PEDIATRIA

Fratura da clavícula no recém-nascido

As fraturas ósseas são raras no período neonatal. A fratura mais comum é a da clavícula, osso que liga a parte superior do esterno com a omoplata.
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Durante o parto podem ocorrer fraturas de ossos longos, nomeadamente da clavícula, associada a determinados eventos. Ocorre espontaneamente em aproximadamente 0,4%-10% dos partos vaginais e raramente em cesarianas. O fator de risco mais consistente é o peso elevado ao nascimento, particularmente superior a 4000 g (macrossomia fetal). Outros fatores de risco associados são um comprimento superior a 52 cm, um trabalho de parto prolongado, partos instrumentalizados (fórceps, espátulas ou ventosas) e idade materna mais avançada. Este tipo de fratura está também associado à distocia de ombros.

A sensação de “crepitação” (enfisema subcutâneo), tipo flocos de neve, pode ser palpada no local da fratura. O recém-nascido pode apresentar movimentos espontâneos assimétricos e reflexo de Moro assimétrico. A radiografia da clavícula confirma o diagnóstico.

Realçam-se alguns cuidados importantes quanto ao manuseio e trocas de roupa, para manter o recém-nascido confortável durante a recuperação:

  • segurar o recém-nascido com os braços por detrás das costas, evitando colocar as mãos debaixo dos braços do bebé;
  • durante o transporte o braço deve estar suportado/apoiado (ex: ao colo, na cadeira);
  • durante a amamentação o braço do recém-nascido deve ser colocado para a frente e nunca para trás das costas;
  • usar roupas com molas/fechos para facilitar na hora de vestir;
  • Ao recém-nascido não deverá vestir a manga do braço do lado da fratura, devendo ficar junto ao tronco por dentro da roupa (utilizar roupinha mais justa). No caso de vestir, deverá ser vestido primeiro o braço afetado e despir primeiro o braço não afetado.

O aparecimento de calo ósseo (semelhante a um ovo) aparecerá 2 a 3 semanas após a fatura. 

Os recém-nascidos com este tipo de fratura geralmente têm uma evolução sem sequelas a longoprazo e com o crescimento, anos depois, dificilmente se consegue descobrir o lado fraturado. Contudo, cerca de 9% apresentam concomitantemente lesão dos nervos do plexo braquial (habitualmente associada a distocia de ombros). Nestes casos, o seguimento pode passar apenas por vigilância mas em alguns é necessário  fisioterapia, ortóteses, cirurgia de reinervação (entre o 3º e o 9º mês) ou cirurgias ortopédicas para correções ósseas/tendinosas, sendo que 80%-90% dos lactentes após o tratamento apresentam recuperação completa.

Joana Cunha de Oliveira e Marlene Rodrigues, em colaboração com Eduardo Almeida, Ortopedista Pediátrico do Centro Hospital do Porto

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Comentários
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Fémur partido de recém-nascida
Pergunta para médicos
Queria saber se o fémur pode partir espontaneamente de uma recém-nascida com mais de 2kg e que nasceu com 8 meses de gravides, a bebé tem uma miopatia muscular, nasceu de sesariana sem stress algum correu tudo bem na gravides até na preparação da sesariana correu tudo lindamente, o problema é que passado uma semana do nascimento detectaram o fémur partido da minha filha assim como uma hemorragia cerebral, gostava que fossem o mais correctos e profissionais possível na resposta.
12-10-2018
 
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