PEDIATRIA

“Cigarro eletrónico em adolescentes – o que pensar?”

O cigarro eletrónico é um dispositivo eletrónico que liberta um vapor inalável, podendo conter ou não nicotina. Este aerossol contém vários aromas e é produzido com base em água, sem combustão. Estão disponíveis no mercado centenas de aparelhos e milhares de aromas. O seu consumo tem aumentado nos últimos anos, nomeadamente entre os adolescentes.
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Como funciona?
O cigarro eletrónico é constituído por um vaporizador, um reservatório, uma bateria, um interruptor e um sensor que deteta a sucção. Permite simular o ato de fumar um cigarro convencional, mas ao contrário deste, no qual a folha do tabaco é queimada, no cigarro eletrónico, uma solução líquida é vaporizada para ser inalada.

É seguro?
Apesar de o aerossol não possuir substâncias tóxicas como o alcatrão e o monóxido de carbono, e apresentar quantidades inferiores de outras substâncias como os formaldeídos, toluenos, acetaldeídos e a nitrosamina, o cigarro eletrónico contém uma substância não presente no cigarro convencional, o propilenoglicol, cujos efeitos não são totalmente conhecidos.

Sendo um produto relativamente recente, existem poucos estudos sobre os efeitos a longo prazo do consumo de cigarro eletrónico, mas estudos recentes têm revelado que os constituintes do aerossol (ex. glicerol, nicotina, aromas (diacetil)) podem produzir efeitos tóxicos no pulmão. As suas partículas ultrafinas atingem as vias aéreas mais distais e os alvéolos.

Estudos recentes realizados com adolescentes demonstraram uma associação entre o consumo de cigarro eletrónico e o aumento da prevalência de bronquite e asma, cujos sintomas são responsáveis pela diminuição da qualidade de vida
e gastos com a saúde.

Cigarro eletrónico versus cigarro convencional
Apesar da menor quantidade de substâncias tóxicas, quando comparado com o cigarro convencional, os cigarros eletrónicos não são totalmente isentos de riscos. Como ainda existem poucos estudos sobre os efeitos a longo prazo do seu uso e os malefícios a curto prazo parecem ser menores, pode pensar-se que os cigarros eletrónicos seriam uma boa alternativa.
No entanto, várias organizações de saúde e investigação, incluindo o Fórum Internacional das Sociedades Respiratórias, a Associação Americana para a Investigação do Cancro e a Sociedade Americana de Oncologia Clínica, bem como a Sociedade Portuguesa de Pneumologia recomendam a restrição do uso de cigarro eletrónico até que exista evidência da sua segurança.

Tânia Filipa Teixeira Gonçalves, com a colaboração de Augusta Gonçalves, Pediatra da área da Pneumologia do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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