PEDIATRIA

Como sei se o meu filho tem diabetes mellitus tipo 1?

Esta patologia ocorre quando o nosso sistema imunológico destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina (células beta), chamando-se a este fenómeno autoimunidade. Este processo ocorre durante meses ou anos sem que haja sintomas da doença.
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O que é a diabetes mellitus tipo 1?
A diabetes mellitus tipo 1 é diferente da diabetes mellitus tipo 2 (mais frequente nos adultos e obesos). A diabetes mellitus tipo 1 surge em crianças e adultos jovens e é uma doença crónica que ocorre quando o pâncreas deixa de produzir ou produz uma quantidade insuficiente de insulina.

A glicose (“açúcar”) é a fonte de energia principal de todas as células e é proveniente da digestão dos hidratos de carbono que existem nos alimentos ricos em farinhas e açúcares; é absorvida para a corrente sanguínea no intestino, sendo depois distribuída pelas células. A insulina é uma hormona produzida no pâncreas em resposta aos níveis de glicose no sangue (glicemia) e permite a absorção de glicose pelas células – funciona como uma chave que permite a entrada da glicose nas células. Assim, a insulina é essencial para que a glicose seja aproveitada como fonte de energia. Na diabetes tipo 1, a falta de insulina impede a entrada de glicose nas células, havendo um aumento da glicose no sangue (hiperglicemia).

Qual é a causa da diabetes mellitus tipo 1?
Esta patologia ocorre quando o nosso sistema imunológico destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina (células beta), chamando-se a este fenómeno autoimunidade. Este processo ocorre durante meses ou anos sem que haja sintomas da doença.

Os sintomas surgem habitualmente quando mais de 90% das células beta são destruídas, sendo frequente a manifestação da doença em idade pediátrica. A causa desta resposta imune anormal não está esclarecida, mas parece haver relação com fatores genéticos e ambientais. Indivíduos com história familiar de diabetes tipo 1 apresentam maior risco de desenvolver a doença, mas a diabetes tipo 1 também ocorre em pessoas sem história familiar.

Não existe qualquer forma de prevenção do aparecimento da diabetes tipo 1. Pelo contrário, na diabetes tipo 2, uma alimentação saudável e a prática regular de exercício físico podem evitar o seu aparecimento.

Quais são os sinais e sintomas?
- Urinar muito durante o dia e a noite (crianças que já deixaram de urinar na cama durante a noite podem voltar a fazê-lo no decurso da instalação da diabetes);
- Muita sede;
- Cansaço;
- Perda de peso;
- Muita fome;
- Hálito frutado/doce.

Como se faz o diagnóstico?
O diagnóstico da diabetes é confirmado pela constatação de níveis elevados de glicose no sangue (glicemia superior a 200 mg/dL numa avaliação ocasional, mesmo sem jejum).

Qual é o tratamento?
A diabetes tipo 1 não tem, até à data, cura definitiva. No entanto, é possível tratar e controlar a doença e ter uma vida normal.

O tratamento da diabetes tipo 1 consiste na administração de insulina (subcutânea, com uma agulha muito fina, indolor), imitando o perfil de produção de insulina de um pâncreas normal, que é único para cada paciente. O controlo frequente da glicemia (através da picada do dedo – glicemia capilar) é indispensável para determinar a dose de insulina a administrar. Além da administração de insulina, uma alimentação saudável e a prática regular de exercício físico são fundamentais para otimizar o tratamento da diabetes.

O tratamento com insulina é indispensável durante toda a vida e permite o controlo adequado da glicemia evitando as complicações da diabetes, que determinam o prognóstico desta doença. O acompanhamento regular em consulta é fundamental.

Quais são as complicações da diabetes mellitus tipo 1?
As principais complicações associadas à diabetes tipo 1 são a nefropatia (atingimento do rim com progressão para insuficiência renal), retinopatia (atingimento do olho, com progressão para cegueira) e a neuropatia (atingimento dos nervos, com alteração da sensibilidade, podendo resultar em feridas porque o paciente não sente dor) diabéticas. Todos os indivíduos com diabetes tipo 1 devem fazer rastreios periódicos destas complicações, que podem ser evitadas ou retardadas com um bom controlo da diabetes.

Há ainda doenças autoimunes (nomeadamente tiroidite, doença celíaca, entre outras) que se associam com maior frequência à diabetes tipo 1. O seu rastreio é feito regularmente em crianças com diabetes sem sintomas destas doenças. Não existe uma forma de evitar o aparecimento destas doenças autoimunes, mas o seu tratamento atempado permite um bom controlo e uma boa qualidade de vida.

Ana Rita Dias, em colaboração com Dra. Sofia Martins, Dra. Olinda Marques e Dra. Ana Antunes
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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