, sendo um grande desafio adaptar-se a um mundo cheio de cores, sons, cheiros e texturas.
Deve evitar expô-lo a múltiplos estímulos ao mesmo tempo ou demasiado intensos, promovendo um ambiente calmo onde este se sinta seguro. Aí cante melodias e fale muito com o seu bebé, olhando diretamente para ele, mudando o tom de voz e ritmo do discurso e referindo o seu nome. Eles não vão julgar a sua capacidade vocal ou interesse da conversa, mas vão apreciar a atenção e o vínculo que vai sendo criado. Os recém-nascidos precisam de contacto próximo com os pais e por isso embale-o suavemente no colo ou encoste-o ao seu peito. Pode massajar o bebé delicadamente, por curtos períodos de tempo.

Terceiro mês
Em decúbito ventral já se apoia nos antebraços. Começa a “descobrir as mãos”, brincando com elas e segurando objetos. A capacidade de interação aumenta e reage a aproximação das pessoas mais próximas. Assim, continue a falar muito com o seu bebé, cante e faça expressões faciais. Por outro lado, são importantes momentos de calma, onde juntos podem ouvir música suave ou dançar. Para aumentar o controlo do tronco permita períodos de decúbito ventral, sempre vigiados, ou levante o bebé pelas mãos, da posição deitada para sentada. Dê-lhe objetos para as mãos, como rocas.


Sexto mês
Com seis meses, o bebé é muito curioso, dá gargalhadas e diz monossílabos. Mantem-se sentado e tem tendência para levar todos os objetos à boca (exploração sensorial) ou passá-los de uma mão para a outra. Deste modo, coloque-o num tapete para que possa tentar deslocar-se e deixe-o explorar objetos com diferentes cores, formas e texturas. Coloque-o por períodos sentado, com apoio, e responda aos seus balbuceios, incentivando-o a emitir novos sons.

Nono mês

Nesta altura já domina a posição sentada e quer começar a levantar-se com apoio. Aprendeu a apontar, a desafiar os conviventes atirando propositadamente objetos para o chão e procura algo que perdeu. Já apanha pequenos pedaços de comida para levar à boca e mastiga.
Para o estimular a levantar-se, coloque brinquedos em cima de uma cadeira para que os tente apanhar. Brinque ao “cu-cu”, e mostre repetidamente gestos de adeus ou bater palmas. Aumente a textura dos alimentos para que mastigue. Chame os objetos pelos nomes e incentive a criança a repetir sons.

Décimo segundo mês

Completa-se o primeiro ano de aventuras para os pequenos exploradores, cada vez mais autónomos. Sentam-se sozinhos, deslocam-se a gatinhar e procuram objetos escondidos. Com apoio conseguem levantar-se e baixar-se. Compreendem o seu nome e obedecem a ordens simples como dá. Imitam uma conversa incompreensível.
Incentive a autonomia da criança permitindo-lhe agir conforme a sua vontade. No entanto, seja firme na imposição de limites e não ceda a birras. Estimule-a a falar de forma correta, mesmo que tenha compreendido os seus pedidos.


Maria do Carmo Ferreira, com a colaboração de Sandra Costa, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga.
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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