PEDIATRIA

Sobre a lagarta do pinheiro (ou “bicho da peçonha”)

Nas escolas ou noutros locais deve impedir-se o acesso das crianças à zona das árvores afetadas, sobretudo entre os meses de fevereiro e maio, altura em que as lagartas descem das árvores.
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A lagarta do pinheiro (processionária do pinheiro, "bicho da peçonha") é uma lagarta com capacidade nociva para o ser humano, pela sua capacidade para provocar uma dermatite irritante ou tóxica nos humanos. É uma espécie abundante nos pinhais da Europa Central e Sul desde finais da década de 1980. Trata-se de um inseto/lagarta desfolhador dos pinheiros e dos cedros. O nome processionária advém do facto de, numa das fases do seu ciclo de vida, se dirigirem em procissão dos ninhos (árvores) para o solo.

Os ataques deste inseto variam de intensidade de acordo com os seus níveis populacionais que, por sua vez, são fortemente influenciados pelas condições climatéricas.

Nalgumas dessas fases de crescimento (outubro a finais de maio - fase de lagarta até à fase de crisálida) apresentam pelos urticantes que podem constituir um problema de saúde pública, pois podem gerar epidemias sazonais de, por exemplo, dermatites. Estes pelos, para além do corpo das lagartas, podem encontrar-se espalhados pelos ramos, ninhos ou, até mesmo, em suspensão no ar. Como tal, as manifestações não ocorrem apenas quando há contacto direto com a lagarta, mas também surgem pelo contacto com ramos, folhas ou outros que contenham pelos da lagarta.

As manifestações ao nível da pele são as mais comuns, mas podem ocorrer manifestações oculares, orofaríngeas, gastrointestinais ou respiratórias.

Sendo a patologia cutânea a mais frequente, esta apresenta-se como uma urticária localizada ou dermatite de contacto com características maculopapulares, ou seja, áreas de pele vermelha, por vezes com ligeiro edema e prurido. As áreas mais afetadas são as zonas expostas como face, mãos e pescoço.

A inalação dos pelos, embora pouco frequente, pode ter consequências sérias como dificuldade em engolir ou respirar. Outros sinais ou sintomas possíveis são dores de cabeça, vómitos e espirros. Se os pelos entram em contacto com os olhos, pode ocorrer inflamação local.

Desta forma, os pelos urticantes devem ser considerados como um alergénio (substância que induz alergia) de contacto, inalante e com incidência sazonal.

Nas escolas e noutros locais deverá ser impedido o acesso das crianças à zona das árvores afetadas, sobretudo na altura em que as lagartas descem da árvore, que corresponde geralmente ao período de fevereiro a final de maio. Deve ser assegurado que não existem pelos no vestuário. Na dermatite de contacto/urticária está indicada terapia sintomática com anti-histamínicos orais.

Tem existido nos últimos anos alguns casos com exposição mediática de surtos de dermatites por lagarta de pinheiro em algumas escolas. É importante os pais reterem que, na grande maioria dos casos, a exposição a este inseto causa uma doença benigna, com resolução simples, que atinge apenas a pele, não havendo por isso razões para alarme. A principal preocupação, ao nível da saúde pública, é prevenir estes surtos e procurar controlá-los quando a prevenção não for eficaz.

Miguel Costa e Manuela Costa Alves
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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