PSICOLOGIA

Mãe tive um pesadelo!

Embora os pesadelos não constituam por si só razão para alarme, os pais podem tomar algumas medidas no sentido de ajudar os filhos a lidar com eles.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Se o Calvin acordasse a meio da noite assustado com a perseguição de um monstro, não seria de admirar. Os sonhos resultam da associação entre conteúdos armazenados na nossa mente. Estes conteúdos vão desfilar nos nossos sonhos de acordo com uma determinada sequência: primeiro são ativados os conteúdos mais recentes, ou seja os acontecimentos do próprio dia e só posteriormente os conteúdos mais antigos. A mistura dos conteúdos mais atuais com os do passado dota os nossos sonhos de um certo sentido.



Habitualmente o conteúdo do início de um sonho está relacionado com os nossos últimos pensamentos. Se nos deitarmos a pensar em algo é natural que sonhemos com isso. Esta é a razão que explica a minha primeira afirmação relativamente ao sonho provável do Calvin. Se ao deitar pensarmos em lugares, pessoas ou situações agradáveis, estas serão provavelmente os primeiros conteúdos dos nossos sonhos, o mesmo acontecendo com os dos nossos filhos.

Os pesadelos são sonhos marcados por um grande terror que levam a pessoa a acordar muito sobressaltada e angustiada. Nas crianças os pesadelos surgem pela primeira vez entre os 3 e os 6 anos de idade e geralmente têm como personagens monstros e animais enormes. O medo de que o pesadelo se volte a repetir leva frequentemente as crianças a tentarem evitar adormecer.

Os pesadelos estão geralmente associados a situações de ansiedade, tristeza, experiências traumáticas ou de grande stress. Nas crianças a ansiedade aparece frequentemente associada a transições de vida significativas, tais como: entrada na escola, mudança de ciclo, passar a dormir sozinha, morte de um familiar próximo, etc.. Outras situações como a separação dos pais, hospitalizações prolongadas ou simplesmente ver um filme de terror podem conduzir ao aparecimento de pesadelos.

Embora os pesadelos não constituam por si só razão para alarme, os pais podem tomar algumas medidas no sentido de ajudar os filhos a lidar com eles. Aqui ficam algumas sugestões:

- A primeira medida a tomar é tentar tranquilizá-lo, mostrando-lhe que nada lhe aconteceu, nem acontecerá porque tal como as histórias os pesadelos fazem parte da imaginação.

- Tente mostrar-lhe que tal como nos desenhos animados também nos sonhos só vencem os bons. Sendo ele a personagem boa vencerá todos os monstros que se atravessarem no seu caminho.

- Uma vez que os pesadelos estão geralmente associados a situações de grande ansiedade, tente durante o dia falar com ele sobre as situações que pensa poderem estar a gerar ansiedade. Desta forma estará a ajudá-lo a lidar de uma forma mais eficaz com a situação.

- Institua uma rotina de descontração e carinho na hora de deitar. A leitura de uma história, sem monstros nem fantasmas pode ser uma boa estratégia para que possa adormecer calma e serenamente.

- Ajude-o a encontrar um objeto preferido e especial que ele veja como protetor. Este objeto deverá ficar ao seu lado na cama de forma a protegê-lo contra as personagens más dos seus sonhos.

- Ensine-o desde cedo a dormir sozinho. Se o fizer estará a incutir-lhe confiança e segurança. Se o tempo que o seu filho dorme consigo se prolongar demasiado no tempo ou se for sempre para junto dele até que adormeça, só facilitará o aparecimento de medos.

Na presença da criança não demonstre preocupação relativamente aos pesadelos dela. Se o fizer, a criança sentirá que eles constituem realmente razão de preocupação. A atitude de desdramatização é sem dúvida a mais correta.

De uma forma geral os pesadelos são frequentes na infância e desaparecem com a idade, não havendo por isso razão para grandes preocupações. No entanto se estes se tornarem muito frequentes e impedirem de uma forma sistemática que a criança repouse poderá ser importante consultar um especialista.

Adriana CamposLicenciada em Psicologia pela Universidade do Porto, na área da Consulta Psicológica de Jovens e Adultos e mestre em Psicologia Escolar. Detentora da especialidade em Psicologia da Educação e das especialidades avançadas em Necessidades Educativas Especiais e Psicologia Vocacional e de Desenvolvimento da Carreira atribuída pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Atualmente desenvolve a sua atividade profissional no Agrupamento de Escolas do padrão da Légua em Matosinhos.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.