NUTRIÇÃO

Regras de ouro numa consulta de emagrecimento

Se alguém ou alguma publicidade lhe prometer que vai perder mais do que um quilo, vá, um quilo e meio por semana, sem qualquer esforço e para sempre, desconfie. Se para perder peso tiver que eliminar algum ou alguns grupos de alimentos, desconfie.
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Embora as promessas de perda de peso e de mudar de estilo de vida estejam sempre presentes na cabeça de muitas pessoas e a saúde seja supostamente o móbil para mudar a alimentação ou começar a ir ao ginásio, aquilo que se observa na maioria dos casos é que, é quando se aproxima o bom tempo que há mais vontade de o concretizar. Digamos, sem rodeios nem escrúpulos que, no fundo, é a imagem corporal que prime o gatilho para toda essa mudança.

Mas, quem o pode ajudar? O que tomar, o que fazer, onde ir, para obter resultados rápidos e que façam perder em dois meses os vinte quilos que demorou dez anos a engordar?

A perda de peso é um processo
Se alguém ou alguma publicidade lhe prometer que vai perder mais do que um quilo, vá, um quilo e meio por semana, sem qualquer esforço e para sempre, desconfie. Se para perder peso tiver que eliminar algum ou alguns grupos de alimentos, desconfie. Se a dieta que lhe é proposta se basear apenas num tipo de alimentos, do tipo, dieta da sopa, dieta da toranja, ou do ananás ou implicar uma alimentação que nada tem a ver com o seu/nosso padrão alimentar, desconfie. Se já fez dietas que lhe faziam muita fome, porque demasiado restritivas, não o volte a fazer porque, além de sofrer horrores durante esse processo, poderá recuperar o peso que perdeu e, eventualmente, somar ainda alguns quilos quando começar a comer normalmente. Se a dieta que algum dia já fez ou vai fazer, não o ensinam  a comer para manter o peso e a saúde, mude de estratégia. E, fundamental, não pense que o problema está em si. Acredite que as figuras públicas que dão a cara na publicidade desses produtos só o faz por motivos financeiros.

É bom tomar consciência de que a perda de peso, que deve obrigatoriamente implicar um incremento na saúde e não o contrário, é um processo que se inicia num determinado dia e que demora mais ou menos tempo conforme o seu peso inicial de cada um e o modo como consegue por em prática o plano alimentar que lhe é prescrito na consulta.

Como se processa a consulta?
O aconselhamento deve ser feito preferencialmente por um nutricionista que saiba também de culinária e gastronomia. Porque a comida deve continuar a dar-lhe prazer e para isso é necessário saber cozinhar de forma saudável mas igualmente saborosa, bastando muitas vezes, para isso, fazer pequenas adaptações ao que cozinha normalmente.
A abordagem começa com o registo dos seus dados antropométricos, peso e altura, bem como com a avaliação da massa gorda pelo método de bioimpedância elétrica. Isto porque, não raramente, as pessoas apresentam um Índice de Massa Corporal correspondente a um peso saudável, mas surpreendentemente um excesso de gordura. Por isso, é necessário explicar que emagrecer não é apenas, nem necessariamente, perder peso. É, sim, perder gordura. E explicar também que quando se inicia a pratica de uma qualquer atividade física em paralelo com o inicio de uma “dieta, o aumento de massa muscular pode mascarar, temporariamente a perda de gordura. Dito de outra forma, se perder dois quilos de gordura e aumentar em dois quilos a massa muscular, na balança continuará a pesar o mesmo. Nestes casos, experimentar uma peça de roupa que estava mais apertada pode servir de estimulo inicial para compensar a desilusão provocada pela balança.

Depois, faz-se uma avaliação dos seus hábitos alimentares. Regista-se tudo o que come e bebe durante um dia, com relevância para as horas em que as refeições são feitas e prestando especial atenção ao modo como as faz, se sentado, se de pé (infelizmente cada vez mais comum,  e às alturas em que tem mais fome ou “vontade de comer”.  Porque é fundamental respeitar as intolerâncias, alergias e gostos alimentares para que seja mais fácil cumprir o plano alimentar.

Finalmente, e tendo como base o seu peso na altura da consulta, o número de horas de atividade, ou seja, as horas a que normalmente se levanta e se deita e a sua história alimentar e clínica, é-lhe prescrito um plano alimentar adaptado, o mais possível, ao seu gosto.

Depois, e finalmente, são-lhe sugeridas receitas para pratos principais, sandes ou “snacks” que permitam, mesmo enquanto está a perder peso, não fazer refeições diferentes das do resto da família, dando ao mesmo tempo a sua contribuição para que esta coma melhor.
Porque, em dieta e daí em diante, as refeições devem ser saudáveis, económicas, rápidas, bonitas e saborosas.
Paula VelosoNutricionista e autora de Dietas sem DietaDieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso.
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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