PSICOLOGIA

O segredo da felicidade…

A ideia da criação do Dia da Felicidade vem de um pequeno reino budista chamado Butão, que adota como estatística oficial não o PIB (Produto Interno Bruto) mas o FNB (Felicidade Nacional Bruta).
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O dia 20 de março passou a ser o Dia Internacional da Felicidade, por decisão da Assembleia Geral as Nações Unidas. A ideia da criação deste dia vem dos Himalaias, mais concretamente de um pequeno reino budista chamado Butão, que adota como estatística oficial não o PIB (Produto Interno Bruto) mas o FNB (Felicidade Nacional Bruta). Como andamos com défice de FNB, pareceu-me oportuno falar do assunto. Mas... atenção! O que se segue não é a receita para a felicidade, pois receituários sobre o tema já há muitos no mercado livresco. Confesso que detesto este tipo de literatura, porque lança a ideia falsa de que existem soluções mágicas para resolver problemas complexos.

A propósito de felicidade, passo a citar as palavras de Luciano Espório Sewaybricker, mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo e autor de uma pesquisa sobre felicidade: "Cabe a cada um descobrir a forma ideal de viver e que faz sentido para si. Acredito que o autoconhecimento é fundamental e é ele que vai garantir que a felicidade não seja tão banalizada, no sentido dos outros poderem dizer o que é a felicidade para si. Porque então compra a felicidade em pacotes prontos e pré-programados. Entendo que a felicidade depende dessa introspeção, desse autoconhecimento, mas ao mesmo tempo, de se estar aberto para se relacionar com outras pessoas."

Cada pessoa é única e irrepetível. Por isso terá de se autodescobrir para melhorar a sua qualidade de vida, embora, e citando as palavras de Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, esta seja uma meta "difícil de ser alcançada pelas pessoas que vivem na pobreza extrema" e por aqueles que enfrentam as ameaças das crises socioecónomicas.

A um bom autoconhecimento juntaria outra competência que me parece facilitar o bem-estar: uma boa capacidade de comunicar. Como é impossível não comunicar, quem tem boas competências comunicacionais acaba por se relacionar melhor com os outros e, naturalmente, ser mais feliz. Conheço um professor que anda sempre à procura da palavra certa. Face a uma frase, frequentemente ele sugere uma palavra alternativa, que, segundo ele, transmite com mais clareza aquilo que se pretende dizer. Talvez haja um cuidado exagerado por parte desta pessoa, mas tenho a certeza de que, se usássemos as palavras mais criteriosamente, sairíamos a ganhar.

Esta afirmação leva-me a um acontecimento que ocorreu este verão no Hospital de Évora, onde o meu filho foi operado de urgência a uma apendicite. Sublinho que encontrei uma equipa fabulosa de auxiliares, enfermeiros e médicos, que mostram claramente o quanto o serviço público pode ser um serviço de excelência. A única falha, que não compromete a excelente imagem que guardo do Hospital de Évora, prendeu-se com a comunicação. Antes da operação, uma enfermeira explicou ao meu filho de uma forma muito adequada o que iria acontecer no bloco operatório. O problema foi que, de seguida, a explicação foi novamente feita por um médico. Este referiu em frente ao doente que iria operar, e que tinha apenas 10 anos, que "para encontrar o apêndice poderia ter de tirar para fora todo o intestino". O que aconteceu de seguida? O meu filho imaginou o seu intestino no exterior do corpo e desatou a chorar que não queria ser operado. Depois daquela conversa, até eu ficaria receosa! São infindáveis os exemplos que ilustram o poder de uma boa comunicação.

No Dia Internacional da Felicidade, um jornalista da RTP1 foi para a rua perguntar às pessoas com quem se cruzava o que lhes causava felicidade. Os amigos, a família, a saúde e o trabalho foram aspetos muito citados. Tirando a saúde (e mesmo esta não se pode retirar totalmente), tudo o resto implica relações interpessoais, as quais serão tanto melhores quanto melhor conseguirmos comunicar. Para concluir e sem querer dar receitas, parece-me que um bom autoconhecimento e uma boa capacidade de comunicação são potenciadores de maior felicidade e por isso devem ser trabalhados!
Adriana CamposLicenciada em Psicologia pela Universidade do Porto, na área da Consulta Psicológica de Jovens e Adultos e mestre em Psicologia Escolar. Detentora da especialidade em Psicologia da Educação e das especialidades avançadas em Necessidades Educativas Especiais e Psicologia Vocacional e de Desenvolvimento da Carreira atribuída pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Atualmente desenvolve a sua atividade profissional no Agrupamento de Escolas do padrão da Légua em Matosinhos.
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