NUTRIÇÃO

Exercício físico, quanto mais melhor?

Sabemos quão a prática de exercício físico regular é importante para a nossa saúde, porque, além da manutenção de estruturas ósseas e musculares, tem uma importante componente no nosso bem-estar psíquico. No entanto, o excesso de exercício, como tudo na vida, faz mais mal do que bem.
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Os amplos estudos científicos existentes corroboram a ideia de que as endorfinas produzidas durante a atividade física, ajudam a regular o stress, podem aliviar os sintomas de depressão e reduzir a sensação de dor. As endorfinas são uma espécie de morfina que o organismo produz de forma natural que, quando se liberta durante o exercício, pode permanecer durante algumas horas - o que explicará a sensação de euforia e bem-estar sentidos por muitas pessoas que assim se viciam na corrida. Além de ajudar na construção de massa óssea durante a infância e juventude, a prática de uma atividade física regular contribui para a prevenção da osteoporose na idade adulta. Ao reduzir a gordura abdominal, ajuda a prevenir doenças crónicas como a diabetes do tipo 2 e as doenças cardiovasculares e, ao estimular a circulação sanguínea, retarda o envelhecimento celular, logo o envelhecimento precoce das estruturas orgânicas. Há também evidências que atestam que melhora a qualidade do sono e, sem qualquer dúvida, são um importante componente num regime para perda de peso. Se o aumento de peso se deve a um desequilíbrio entre as calorias que se ingerem em excesso em relação às que gastamos na nossa atividade diária, um gasto adicional de energia provocado pelo exercício concorrerá, naturalmente para a perda de peso.

Se o exercício é bom para a saúde, então quanto mais, melhor?

Existe hoje uma espécie de culto do exercício físico e com ele uma panóplia de negócios à volta do mesmo. O conceito de que o exercício físico está, indubitavelmente, ligado à nossa saúde e à perda de peso, se praticado em ginásios dá origem a um negócio bilionário resultante da criação de mitos que vendem produtos não regulamentados com potenciais efeitos graves sobre a saúde. Também a persuasão, quase coação, exercida sobre os clientes na maior parte desses locais onde supostamente se vende saúde leva a exageros no que toca à intensidade e frequência com que o exercício físico é praticado. O que normalmente não se diz é que o exercício físico em excesso poderá provocar lesões e tendinites crónicas e mesmo deixar mazelas para toda a vida. E que uma paragem brusca originará uma diminuição brusca na produção de endorfinas podendo causar sintomas de depressão que muitas vezes são compensados comendo mais.

Para a maior parte das pessoas fica a ideia de que se o exercício é bom, então quanto mais melhor e, se sentir dor, isso é sinal de que a coisa está a resultar.

Nos últimos quinze dias tive, na minha consulta, dois casos paradigmáticos dessa estupidez ou incúria de muitos profissionais dos ginásios, vulgo Personal Trainer (PT).

Um do pacientes pesa 105 kg, o outro 138 kg, ambos têm uma considerável percentagem de gordura e não praticavam anteriormente qualquer exercício físico.

O primeiro vai três vezes por semana ao ginásio, sendo que numa das vezes é orientado por um PT. “Vou para a passadeira e corro até atingir as 170 pulsações por minuto e o monitor diz que as tabelas permitem chegar até às 180.” Como se sente quando isso acontece, perguntei? “Cansadíssimo, só o faço porque ele está presente e nos outros dois dias em que não está, aldrabo”. E se estivesse a correr na rua, sozinho, o que faria? “Parava, naturalmente!”. Isso é o que se deve fazer, respeitar os sinais orgânicos para parar, retorqui. O outro começou a fazer exercício diariamente, insistindo, sobretudo, na musculação. Exagerada, a meu ver, e por isso o questionei: Como se sente durante o exercício? “Vou aguentando, até que fique mais fácil”. Ora, isto é mesmo o que não se deve fazer! Deve-se começar devagar e progressivamente em função das nossas capacidades e limites físicos, sempre atento aos sinais do corpo como a frequência cardiaca e o cansaço, físico e muscular.

O excesso de exercício, como tudo na vida, faz mais mal do que bem, e deve estabelecer-se um dia de repouso entre cada dia de atividade física. Já a caminhada ligeira pode fazer-se diariamente 30 minutos por dia.

Lembre-se que nada na vida depende de milagres e que, para termos sucesso na saúde ou em qualquer outro campo, é importante perceber que tudo passa por um processo, lento e gradual para ser sustentado.


Paula VelosoNutricionista e autora de Dietas sem DietaDieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso.
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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