EDUCAÇÃO

Inteligência interpessoal

A competência básica fundamental deste tipo de inteligência é o talento para compreender os outros, pelo que as pessoas com esta inteligência desenvolvida têm grande facilidade em estabelecer empatia.
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Sempre que no grupo surgia um conflito e o mau ambiente fazia acreditar que estava tudo perdido, António conseguia dar a volta à situação apaziguando os ânimos e fazendo com que todos escutassem as posições em confronto e refletissem sobre elas. Sempre que surgia aquela cliente agressiva, era Ana quem a atendia, pois parecia ter um dom natural para a ouvir e acalmar para, em seguida, resolver os problemas colocados por ela. Há pessoas, como o António e como a Ana, que parecem ter uma enorme facilidade em se relacionar com os outros, em comunicar, em ouvir e se fazer ouvir, em resolver conflitos. Têm uma inteligência interpessoal bastante desenvolvida.

Gardner, um psicólogo americano, definiu sete tipos de inteligência - inteligência linguística, inteligência lógico-matemática, inteligência visual-espacial, inteligência quinestésica, inteligência musical, inteligência interpessoal e inteligência intrapessoal -, a que temos vindo a dedicar uma série de artigos, debruçando-se este sobre a inteligência interpessoal.

Inteligência interpessoal
Características: A competência básica fundamental deste tipo de inteligência é o talento para compreender os outros, pelo que as pessoas com esta inteligência desenvolvida têm grande facilidade em estabelecer empatia. Relacionam-se, interagem e trabalham bem com outros indivíduos, tendo facilidade em os motivar a persistir na busca dos objetivos comuns. Conseguem compreender e interpretar os sentimentos, as motivações e as intenções dos outros. Interagem de forma eficaz, mobilizando competências variadas, particularmente no âmbito da comunicação verbal e não verbal. São também eficazes na gestão de conflitos. Gostam de conviver e fazem amigos facilmente. Têm mais proveito quando estudam em grupo, podendo aí trocar ideias com outros colegas e dar e receber apoio mútuo. Não apreciam trabalhar sozinhas.

Como podem os professores/educadores ajudar os alunos/crianças/jovens no desenvolvimento desta inteligência:
- Promovendo atividades na aula que impliquem trabalho de par ou de grupo, como por exemplo, trabalhos de par/grupo ou jogos em par/grupo.

- Propondo e ajudando a organizar tutoria de pares, ou seja, uma situação em que um aluno melhor numa determinada área ou matéria ajuda outro com mais dificuldades. Pode tratar-se de uma atividade realizada na aula ou fora dela e pode ter um carácter pontual ou prolongar-se no tempo.

- Propondo e ajudando a organizar pequenos grupos para estudo ou realização de trabalhos fora das aulas.

- Promovendo a troca de correspondência entre escolas, seja por via postal ou por correio eletrónico.

- Modelando competências sociais e de comunicação como a escuta ativa, o encorajamento, o elogio, a empatia e a resolução de problemas.

A inteligência interpessoal é fundamental para o exercício de diversas profissões, entre as quais se contam: professor, médico, psicólogo, advogado, vendedor e político. No entanto, a sua importância para a vida em sociedade é também crucial. Por isso, é essencial que os educadores reflitam sobre as suas próprias competências neste domínio e desenvolvam, com as crianças/jovens, um trabalho intencional de desenvolvimento da inteligência interpessoal.

Bibliografia:
Chapman, C. (1993). If the shoe fits... How to develop multiple intelligences in the classroom. Palatine, Illinois: IRI/Skylight, Inc.
Gardner, H. (1993). Frames of Mind: The Theory of Multiple Intelligences.London: fontana Press.
Zenhas, A., Silva, C., Januário, C., Malafaya, C., & Portugal, I. (2002). Ensinar a estudar - Aprender a estudar (4.ª ed.). Porto: Porto Editora.
Armanda ZenhasDoutora em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQA do grupo 220 no agrupamento de Escolas Eng. Fernando Pinto de Oliveira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos.
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