NUTRIÇÃO

Que a pressa dos pais não implique negligência alimentar

Comer é um ato voluntário, mas impensado, que nos permite sobreviver. Comer para ter saúde é um ato voluntário que deve ser consciente para que cumpra a sua principal função, que é nutrir-nos. A diferença é que, ao comermos sem pensar, concentrando-nos apenas na energia como se de uma máquina nos tratássemos, estamos a esquecer que só a energia não nos sustenta.
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Temos todos consciência de que a vida não é fácil, que é feita a correr, porque antes da família está o trabalho que é o que nos permite sustentá-la. Sustentá-la em termos alimentares mas também custear a boa formação dos nossos filhos, que por sua vez implica não só a escola mas toda uma panóplia de atividades extracurriculares que não deixam nem filhos nem pais respirarem e sentirem-se uns aos outros, a si próprios e a vida.

Comer é um ato voluntário, mas impensado, que nos permite sobreviver. Comer para ter saúde é um ato voluntário que deve ser consciente para que cumpra a sua principal função, que é nutrir-nos. A diferença é que, ao comermos sem pensar, concentrando-nos apenas na energia como se de uma máquina nos tratássemos, estamos a esquecer que só a energia não nos sustenta. Se assim fosse, poderíamos ingerir só açúcar ou gorduras, que são bem calóricas. Mas, e a falta que todos os nutrientes nos fazem? Sem proteínas, não crescemos nem substituímos células, sem ferro ou vitamina B12, podemos morrer de anemia, sem cálcio podemos sofrer gravemente de osteoporose, apenas para resumir. Mesmo as máquinas, como os automóveis, precisam de outras substâncias para funcionar. Um carro precisa de gasolina para andar mas, se não levar óleo especifico para o seu motor, pode comprometer a sua “saúde” e mesmo estragar-se de vez.  Ainda que seja um carro muito caro, estes requisitos de manutenção são obrigatórios. Nós também só temos uma vida e, ao contrário do motor do automóvel que pode ser trocado ainda que tendo que pagar um preço elevado por isso, não conseguimos comprar a saúde nem algumas “peças” que se possam vir a estragar. Por isso, somos responsáveis pela nossa alimentação e totalmente responsáveis pela dos nossos filhos.

Se virmos uma notícia na televisão sobre uma criança que passou fome porque os seus cuidadores, pais, instituição ou outro educador, não lhes proporcionaram a alimentação a que têm direito, o julgamento público é imediato. Negligência, punição! Se a notícia for sobre um bebé com obesidade mórbida...Negligência, punição!

Pelo contrário, se forem os nossos filhos a comer comida processada cheia de aditivos de efeitos suspeitos, fritos, ou salsichas, cheios de gorduras más e justificados pela falta de tempo para cozinhar, sem pensar na sua nutrição, isso não é negligência, é falta de tempo.  Até porque os nossos filhos nunca são gordos, são fortes! E a falta de saúde de que eventualmente possam vir a sofrer não parece depender de nós. Escola, inglês, música, atividades desportivas e et cetera, enriquecem a mente e eventualmente a conta bancária, mas não as células...
Quando tiver pouco tempo para cozinhar, lembre-se dos ovos, fornecedores das melhores proteínas, que se podem cozinhar de mil maneiras diferentes, ou das conservas de peixe, que originam belos pratos quando combinadas com batatas ou leguminosas ou mesmo dentro de um pão. Uma sopa de tomate com uma fatia de um bom pão e sobre este um ovo escalfado, é um prato muito rápido e equilibrado. Uma sandes bem combinada, com um fornecedor proteico (carne, pescado ou ovos) a que se junta sopa e/ou fruta, constituem uma excelente refeição. E a sandes pode ser quente, se assim preferir.

Vai ver o tempo que liberta para estar mais tempo com a família à mesa...
Não se esqueça de que a sopa deve continuar a fazer parte dos hábitos de filhos e pais - que são os modelos, diariamente, e no inicio do almoço e do jantar. “A  sopa está na mesa” continua a ser o chamamento familiar para o almoço ou o jantar,  seja para convocar os filhos ou as netas, ou ainda em casa dos meus pais que contam já com 93 anos!...

Fazendo assumidamente publicidade dos livros que escrevi porque o fiz para as pessoas que trabalham e vivem a correr tivessem acesso a receitas fáceis, rápidas, baratas, equilibradas e saborosas, sugiro que folheiem estes livros e experimentem as simples receitas: “Dietas sem dieta”, “Dieta sem castigo” ou “Peso, uma questão de peso”. Já não são novos e poderá ter que os encomendar por não haver espaço nas prateleiras das livrarias, mas tal como os meus pais, continuam em forma e sempre atuais.
Paula VelosoNutricionista e autora de Dietas sem DietaDieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso.
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
Comentários
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bebés e vegetarianismo
Ana Maria Martins
Gostaria de saber a sua opinião sobre os bebés e o vegetarianismo. Tenho um neto de 22 meses a quem nunca fou dado: peixe, carne, pão, bolachas ou qualquer lacticínio. Preocupa me em termos de crescimento.
Obrigada,
Ana Martins
13-10-2017
 
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