Testar conhecimentos, estimular competências, reconhecer capacidades

Literacia 3D: O Desafio Pelo Conhecimento é um projeto, é um concurso, é uma iniciativa inédita, é um desafio dirigido a todas as escolas do 2.º e 3.º ciclos do país. Uma oportunidade para alunos do 5.º ano testarem conhecimentos de leitura, do 7.º mostrarem o que sabem a matemática e do 8.º responderem a questões do mundo da ciência. Depois da fase piloto, o projeto arranca no próximo ano letivo com três fases pela frente.
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Catarina Coelho tem 10 anos, é aluna do 5.º ano na EB2,3 Francisco Torrinha, no Porto, e acaba de fazer a prova de leitura do programa Literacia 3D: O Desafio Pelo Conhecimento, o novo projeto-concurso da Porto Editora. Tirou 81,2%. “Não sei se ganhei, mas estou contente”, confessa ao EDUCARE.PT. Os testes fazem parte da rotina escolar e Catarina está habituada a esses momentos de avaliação. Mas o Literacia 3D não é bem a mesma coisa. A prova é feita no computador, através da plataforma online Escola Virtual, as questões puxam pelos neurónios, pela interpretação e aplicação a situações concretas. No final, basta clicar no botão “Submeter” para concluir a prova e conhecer o resultado.

Catarina constata essas diferenças. “Estas provas estão a ser diferentes e eu dei tudo. São muito diferentes. Não tem bem gramática, tem interpretação e tem alguns nomes esquisitos”. Nomes esquisitos? Como assim? “Nomes de gregos no texto que ainda não aprendemos”, responde com um sorriso. Nomes que lhe ficaram na cabeça e que promete pesquisar. Daniela Sousa também tem 10 anos, está no 5.º ano na Escola Josefa de Óbidos, em Lisboa, e acaba a prova de leitura. Tirou 62%. “Acho que correu bem”, comenta. A prova tinha três textos e respetiva interpretação. “O último texto era mais fácil”, revela. Havia uma sonda espacial para ver Marte e Daniela gostou de fazer o teste no computador.    

Ao longo deste ano letivo, Inês Martins percebeu o que era o Literacia 3D, o novo programa da Porto Editora que quer avaliar competências na literacia da leitura no 5.º ano, literacia da matemática no 7.º ano e literacia científica no 8.º. Inês tem 14 anos, está no 8.º ano na Escola Secundária com 3.º Ciclo Garcia de Orta, no Porto, e testou o que sabia na literacia científica. “É interessante. Chegámos às respostas pela interpretação da informação que nos dão e dá para ver que a ciência está presente em muitas coisas”, conta. Sente que a prova abre horizontes. “Faz-nos perceber se a ciência é uma área que nos interessa, que tipo de temas nos chamam mais a atenção”, refere. Algumas questões são mais complicadas. “Havia temas do dia a dia com os quais ainda não lidamos”, acrescenta.

Bernardo Alves é um dos melhores alunos a Ciências da sua turma. Tem 14 anos, está no 8.º ano, frequenta a mesma escola de Inês, e quer ser cirurgião. Participou no Literacia 3D e andou ali pelos 80%. “Não foi muito difícil, foi muito divertido de fazer”, afirma. Espera que a sua participação não se tenha ficado pelo projeto-piloto e que tenha continuidade na sua escola já no próximo ano letivo.  

Francisca Esteves anda no 8.º ano no Externato Marista de Lisboa, escola que também participou no projeto-piloto do Literacia 3D. Gosta de Ciências, quer ser médica, e quando se sentou em frente ao computador para fazer a prova, achou que tinha partes fáceis e outras mais complicadas. Mesmo assim, acabou antes do tempo previsto dos 45 minutos. “Havia um assunto que tínhamos acabado de dar na aula, saiu na prova e apliquei o que tinha acabado de aprender”, revela.

Competências que não estão no papel

Os alunos do Agrupamento de Escolas Garcia de Orta, no Porto, estão habituados a participar em competições que testem os seus conhecimentos. No entanto, o Literacia 3D sai fora do formato, não é igual a nenhum outro. “Os testes são diferentes, vão buscar competências que não estão no papel”, refere Irene Carvalho, professora de Matemática. O agrupamento foi um dos cinco participantes no projeto-piloto do programa da Porto Editora que chegou à escola no segundo período do ano letivo. “Os miúdos gostaram de participar, é um concurso diferente. Veem logo o resultado da prova e eles gostam de ver a nota”. Irene Carvalho considera que o projeto tem “tudo para dar certo” e destaca o processo de seleção que não exclui ninguém. “A seleção é muito bem feita, todos participam, todos têm a hipótese de lá chegar”, sublinha.

Para Sandra Pereira, professora de Matemática no Externato Marista de Lisboa, o projeto faz pensar, estimula o processo de aprendizagem. “É, de facto, estimulante colocar novos desafios a que os alunos não estão habituados para ver se conseguem aplicar os seus conhecimentos”, diz ao EDUCARE.PT. “Há outras competências que se evidenciam nestas provas.” E é uma nova experiência. “Também é importante que se coloque à prova outro tipo de avaliação que seja feita no computador.”

Isabel Costa, professora de Português no mesmo externato de Lisboa, concorda. “A questão do suporte digital é uma mais-valia, os alunos aderem mais facilmente e com maior entusiasmo.” A docente considera que a modalidade de concurso é interessante e que a aplicação de conhecimentos em situações práticas é muito importante para quem está a aprender. “Podem utilizar o que aprenderam na aula e isso é um fator importante.”

Literacia 3D: O Desafio Pelo Conhecimento é um projeto dirigido aos alunos do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico que envolve professores e escolas com o objetivo de avaliar competências na literacia da leitura no 5.º ano, de matemática no 7.º e de ciência no 8.º. Estimula competências, testa conhecimentos, reconhece capacidades. Depois do projeto-piloto, a iniciativa arranca no próximo ano letivo. As inscrições serão feitas pelas escolas, de 1 a 31 de outubro, e nenhum aluno fica de fora. Em novembro, as escolas participantes realizam as provas de acordo com a sua disponibilidade para apurar o melhor aluno em cada nível de competição. No segundo período, o concurso será feito a nível distrital e no terceiro a competição será nacional. O projeto tem uma comissão de honra, presidida pelo Presidente da República, composta por várias entidades, entre elas o Ministério da Educação e Ciência, o Conselho Nacional de Educação, o Centro Nacional de Cultura, o Plano Nacional de leitura, a CONFAP - Confederação Nacional das Associações de Pais, a Sociedade Portuguesa de Autores, o Observatório dos Recursos Educativos, o Conselho das Escolas, a ANDAEP – Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

Provas que fazem pensar
Glória Ramalho coordena a equipa científica do Literacia 3D juntamente com Manuel Rangel e garante que este projeto é, de facto, um desafio do conhecimento, que faz pensar. É um projeto que abrange todos os conhecimentos que as escolas transmitem, mas as questões não surgem numa linear sequência das matérias dadas. “É muito importante termos desafios de várias ordens. Este concurso mobiliza para desafios, para fazer o melhor possível”, refere. As provas apresentam contextos que simulam o real e espicaçam a vontade de resolver desafios. “O piloto serviu para testar todo o enquadramento do projeto”, recorda. Glória Ramalho esteve em algumas escolas que aplicaram o projeto-piloto e assegura que estão reunidas as condições para dar continuidade ao Literacia 3D. “A reação é muito boa”, revela.

Na apresentação do projeto, Paulo Gonçalves, diretor de Comunicação e Imagem da Porto Editora, destacou uma forma de avaliação que não é habitual, um projeto que não deixa ninguém de fora, e o objetivo de melhorar o índice de literacia na leitura, na matemática e na ciência. É um programa que é um concurso e que é um desafio e que quer envolver alunos, professores, pais e encarregados de educação. “Não é um desafio elitista, é um desafio particularmente abrangente. Não são só os melhores alunos que chegam ao fim das provas”, afirma. São provas que fazem pensar. O projeto é inédito no nosso país e, por isso, tem uma dose de risco que é assumida pela Porto Editora. “É uma iniciativa de alto risco e nós queremos abraçar este desafio e convidar todas as escolas do país para que aproveitem esta janela de oportunidade para que os alunos testem os seus conhecimentos”, refere.

Jorge Ascenção, presidente da CONFAP – Confederação Nacional das Associações de Pais, assistiu à apresentação do projeto e acredita nas potencialidades do novo programa da Porto Editora que, na sua opinião, aborda o conhecimento numa outra perspetiva e apela à interpretação dos conteúdos escolares. “Este programa vai ajudar os jovens a pensar em problemas e como os podem resolver”. “É um complemento interessante e que pode criar nos jovens um gosto pela aprendizagem e permitir a criatividade e a imaginação”, sublinha. O responsável vê neste programa “um passo em frente” e uma forma de “melhorar os níveis de aprendizagem e a qualidade do conhecimento”.

Informações:
www.literacia3d.pt
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