PSICOLOGIA

Tiques: como lidar com eles?

Por muito que o tique o enerve e lhe apeteça repreender a criança, controle a irritação e nunca comente o assunto com outras pessoas à frente dela.
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Recentemente fui contactada por uma mãe, que se encontrava muito apreensiva, pelo facto de a filha de nove anos ter começado a piscar os olhos e a torcer o nariz e a boca de forma muito frequente. A descrição feita por esta mãe levou-me a concluir que esta criança apresenta tiques, ou seja, movimentos involuntários, rápidos, repetitivos e estereotipados, que surgem de forma súbita, não apresentando um ritmo determinado.

Quando se trata de tique simples, estes envolvem geralmente músculos do rosto, ombros, braços e pescoço, produzindo movimentos como piscar os olhos, franzir a testa, sacudir a cabeça, contrair a boca e encolher os ombros. Estes costumam desaparecer durante o sono e durante a realização de atividades que exijam concentração. O stress, a fadiga, a ansiedade e excitação levam ao aumento da sua intensidade.

Segundo a Academia Americana de Psiquiatria da Infância e Adolescência, 10% das crianças em idade escolar apresentam este tipo de transtorno, começando geralmente na infância e adolescência. Segundo alguns investigadores, os tiques são automatismos nervosos que ajudam a aliviar a tensão, desaparecendo frequentemente, de forma espontânea, ao fim de algum tempo, sem necessidade de tratamento.

A grande questão que se coloca é qual será a atitude mais correta perante uma criança com um tique nervoso. Em primeiro lugar, é fundamental ter consciência de que um tique não é algo que se controle facilmente e que só se consegue evitar com esforço e tensão emocional. Em segundo lugar, é preciso compreender que muitas vezes estes comportamentos surgem na sequência de situações stressantes e que, por isso, tendem a desaparecer com o tempo; logo, o melhor mesmo é ignorá-los. A mãe a que fiz referência no início estava constantemente a chamar a atenção da filha para o facto de esta apresentar tiques. Este tipo de atitude da figura materna, embora bem-intencionado, só estava a contribuir para acentuar o problema e para a fragilização da autoestima da filha. Nesta situação é fundamental tranquilizar a criança dizendo-lhe que em pouco tempo o tique irá desaparecer. Após ter passado esta mensagem, o adulto deve ter uma postura coerente, não recriminando nem fazendo observações negativas sempre que o tique surja.

Embora a maior parte dos tiques desapareçam espontaneamente, existem casos, embora raros (um caso para cada cinco mil crianças), em que eles se tornam crónicos, apresentando uma duração superior a um ano. Sempre que a criança apresente tiques motores e, pelo menos, um tique vocal, possivelmente estaremos perante a síndrome de Tourette. Este é o mais grave transtorno de tiques, estando geralmente associado a problemas de relacionamento, aprendizagem, atenção, concentração e comportamentos obsessivos e compulsivos. No tratamento desta síndrome, em primeiro lugar é muito importante informar a criança, os seus familiares e professores sobre as suas características, para que estes possam compreender e aceitar o problema em questão. Em segundo lugar, é fundamental terapia psicológica e medicamentosa. As atividades desportivas também podem ajudar, uma vez que potenciam a diminuição do stress e da ansiedade.

Por muito que o tique o enerve e lhe apeteça repreender a criança, controle a irritação e nunca comente o assunto com outras pessoas à frente dela. Ao não dar importância à questão, estará a contribuir, quase decisivamente, para que rapidamente esta faça parte do passado.
Adriana CamposLicenciada em Psicologia pela Universidade do Porto, na área da Consulta Psicológica de Jovens e Adultos e mestre em Psicologia Escolar. Detentora da especialidade em Psicologia da Educação e das especialidades avançadas em Necessidades Educativas Especiais e Psicologia Vocacional e de Desenvolvimento da Carreira atribuída pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Atualmente desenvolve a sua atividade profissional no Agrupamento de Escolas do padrão da Légua em Matosinhos.
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Comentários
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Tiques da minha filha de 5 anos.
MAE-ANDREIA
ola sou mãe de uma menina de 5 anos, uma menina saudável muito inteligente.
tem coisa de 2 meses que anda com tiques nos olhos, a educadora persiste em me chamar atenção.
mas não sei o que fazer com a menina, minha filha diz que não consegue controlar .

o que devo fazer , peço ajuda....


Mae-Amdreia
20-05-2015
 
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