NUTRIÇÃO

Quem tem medo do Natal?

Esta época é, não por definição, mas pelos sinais dos tempos, uma época de excessos e de gastos, que se traduzem em mesas fartas, estômagos dilatados, sobras para os oito dias seguintes e culpa, muita culpa.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Já no Natal, outra vez? Passa a voar! Pois sim, mas essa verdade parece ser válida só para algumas coisas. Se digo a alguém que pode perder peso muito devagar, sem fazer esforço, e emagrecer 1 kg por mês, a resposta é, invariavelmente, que é demasiado lento e querem resultados mais rápidos. Feitas bem as contas, num ano são 12 kg a menos! É pouco? Talvez, para quem precisa de emagrecer 30 kg ou 40 kg. Mas muitíssimo melhor do que não perder nada...

Muito se fala do excesso de peso e da vontade de o perder por altura do Natal, mas é nesta altura que, antagonicamente, há menos preocupação com isso. Mesmo quem está já a ser acompanhado num processo de perda de peso decide, nesta altura, suspender as consultas e o trabalho até aqui realizado, porque entende que a época é propícia a um novo aumento de peso e mais vale não fazer nada, se é para estragar a seguir. Curiosa e estranha esta análise. Ora vejamos, não me quero privar de todas as iguarias que se apresentam na véspera e dia de Natal, bem como continuar a comê-las nos dias seguintes, porque sempre sobram e somam com as que se renovam no final do ano. O resultado será muito provavelmente, devido à quantidade e elevado valor calórico das iguarias desta época, um aumento de um ou dois quilos. Mas então pensemos. Tendo peso excessivo antes das festas será melhor contribuir ainda mais para esse excesso em vez de o aligeirar? Exemplo: uma mulher com 80 kg antes das festas que come generosamente durante as ditas e que na primeira semana de janeiro passa a pesar 82 kg. Se, antes do Natal perder dois quilos, o que conseguirá em duas ou três semanas, no início do novo ano manterá os mesmos 80 kg. É óbvio e, acreditem, fácil! É preciso é ver com outros olhos...

Esta época é, não por definição, mas pelos sinais dos tempos, uma época de excessos e de gastos, que se traduzem em mesas fartas, estômagos dilatados, sobras para os oito dias seguintes e culpa, muita culpa. Culpa, não porque comemos aquilo que seria devido a outras pessoas que nada têm, não porque os impactes ambientais de comermos em excesso compromete o equilíbrio dos ecossistemas e promove o aquecimento global, mas porque, muito provavelmente, o excesso de calorias vai comprometer a dieta que iniciámos ou contribuir para a desmotivação provocada pelo excesso de peso que tardamos em tratar.

Não é dos pratos tradicionais como o bacalhau cozido com todos, o polvo assado, a roupa-velha, o peru, o capão ou a galinha que reza a história dos excessos alimentares do Natal. É sobretudo das sobremesas, que são em grande número e quantidade e atestadas de calorias.

No Natal e resto do ano, os doces são travessuras. Porque muito ricos em açúcar, ou ricos em gordura e açúcar, os doces, bolos e guloseimas são universalmente reconhecidos como tendo muitas calorias e irremediavelmente associados ao excesso de peso e a outras complicações de saúde. E também ao pecado, seja lá o que isso for. No entanto, desde que os excessos se fiquem por estes dois dias e não contribuam para uma indisposição gástrica que poderá comprometer a festa, não fará sentido pensar em controlar o peso e as calorias nesta altura. No dia 26 começaremos ou recomeçaremos a pensar onde poderemos poupar até ao final do ano, onde tudo se repete...

Como evitar exageros?

Coma moderadamente durante o dia e não vá com muita fome para a ceia de Natal.

Aprecie verdadeiramente a comida, sem encher o prato, olhando-a e mastigando-a demoradamente como se estivesse num restaurante gourmet, Quanto mais tempo demorar, maior será a saciedade.
Coloque todas as sobremesas que pretende provar num prato de sobremesa, colocado sobre um prato maior, e de modo que estas não fiquem empilhadas. “Derreta-as” na boca, demorando algum tempo a comê-las e não o faça de uma forma voraz. Quando isso acontece, fica a sensação de que não comeu e a vontade é de repetir para sentir de novo o seu sabor...

E respeite sempre os sinais do seu corpo. Quando for assolado por este pensamento “não devia comer mais.”, pare e mude o foco. Mais tarde poderá voltar a comer com mais prazer e sem que isso o torne indisposto e inapto para o convívio.

Boas festas!
Paula VelosoNutricionista e autora de Dietas sem DietaDieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.