Respeitar e celebrar as diferenças da maternidade

A associação de solidariedade social Bairro do Amor tem uma campanha com fotografias que mostra uma nova forma de olhar para a maternidade sem fações, sem partidos, sem divisões. “A Mãe Decide” mostra escolhas e experiências.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Várias mulheres mostram para a câmara fotográfica as suas opções escritas numa folha branca e confirmam que a maternidade não é sempre igual. Elas contam em imagens as suas escolhas e experiências, mostrando que a vida não tem apenas um caminho. Em cada foto, duas mulheres, duas opções diferentes. “Eu alimentei com leite artificial”, “eu amamentei até tarde”. “Escolhi fazer uma cesariana programada”, “tive um parto vaginal”. “Sou mãe e trabalho fora de casa”, “tornei-me mãe a tempo inteiro”. Estes são alguns dos exemplos da campanha da associação de solidariedade social Bairro do Amor que nasceu em dezembro de 2014.

A iniciativa quer sensibilizar para o respeito pela diversidade na maternidade inspirada no projeto americano “Stop Mum Wars”. Só é preciso partilhar. Liliana Sintra, presidente do Bairro do Amor, sublinha que o principal objetivo
é “promover e celebrar a diferença”. Não se trata de uma questão de tolerância. “É um apelo não à tolerância, mas ao respeito e à celebração da diferença”, refere ao EDUCARE.PT. Cada maternidade é vivida de uma forma única.

“Nos últimos anos, as questões da maternidade têm vindo muito ao de cima”, lembra Liliana Sintra. A associação, que tem comunidades distritais e uma madrinha em cada distrito, decidiu assim olhar para o tema de um outro ângulo. O ângulo da diversidade. “O que pretendemos é respeito, não formulação de juízos de valores, não julgamentos, não críticas.” A campanha está a superar as expectativas e o que inicialmente foi pensado para ser uma exposição virtual, que está no Facebook da associação, tornar-se-á uma exposição física que deverá ser mostrada em dezembro em Lisboa.  

Neste momento, a campanha tem fotos de mães associadas do Bairro do Amor do Porto e do Alentejo. A ideia é passar por todos os distritos, ilhas incluídas, e fotografar 100 mães com escolhas diferentes para a exposição física. Em cada paragem, um fotógrafo dessa região tirará as imagens das mulheres. Fotos que têm sempre presente o símbolo da paz desenhado com diferentes materiais.  

A fotógrafa portuense Elisabete Covelinhas fotografou mulheres do Bairro do Amor do Porto que têm opções antagónicas relativamente às suas vivências, escolhas e decisões relacionadas com a maternidade, num ambiente de salutar convívio. As fotos estão no Facebook da associação Bairro do Amor. “Ninguém tem que ‘maternoevangelizar’ ninguém: as opções e escolhas que se adequam ao estilo de vida, questões valorativas ou opções de uma mãe não têm que se ajustar ao de outra. Somos todas mulheres diferentes, pelo que cada uma viverá a sua maternidade de forma única e pessoal”, sublinha a associação.

A campanha quer celebrar a diversidade de pensamento, de opiniões e decisões, respeitar as diferenças individuais. Inspirar para uma nova forma de olhar para a maternidade sem fações, sem partidos, sem divisões. “Acabar com os juízos de valor, julgamentos públicos e críticas entre mães, apelando ao apoio e respeito entre todas as mães como forma de educar a geração seguinte para o respeito pela diferença.” E acrescenta: “Ser mãe sem medo de sermos o que somos. Ser mãe em pleno, independentemente das nossas vivências, circunstâncias ou opções. Ser mãe sem necessidade de nos justificarmos, sem necessidade de obtermos aprovação externa. Ser mãe em paz com quem somos. Ser mãe em paz com a nossa maternidade. Hoje é o dia.”

Ser ou não ser mãe?
A série fotográfica aborda vários assuntos. Colocar os filhos na creche ou deixá-los com os avós. Família monoparental versus família biparental. Quais os desafios desta escolha ou inevitabilidade? O que fazer na alimentação dos primeiros meses de vida? Amamentação natural ou dar biberão? Amamentar, não amamentar, amamentar em público, amamentar até tarde? Um debate sempre aberto, uma discussão com posições diferentes, com críticas e elogios aos modelos escolhidos.

“Fiquei em forma logo após o parto”, “tenho tido dificuldades em voltar ao peso que tinha antes do parto”. A cultura do corpo pesa nas cabeças das mulheres. “Mais do que a questão da saúde, a questão estética do corpo feminino é uma imposição da sociedade face às mulheres. Artigos nos jornais sugerindo ‘como voltar a ter o corpo que tinha antes do parto’ ou ‘recupere o seu corpo’ pressionam a mulher e levam a que encare o seu corpo como algo estático e rígido, afetando a autoestima de muitas das recém-mães”, escreve a associação no Facebook.

E se uma mulher não quiser ser mãe? E se o maior sonho de uma mulher for ser mãe? Opções de vida que merecem o mesmo respeito e não a construção de estereótipos. Parto natural ou cesariana? As mães que passam por partos vaginais são habitualmente valorizadas. Faz sentido? Não faz. A felicidade de um parto não está relacionada com a forma como o bebé sai do útero. E há quem assuma que teve depressão pós-parto e há quem garanta que nunca teve um dia infeliz a seguir ao nascimento do filho. “Estima-se que cerca de 60% das recém-mães passem por uma forte melancolia após o parto conhecida como ‘baby blues’. A depressão pós-parto é uma realidade para muitas delas. Outras mergulham num estado de enamoramento e felicidade tal que são olhadas com desconfiança”, lembra a Bairro do Amor.

Trabalhar ou ficar em casa? Conciliar a vida familiar e profissional é um grande desafio para as mulheres. Não é fácil decidir e todas as opções implicam ganhos e perdas, cedências e esforços. Muitas vezes, a proteção social da maternidade e a igualdade dos direitos das trabalhadoras não se concretizam no dia a dia. Há sempre decisões a tomar. Quantos filhos ter? Um, mais do que um, três, quatro? “Uma família é uma família com um filho ou com 10, uma família não se mede pelo número dos elementos que a constituem.” A maternidade não é sempre igual.

Informações:
http://www.facebook.com
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.