PSICOLOGIA

Retenção: como agir?

Os professores queixam-se que cada vez mais os jovens não se empenham e não cumprem as suas tarefas escolares, sendo o dedo apontado à cultura do facilitismo.
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Muitos são os pais que sofrem com a apatia dos filhos relativamente às atividades académicas. A maioria deles gostaria que os filhos estudassem mais, de forma a poderem prosseguir estudos, pois sabem que, se eles não o fizerem, terão muita dificuldade de integração no mundo do trabalho. Face a esta preocupação dos pais, uma grande parte dos adolescentes reagem com alguma indiferença, em parte por ainda serem muito egocêntricos. Não nos podemos esquecer que o adolescente não é um adulto e por isso não está consciente das dificuldades que realmente encontrará se apenas assumir a missão de 'passear os livros'. A grande questão que se coloca é então como alterar esta situação.

Em primeiro lugar é necessário perceber se por trás da falta de estudo e, consequentemente, do insucesso não existirão problemas de orientação escolar. O jovem poderá, por exemplo, não estar no curso mais adequado para as suas competências. São muitos os estudantes que, ao enveredarem por uma via profissional, quebram o ciclo de insucesso.

Uma outra questão que deve ser analisada é se por trás da falta de empenho não haverá algum tipo de dificuldade específica. Um exemplo: o aluno pode não gostar de estudar por ter dificuldades de compreensão leitora. Apesar de ter uma boa capacidade cognitiva, se tiver esta dificuldade, o rendimento em todas as outras disciplinas ficará negativamente afetado.

Se o aluno tem efetivamente reunidas todas as condições para poder ter sucesso, então a questão tem de ser colocada de uma outra forma. As leis do comportamento referem que para que este se altere tem de haver consequências. Se o jovem não cumpriu o seu dever apesar de ter todas as condições para o fazer, o seu comportamento terá de ser penalizado, de forma que no ano seguinte ele sinta que, se não estudar, irá sofrer as consequências. A 'pena' a aplicar deve ser definida pelos pais, pois eles melhor que ninguém sabem aquilo de que os filhos não gostam de abdicar. Nesta área, acho que os pais pecam por excesso de benevolência, pois ameaçam de mais e, na maior parte das vezes, vacilam na hora de atuar...

Sei que não é fácil, mas enquanto não formos mais firmes, continuaremos a cultivar a irresponsabilidade dos jovens. Os professores queixam-se que cada vez mais os jovens não se empenham e não cumprem as suas tarefas escolares, sendo o dedo apontado à cultura do facilitismo. Não nos podemos queixar desta cultura como entidade abstrata, pois nós, pais (e incluo-me no grupo, pois também sou mãe), fazemos parte dessa entidade.

Enquanto tudo continuar a ser tão fácil, pelo menos para alguns, provavelmente não quebraremos este ciclo de irresponsabilidade. Pelo contrário, alimentaremos a mentalidade de que os outros é que têm sempre de resolver os nossos problemas!
Adriana CamposLicenciada em Psicologia pela Universidade do Porto, na área da Consulta Psicológica de Jovens e Adultos e mestre em Psicologia Escolar. Detentora da especialidade em Psicologia da Educação e das especialidades avançadas em Necessidades Educativas Especiais e Psicologia Vocacional e de Desenvolvimento da Carreira atribuída pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Atualmente desenvolve a sua atividade profissional no Agrupamento de Escolas do padrão da Légua em Matosinhos.
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