PEDIATRIA

Gengivo-estomatite herpética

A gengivo-estomatite herpética é a manifestação clínica mais comum de infeção primária pelo vírus herpes simples, sendo quase sempre causada pelo vírus herpes simples tipo 1
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
O que é?
A gengivo-estomatite herpética é a manifestação clínica mais comum de infeção primária pelo vírus herpes simples, sendo quase sempre causada pelo vírus herpes simples tipo 1 (VHS-1).

Na maioria dos casos atinge crianças entre os seis meses e cinco anos de idade, mas pode ocorrer em crianças mais velhas e adolescentes.

Surge durante todo o ano, não aparentando uma distribuição sazonal particular.

Como se transmite?
Infeções pelo VHS-1 geralmente resultam do contacto direto com secreções infetadas por via oral ou lesões, podendo ser transmitidas de indivíduos sintomáticos ou assintomáticos com infeção que se manifeste pela primeira vez (primária) ou recorrente do VHS-1.

O que acontece?
A gengivo-estomatite herpética primária aparece após um período de incubação de dois dias a duas semanas, com um período médio de quatro dias, ocorrendo em 13-30% das crianças afetadas pelo vírus herpes simples.

O quadro clínico começa com sinais e sintomas que podem incluir febre (> 38 º C), perda de apetite, irritabilidade, mal-estar, insónia e cefaleia que dura cerca de quatro dias.

A seguir surgem as manifestações bucais, quase sempre precedidas de inflamação da gengiva, representadas por formações de vesículas, especialmente nas gengivas, língua, palato e face interna do lábio, que se rompem dando lugar a ulcerações semelhantes às aftas vulgares, de fundo branco-amarelado, circundadas por zona avermelhada e com edema, sendo extremamente dolorosas.

Sinais e sintomas associados podem incluir mau hálito, recusa de beber, perda de apetite, febre, dor nas articulações, cefaleia e adenomegalias submandibulares ou cervicais.

As lesões leves geralmente curam sem cicatrizes em cerca de uma semana.

A recusa de beber pode resultar em desidratação, que é a complicação mais frequente.

Pode voltar a acontecer?
Após a infeção primária, o HSV migra para o gânglio trigeminal, onde permanece em estado latente, a menos que seja reativado . A reativação pode ser induzida pela exposição à luz solar, frio, ansiedade, entre outras causas, e pode ocorrer na cavidade oral (estomatite recorrente) ou nos lábios (herpes labial).

Como se faz o diagnóstico?
O diagnóstico de gengivo-estomatite geralmente é clínico, baseado na aparência típica e na localização de lesões bucais e extrabucais. Nos casos em que é necessário confirmar o diagnóstico etiológico, o vírus herpes simples pode ser identificado com técnicas laboratoriais.

Como se trata?
O aciclovir (anti-vírico), que deve ser iniciado nos três primeiros dias de doença, reduz os dias de febre, as manifestações orais e a eliminação do vírus.

O tratamento inclui também medidas de suporte ou sintomáticas.

A ingestão de líquidos deve ser incentivada para evitar a desidratação. As crianças que são incapazes de beber o suficiente para manter a hidratação devem ser hospitalizadas.

Se a criança tem febre ou dores na cavidade oral, dar regularmente paracetamol e/ou ibuprofeno, de forma a torna-la mais confortável e ajudar a aumentar a ingestão de líquidos.

Não insistir na alimentação sólida, oferecendo líquidos e alimentos moles.

Os líquidos ou as papas devem estar frios ou mornos.

Dado ser uma infeção vírica, não é útil administrar antibióticos.

Podem ocorrer complicações?
Raramente surgem complicações.

Na maioria estão associados a recusa alimentar intensa que pode levar a situações de desidratação/hipoglicemia, por vezes com necessidade de internamento.

É necessário estimular a hidratação e a alimentação da criança/adolescente doente.

Em doentes com as defesas diminuídas poderão surgir complicações mais graves, devendo haver uma vigilância mais apertada.

João Ribeiro, com a colaboração de Carla Moreira, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.