Alunos de Cuba que trocaram livros por tablet têm mais motivação e melhores notas

Alunos da escola básica de Cuba, no Alentejo, que trocaram os tradicionais livros escolares em papel por manuais eletrónicos incluídos num tablet, aumentaram a motivação nas aulas e melhoraram notas.
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Numa aula de Matemática de uma das duas turmas abrangidas por este projeto pioneiro, a atenção dos alunos, do 8.º ano, divide-se entre a professora, o quadro interativo e o tablet, a nova ferramenta que já se tornou "indispensável".

Entre exercícios de Matemática, um dos alunos, António Cardeira, de 15 anos, conta à agência Lusa que já não imagina as aulas e a vida sem o tablet, graças ao qual está mais empenhado nos estudos e melhorou as notas de algumas disciplinas.

Segundo os resultados da avaliação do primeiro ano do projeto, os alunos têm tido "uma motivação superior" nos estudos e "melhorias" nas notas, o que "não teriam se não estivessem no projeto", explica o diretor do Agrupamento de Escolas de Cuba, Germano Bagão.

O projeto ManEEle - Manuais Escolares Eletrónicos, promovido pelos serviços regionais do Alentejo do Ministério da Educação, em parceria com várias entidades, como a Fujitsu, a Porto Editora e a Microsoft, abrange 42 alunos e 17 professores da Escola Básica Fialho de Almeida, na vila de Cuba, no distrito de Beja.

O ManEEle, que acompanha os alunos ao longo do 3.º ciclo do ensino básico, arrancou no ano letivo de 2013/2014, quando começaram o 7.º ano, e terminará no ano letivo de 2015/2016, quando acabarem o 9.º ano.

As duas turmas foram escolhidas devido ao "historial dos alunos", que eram "um pouco desmotivados para o processo de ensino-aprendizagem", as notas "não eram as desejadas" e pareciam ter "mais dificuldades em fazer o percurso regular do ensino básico", explica o diretor.

"Optámos pela solução mais difícil" e "só avançamos com este projeto porque acreditamos piamente que esta ferramenta pode ajudar os nossos alunos a fazerem o seu percurso escolar com sucesso", frisa.

Através do projeto, que visa testar o uso de manuais escolares eletrónicos nas aulas, os alunos estudam com tablet, onde têm conteúdos da plataforma Escola Virtual da Porto Editora, como manuais escolares digitais, e acedem à Internet.

"Podemos pesquisar coisas que não temos nos manuais, ver imagens, é muito mais fácil pesquisar no tablet do que nos livros", frisa António.

A aluna Rita Rosado, de 13 anos, conta que gosta "mais" de estudar através do tablet, porque "é mais incentivante fazer os trabalhos pela Escola Virtual, e pode-se pesquisar na Internet e os livros são interativos".

Enquanto os alunos fazem exercícios, a professora de Matemática e diretora das duas turmas, Rosário Alves, faz um balanço "bastante positivo" do projeto.
"Tem sido uma mais-valia enorme" ao nível dos recursos que os alunos têm usado através do tablet", frisa, referindo que graças ao projeto os alunos conseguiram notas "um bocadinho melhores".

"Os pais também ficaram muito satisfeitos, porque, como é um projeto, não pagam rigorosamente nada dos manuais digitais e têm essa economia nestes tempos de crise", frisa Germano Bagão.

Segundo Rosário Alves, através do tablet, os alunos começaram por usar os manuais digitais e, aos poucos, a recorrer ao dicionário, a pesquisar na Internet e a consultar o correio eletrónico.

Agora até já usam outros recursos, como um bloco de notas digital, onde guardam apontamentos multimédia das aulas e dos manuais digitais "sem terem de recorrer tanto ao caderno" em papel, explica a professora.

"Vantagens vejo muitas, desvantagens não as encontro", porque "aquilo que precisava era exatamente os recursos que eles têm com a utilização do tablet", diz a professora de Física e Química, Cristina Barata.

Com as duas turmas é possível "alcançar um resultado muito mais positivo", porque os alunos têm os recursos do tablet "à mão, em casa e na escola", frisa Cristina Barata, referindo que o "sucesso" dos alunos "seria talvez mais baixo" sem o tablet.

Por isso, António, que nunca tinha usado um tablet antes do projeto e já não imagina aulas com livros tradicionais, defende: "Todos os alunos deviam ter esta oportunidade".

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A verdade é ardilosamente escondida
Prof. Raul Guerreiro
O tsunâmi da robotização do ensino continua a invadir descaradamente Portugal. Por trás de tudo estão interesses económicos e industriais astronómicos e uma ingenuidade quase cega da parte de pedagogos que pretendem ver a sua atividade "aliviada" por máquinas. Fala-se de "motivação e notas" como se isso fosse a preparação fundamental para a vida. Uma clique intelectualista-tecnofilista continua a derramar sobre a comunidade docente e parental do país a mentira da eletronificação da vida escolar, como sinal de progresso e futurismo para um país em crise. Isto em meio a inúmeros estudos científicos internacionais que demonstram o desastre civilizacional da digitalização do ensino, que vem promove um estado de alma autista perante o todo social, e uma carência de imaginação, criatividade e competências adaptivas na vida profissional (e particular) do futuro adulto. Em todos os países está a surgir na medicina uma nova área de psicoterapia para crianças: compensação de isolamento social e estratificação da imaginação devido ao hipnotismo digital. Diz-se hoje que uma bomba ou um ataque terrorista são coisas más, porque os resultados estão imediatamente à vista. Neste caso, é preciso aguardar uns dois decénios para ver os resultados. Pais e professores mais conscientes da realidade de um Ser Humano em formação deviam unir-se e criar alternativas livres das manipulações orquestradas por estas oligarquias.
05-03-2015
 
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