PSICOLOGIA

Medo? Não, eu não tenho medo!...

Estou a recordar-me de uma pré-adolescente, que está atualmente em atendimento e que frequenta o 6.º ano de escolaridade. Esta apesar de insistir com os pais para ir de autocarro para a escola, vê este pedido sempre negado (...) Estes perigos causam-lhes tanta ansiedade que ainda não permitiram que a filha deixasse o automóvel e passasse a ir de transporte público.
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Que estratégias deverão usar para ajudar os seus filhos a crescer, não sem medos, porque isso não é possível, mas apenas a exteriorizar os medos que são típicos em cada faixa etária?
  • O primeiro passo que poderá dar nesta direção é tentar conhecer melhor a natureza do medo e da ansiedade, assim como a sua função e a forma como se transmite de geração em geração. No artigo anterior procurei esclarecer um pouco esta questão.

  • Se continuamente impede o seu filho de explorar o meio que o rodeia, com receio do "bicho papão", terá de repensar o seu comportamento. Estar continuamente a transmitir à criança, ainda que não recorrendo à linguagem verbal, mensagens de que o mundo é um perigo constante, vai levá-la a construir uma grelha de leitura da realidade caracterizada pelo medo.
    Embora existam crianças que exploram o meio que as rodeia, mesmo que os pais as advirtam que não o devem fazer, outras interiorizam que a imobilidade é a melhor forma de segurança.

  • Face a situações desencadeadoras de medo, ajude-a a confrontar-se com ele. Se estas situações de confronto decorrerem com sucesso, ou seja, se a criança conseguir enfrentar aquilo que lhe causa medo, esse medo diminuirá, ao passo que a perceção de controlo e previsibilidade aumentará, o que irá facilitar o confronto com a referida situação quando esta surgir de novo.

  • O desenvolvimento da autonomia é outra estratégia indispensável para evitar a propagação de medos desajustados ao processo desenvolvimental. O sentido de autonomia permite à criança sentir que é capaz de, sozinha, ultrapassar os desafios que o dia a dia lhe vai colocando. Estou a recordar-me de uma pré-adolescente, que está atualmente em atendimento e que frequenta o 6.º ano de escolaridade. Esta apesar de insistir com os pais para ir de autocarro para a escola, vê este pedido sempre negado. As razões são os perigos possíveis e imaginários que os pais encontram no percurso casa-escola, escola-casa. Estes perigos causam-lhes tanta ansiedade que ainda não permitiram que a filha deixasse o automóvel e passasse a ir de transporte público. Com este tipo de atitude, estes pais, com as melhores das intenções, impedem a filha de encontrar dentro de si as potencialidades para enfrentar qualquer medo. Não se esqueça que se prender sempre o seu filho ao ninho ele nunca aprenderá a voar...

  • Ajude-o a desenvolver competências de resolução de problemas. Se quando tem um problema a sua estratégia de resolução é a fuga, não se surpreenda que ele use a mesma estratégia.
O treino de resolução de problemas implica várias etapas:
  • Identificar e definir o problema. Selecionar, organizar e relacionar a informação disponível.
  • Tomar uma decisão e traçar um plano de ação. Mediante este, elaborar uma resposta.
  • Avaliar a resposta e verificar os resultados conseguidos.
Se o medo assumir proporções que ponham em causa a qualidade de vida, então deverá ser procurado um especialista. Os estudos mostram que o tratamento psicológico de crianças e adolescentes com este tipo de perturbação tem resultados bastante favoráveis.

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Adriana CamposLicenciada em Psicologia pela Universidade do Porto, na área da Consulta Psicológica de Jovens e Adultos e mestre em Psicologia Escolar. Detentora da especialidade em Psicologia da Educação e das especialidades avançadas em Necessidades Educativas Especiais e Psicologia Vocacional e de Desenvolvimento da Carreira atribuída pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Atualmente desenvolve a sua atividade profissional no Agrupamento de Escolas do padrão da Légua em Matosinhos.
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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