PEDIATRIA

Acne

A acne (do grego ákhné, que significa eflorescência) é uma doença inflamatória da unidade pilossebácea. É uma das patologias dermatológicas mais frequentes, afetando quase 80% dos adolescentes entre os 13 e os 18 anos. É uma doença crónica e como tal pode durar vários anos.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
O que é a acne?
A acne (do grego ákhné, que significa eflorescência) é uma doença inflamatória da unidade pilossebácea. É uma das patologias dermatológicas mais frequentes, afetando quase 80% dos adolescentes entre os 13 e os 18 anos. É uma doença crónica e como tal pode durar vários anos.

O que provoca a acne?
A etiologia é multifatorial, afetando o normal funcionamento da unidade pilossebácea com intervenção da bactéria Propionibacterium acnes e de outras. As lesões surgem geralmente nas zonas do corpo onde existe maior concentração de folículos sebáceos (face, região superior do tórax e dorso).

Na patogenia da acne temos de considerar quatro fatores básicos:
- aumento da secreção sebácea;
- hiperqueratose ductal com obstrução do folículo pilossebáceo;
- colonização pelo P. acnes;
- inflamação secundária;

A lesão inicial, o microcomedão, resulta da obstrução dos folículos sebáceos por um excesso de sebo junto das células epiteliais descamadas que são provenientes da parede folicular (hiperqueratose ductal). Estes fatores causam lesões não inflamatórias como os comedões abertos (também conhecidos por pontos negros) e os microquistos ou comedões fechados. O P. acnes, que é uma bactéria anaeróbia, prolifera com facilidade neste ambiente provocando o aparecimento dos mediadores de inflamação (linfócitos e polimorfonucleados), que se vão acumulando no local dando origem às lesões inflamatórias.

Existem fatores de risco para o aparecimento de acne?
Existe predisposição genética (se os dois pais afetados, três em cada quatro dos filhos terão acne) e existem também fatores raciais que contribuem para o aparecimento da acne (mais comum na raça negra). Alguns fatores fisiológicos parecem contribuir, como o ciclo menstrual e o stress. Também a utilização de alguns medicamentos está claramente associada à acne: corticoides , antidepressivos tricíclicos, feni-hidantoína, lítio, entre outros.

A crença popular de que alguns alimentos podem provocar lesões de acne (ex: chocolate) carece de prova científica. 

É exclusiva da adolescência?
Não, apesar de ser nesta idade que ocorrem a maioria dos casos, porque é nesta fase da vida que o nível elevado de hormonas sexuais causa o aumento da secreção de sebo pelas glândulas sebáceas. No entanto, também existe acne noutras idades como no período neonatal por causa da influência hormonal da mãe e na idade adulta (aos 25 anos: 12% mulheres e 5% dos homens têm acne).

Que tipos de lesões existem? Qual a sua importância?
Para a escolha do tipo de tratamento a efetuar é essencial diferenciar o tipo de lesões existentes, qual a lesão predominante, bem como verificar a extensão das lesões.

Relativamente ao tipo de lesões como já referido, existem lesões não inflamatórias e inflamatórias:
- Lesões não inflamatórias: podem ser comedões fechados ou microquisto, que são o elemento mais característico da acne e/ou colmedões abertos (pontos negros). Estes últimos não costumam inflamar e o seu aspeto deve-se à compactação de células foliculares no ducto com oxidação do sebo e melanina.
- Lesões inflamatórias: incluem pápulas, pústulas, nódulos e quistos. Posteriormente podem surgir cicatrizes que estão relacionadas com a manipulação impulsiva das lesões.

Quanto à extensão das lesões, existem várias classificações, mas em geral pode-se simplificar e agrupar em três grupos: forma leve, moderada e grave.

Quais as possíveis complicações?
O prognóstico da acne é geralmente bom. No entanto, as lesões de acne podem deixar cicatrizes permanentes. Os efeitos psicossociais prejudiciais, nomeadamente as alterações da autoestima, podem ser duradouros em alguns adolescentes.

Quando deve tratar-se a acne?
O tratamento deve iniciar-se a partir do momento em que o paciente consulte o médico, sem necessidade de esperar pelo aparecimento de lesões graves.

Estamos no século XXI e por isso não podemos aceitar que o adolescente tenha de ouvir: "A acne é normal da idade, isso passa"!

Filipa Neiva, com a colaboração da Dra. Ana Paula Vieira, Dermatologista, Hospital de Braga

 

Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.