PSICOLOGIA

Testar os limites

As crianças procuram limites para o seu comportamento. A firmeza é importante para que a criança aprenda a impor limites a si própria.
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Entre a mãe do Calvin e as mães dos anos 50 (algumas, claro!) existe um grande abismo. Nos anos 50 os pais consideravam que deviam ser eliminados os limites, para que as crianças pudessem explorar-se a si e ao mundo livremente. A tarefa de encontrar os limites cabia à própria criança. Se a mãe do Calvin partilhasse destes ideais permissivos, o Calvin não teria ido à escola nesse dia!... Provavelmente, nem nesse, nem nos próximos tempos...


Como se teria sentido ele se a mãe o tivesse deixado a dormir? Provavelmente abandonado... O sentimento de abandono foi vivido por muitas crianças da década de 50. Muitas delas quando adultas referem que ansiavam a firmeza dos pais. Esta firmeza seria para elas preferível à reprovação não expressa e tensa dos pais. As crianças não são alheias à comunicação não verbal, por isso, apesar da não reação dos pais, elas sentem por parte deles uma atitude de reprovação. Esta atitude não acompanhada de uma ação concreta é vivida pelas crianças de uma forma muito ansiosa. As crianças procuram limites para o seu comportamento. A firmeza é importante para que a criança aprenda a impor limites a si própria.

Esta difícil mas importante tarefa deve começar no 2.º ano de vida, altura em que a criança se mete em toda a espécie de situações novas e excitantes. Desde esta altura, todas as birras e episódios que visem testar os limites devem ser encarados com firmeza e com uma explicação do episódio dirigida à criança. Esta será uma boa forma de os pais ajudarem a criança a conter-se e a interiorizar regras.

Voltando ao Calvin: não será a mãe deste demasiado rigorosa? Afinal, ela nunca o deixa atingir os seus propósitos, se estes lhe parecerem menos corretos. Não precisará o Calvin de pôr à prova o mundo e a ele próprio? Não precisará ele de oportunidades para ir longe de mais e descobrir as consequências? Quanto a mim, deixar espaço para que as crianças possam explorar o mundo que as rodeia é diferente de as deixar fazer tudo aquilo que querem!

Quanto ao Calvin... Esse, continuará a testar os limites. Se não o fizesse, haveria razão para alarme. Para que não existam dúvidas, deixo-lhe este exemplo final!




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Adriana CamposLicenciada em Psicologia pela Universidade do Porto, na área da Consulta Psicológica de Jovens e Adultos e mestre em Psicologia Escolar. Detentora da especialidade em Psicologia da Educação e das especialidades avançadas em Necessidades Educativas Especiais e Psicologia Vocacional e de Desenvolvimento da Carreira atribuída pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Atualmente desenvolve a sua atividade profissional no Agrupamento de Escolas do padrão da Légua em Matosinhos.
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