NUTRIÇÃO

O que sobrou das festas?

Festas são festas e ainda bem que existem. Natal, Páscoa, casamentos e batizados eram, antigamente, os dias de grande festim em que obrigatoriamente se exagerava para dar conta de todas as iguarias que desfilavam à nossa frente.
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Festas são festas e ainda bem que existem. Natal, Páscoa, casamentos e batizados eram, antigamente, os dias de grande festim em que obrigatoriamente se exagerava para dar conta de todas as iguarias que desfilavam à nossa frente. No resto dos dias do ano, não havia nem dinheiro nem estômago para tanto. Para a generalidade dos portugueses, está claro. E não se falava de obesidade nem se via como agora. Na verdade, mesmo 15 dias de festim gastronómico nos 365 dias do ano nada significavam. Hoje em dia, para o bem ou para o mal, os excessos são praticamente diários e, nesta época do ano, aumentam ainda mais a quantidade, a gordura e o açúcar. Corrijo, para o mal porque, efetivamente, o que se ganha por comer em excesso? Quilos e doenças relacionadas com os excessos alimentares e impactos enormes sobre o ambiente e os ecossistemas que, cada vez mais, têm que produzir em massa num curto espaço de tempo. O organismo, habituado ao longo de milhares de anos a “gerir a fome”, não sabe tratar o excesso de calorias e, tal como sempre fez, armazena-as para prevenir uma eventual situação de carência alimentar.

Como sabemos se estamos a comer de mais?

O melhor barómetro é a balança. Se estamos a aumentar de peso é porque estamos a comer muito ou a gastar pouco em relação ao que comemos. Muito, não em quantidade mas em calorias. Porque, vistas bem as coisas, quantidade não significa calorias e podemos até comer mais sem engordar, desde que se escolham
criteriosamente os alimentos. Claro que um pequeno aumento de peso muitas vezes não significa engordar, sobretudo quando se pratica exercício físico intenso e frequente. Porque não implica necessariamente aumento de gordura corporal, mas sim de massa muscular. Por isso, muitas vezes, o barómetro pode ser a roupa que usa normalmente e não a balança.

Quanto ao impacto ambiental e aos desperdícios, o melhor é não falarmos nisso por agora uma vez que o espaço que tenho para escrever não me permite fazer grandes reflexões sobre o tema, pelo que ficará para outro artigo de opinião.

O que fazer com as sobras desta época?

O que sobra normalmente? Claro que depende muito da região do país em que se celebra esta quadra, mas eu diria que, maioritariamente, rabanadas, filhós e  outros fritos, bolo-rei, pão de ló, bacalhau, polvo, peru, frutos secos e desidratados e chocolates. O que fazer com tudo isso?

Os fritos, tirando as rabanadas, perdem qualidade, digo sabor e textura, ao longo do tempo, de modo que não tenho grande sugestão para os aproveitar a não ser desejar que, no próximo ano, se pense nisso antecipadamente e se reduza a quantidade. Porque toda a gente se queixa que sobra muita comida…

O bolo-rei e o pão de ló podem secar ao ar e quando estiverem duros, levam-se ao forno, resultando nuns belos biscoitos. Uma fatia fina, ao lanche ou noutro snack, acompanhada de uma chávena de chá, café ou cevada podem muito bem substituir um pão.

O bacalhau aproveita-se para roupa-velha ou farrapo-velho mas, ainda assim, muitas vezes há sobras desta sobra. Pode congelar-se e dias depois fazer um molho bechamel sem gordura, misturá-lo no preparado, polvilhar com queijo parmesão e levar ao forno a gratinar.

O polvo, assado ou cozido, corta-se em pequenas rodelas, mistura-se com um pouco de azeite, alho e pimentão doce, a que se junta umas gotas de limão e coentros e come-se dentro de um pão ou em cima de tostinhas depois de uma bela sopa de legumes.

O peru, desfiado, pode ser incorporado em saladas ou em ovos mexidos de tomatada e, dentro de um pão, fazer um belo almoço no trabalho. Parar de trabalhar para comer, por favor!

Os frutos secos, nozes, amêndoas e primos, muito nutritivos mas também muito calóricos, devem ser comidos em vez de, e não além de… Um punhadinho, misturado com frutos desidratados, é uma saudável opção para uma pequena refeição entre as refeições “principais”. Ou misturados em iogurte ou salada, em vez de carne, por exemplo.

Quanto ao chocolate, esse diabo divino, pode comer 20 g por dia, após o jantar, mas com a seguinte condição: fechando os olhos, deixando-o derreter lentamente na boca, sem trincar, definindo e apreciando todos os sabores que dele saem. Ou seja, apreciando verdadeiramente aquilo de que tanto gosta.

Se seguir estes conselhos, estará a poupar o ambiente, a carteira e a sua saúde, que não tem preço!

Um Bom Ano para si!
 
Paula VelosoNutricionista e autora de Dietas sem DietaDieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso.
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