O que oferecer às crianças neste Natal?

Temos sugestões para estimular sentidos, desenvolver capacidades, trabalhar a autonomia e acentuar responsabilidades. Abraços e mimos embrulhados para partilhar em família. Um vale de vacinas não comparticipadas pelo Estado. Bolas de pano. Caixa de disfarces, puzzles, fantoches, workshop de teatro, aula de equitação, um diário em papel, bilhetes para espetáculos, um cheque-brinde para usar ao longo do ano. Sugestões de prendas de Natal para várias idades.
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O Natal está à porta e a pergunta repete-se: o que comprar para os miúdos lá de casa, bebés da família, sobrinhos que começam a falar, primos que já andam na escola, filhos das amigas que começaram a gatinhar ou a caminhar, adolescentes que querem crescer rapidamente? Na hora das compras, as dúvidas acumulam-se. Comprar ou fazer em casa? Quanto gastar? Onde comprar? O que é que bebés, crianças de colo, miúdos que já andam na escola, adolescentes realmente valorizam? É tempo de pensar nas prendas dos mais novos. O EDUCARE.PT pediu a três psicólogas que pensassem no assunto e apresentassem sugestões para a quadra natalícia. Segue um guia de compras com sugestões acompanhadas de explicações.

Rita Castanheira Alves é psicóloga especializada na área infantil e juvenil e em aconselhamento parental. Tem um projeto individual que se chama A Psicóloga dos Miúdos, dirigido aos miúdos, dos pequeninos aos mais crescidos, e a todos os que os ajudam e participam no grande desafio que é crescer. No site www.psicologadosmiudos.com explica o seu trabalho e áreas de intervenção e no blogue associado dá uma sugestão de prenda de Natal com respetivas instruções. Caixas de cartão, papel de embrulho, laços, cartões com “de” e “para” e uma caneta. Abrem-se as caixas com os miúdos em casa, dão-se abraços durante um minuto. Mãe ao filho, irmão à irmã, pai à mãe, avó ao bebé, quem estiver ao lado. Depois, cada um diz aos restantes que abraço quer colocar dentro da caixa. Fecham-se as caixas, embrulham-se a gosto, com laços coloridos, colocam-se os cartões com remetente e destinatário e os abraços ficam embrulhados e prontos a serem oferecidos na noite de Natal. Todos devem receber um abraço. Há alternativas: em vez de abraços, podem ser beijinhos, mimos, festinhas.

O importante é ser criativo, puxar pela imaginação, na hora de comprar prendas para os mais novos. Brinquedos para construir, livros, entradas para peças de teatro, bilhetes para espetáculos de música, concertos são sugestões que apresenta. “Os presentes simbólicos que transmitem valores poderão ser uma excelente hipótese, desde que adaptados à idade”, refere. Exemplos não faltam: uma caixa cheia de abraços, vales que a criança pode ir usando ao longo do ano com oferta de atividades, mimos e surpresas especiais, como um jantar com os pais, uma sessão de cinema ou até mesmo um “grande ataque de cócegas”. “Mais do que oferecer mais um brinquedo, é transmitir valores e aprendizagens que podem ficar, pelo que a criatividade é, acima de tudo, o mais importante na escolha de um presente que pode não ser comprado numa loja, mas pode ser feito em casa”, sublinha. Como um passeio ou um piquenique no chão da sala, uma experiência que seja marcante para o resto da vida. Há perguntas que devem ser feitas no Natal: “Como posso oferecer-lhe o valor da solidariedade? Como posso dar-lhe afeto através de um presente? Como posso ensinar-lhe a partilha? Como conseguirá ser uma criança satisfeita mesmo quando recebe um presente e não dois?”

Rita Castanheira Alves tem mais sugestões para partilhar. Nos primeiros seis meses de vida, tudo é novidade para o bebé e os brinquedos podem ser objetos que estão à mão de semear, como tampas de tachos, molas da roupa, colheres de pau – é necessário, no entanto, ter cuidado com a escolha de objetos desinfetados e não tóxicos. “Nesta fase, e porque começam a observar o que os rodeia, poderão ser construídas bolas de pano com várias cores, padrões e tamanhos para pôr no berço. Ao mesmo tempo que observam, podem dar pontapés nas bolas e ver o seu movimento - pode colocar-se um espelho inquebrável para se irem vendo, embora ainda não se reconheçam.” Um papagaio de papel ou guizos com tamanhos, materiais e cores diferentes – até porque o som, nesta idade, é bastante atrativo - para colocar no carrinho dos bebés são igualmente boas prendas. E porque não um livro de pano? “O livro deverá ser um objeto que acompanha a criança desde sempre, mesmo no berço, e é um ótima ferramenta para interação de pais e filhos, de desenvolvimento cognitivo, da fantasia, da criatividade e uma fonte de aprendizagem.”

Dicionário ilustrado, peixe, tartaruga, jogos de tabuleiro
Canções e rimas são bem-vindas para bebés dos 6 aos 9 meses. “Música é uma boa prenda ou um livro que reúna pequenas canções ou rimas para os adultos comunicarem com a criança.” Para os bebés que já gatinham, bolas de plástico ou de pano são opções, tal como presentes para brincar no banho ou funis, um batedor de ovos manual, copos, objetos que além de divertidos estimulam o crescimento dos mais pequeninos. Entre os 12 e os 18 meses, brinquedos que proporcionem o encaixar, o abrir, o fechar, os blocos de borracha para arrumar e desarrumar, podem fazer parte da lista do Pai Natal. Brinquedos com botões que dão luz ou emitem sons, brinquedos ligados à locomoção, como cadeirinha de passeio, andarilho, carrinho de plástico, jogos com obstáculos para vencer, não ficam de fora. “São também importantes, nesta fase, os brinquedos onde podem bater, como o tambor ou o xilofone, para que desenvolvam a coordenação muscular grossa.”

A partir dos 18 meses e até aos 24 meses, para estimular o desenvolvimento cognitivo, os brinquedos ou jogos como puzzles, contas grossas de madeira para enfiar numa corda, caixas para colocar tampas, são uma grande ajuda. Rita Castanheira Alves lembra que esta “é uma boa fase para desenvolver o jogo simbólico”. E, por isso, telefones, fantoches, bonecos ou carros são excelentes brinquedos para o jogo simbólico e a criatividade.

Nas prendas para crianças de 3 e 4 anos, os adultos podem pensar em brinquedos que promovam a criatividade, o jogo simbólico, o desenvolvimento cognitivo e a curiosidade. Aos 5 anos, fazem sentido brinquedos e jogos que abram caminho para a escola, como um quadro para escrever, desenhos para pintar, desafios cognitivos. Dos 6 aos 10 anos, pensa-se em brinquedos que estimulem a curiosidade por conhecimentos e conteúdos ligados à aprendizagem, como experiências químicas, um dicionário ilustrado ou um jogo de cultura geral ou de formação de palavras. “Conhecer a criança e os seus gostos e preferências poderá ajudar a escolher uma prenda adequada à idade. Para promover o seu desenvolvimento social, poderão ser oferecidas experiências que envolvam o contacto com outras crianças da mesma idade: um workshop de teatro, uma experiência de desporto radical, uma aula de equitação”, sugere. Para crianças que gostam de bichos, por que não oferecer um animal que possam ter em casa, como um peixe ou uma tartaruga. Nas prendas para crianças dos 11 aos 14 anos, convém ponderar os seus gostos e interesses e pensar em algo que seja valorizado. Livros de coleções, jogos de tabuleiro, um animal, são algumas das possibilidades.

Plasticinas, utensílios de cozinha, terra, regador
Inês Afonso Marques, psicóloga clínica, com prática profissional orientada para a área infanto-juvenil, ligada à Oficina de Psicologia, tem sugestões de brinquedos para criar ou comprar neste natal. Há prendas para várias idades, como puzzles e construções que permitem desenvolver a motricidade fina, o raciocínio lógico-abstrato, a capacidade de planeamento, a resistência à fadiga e à frustração, a imaginação. Ou material para desenhar e pintar, plasticinas e pastas para moldar que ajudam a desenvolver a imaginação, a motricidade fina, a expressão emocional. Ou livros que mostram outros mundos a crianças e jovens e que ajudam no desenvolvimento emocional, proporcionam interações entre a criança e quem explora o livro com ela, permitem colocar questões e refletir, bem como desenvolver a linguagem, a imaginação, a memória e o espírito crítico. E materiais que permitam brincar ao faz de conta e experimentar outros papéis, desenvolvendo a imaginação, as suas competências sociais, estratégias de resolução de problemas. Exemplos? Lenços, chapéus, utensílios de cozinha, óculos...

Os bebés de poucos meses podem receber prendas feitas em casa. Haja vontade e mãos com jeito para trabalhos manuais, para fazer, por exemplo, caixas de música com caixas de iogurte ou garrafas de água vazias, com conteúdos diferentes como arroz, grão, botões, missangas. Ou um móbil construído num cabide envolto em fitas de tecido e com figuras coloridas penduradas com fio, ou figuras geométricas, animais, elementos da Natureza. Ou um livro com diversas texturas como algodão, esfregão, tecido, borracha.

Com 1 e 2 anos, as crianças querem perceber como tudo funciona. Inês Afonso Marques sugere fantoches que podem ser construídos a partir de luvas ou colheres de pau. Um jogo de bowling com uma bola de trapos e garrafas de água vazias e pintadas de várias cores. Ou uma horta constituída por um vaso, terra, regador e sementes variadas para plantarem em família e juntos acompanharem o crescimento.

“O céu é o limite para a imaginação das crianças dos 2 aos 6 anos.” Por isso, uma caixa de disfarces com perucas, bigodes falsos, malas, canetas, colheres de pau, batas, chapéus, gravatas, xailes, fraldas, chuchas, óculos, é um mundo de surpresas. Ou então uma caixa de artes com materiais de pintura: lápis, aguarelas, tintas, tesouras de pontas redondas, papéis de diferentes cores e texturas, colas, plasticinas, restos de tecido, botões, feijões, algodão. A escola faz parte das rotinas das crianças dos 6 aos 10 anos. “A criança ganha autonomia pela aprendizagem da leitura ou da escrita e aprende a lidar, de forma mais consciente, com as emoções.” Um diário ou um caderno especial são dois belos presentes para treinar novas competências de leitura e escrita, bem como para exteriorizar emoções ou desenvolver estratégias de resolução de problemas.

Dos 11 aos 14 anos, as experiências de autonomização são valorizadas. Portanto, oferecer dinheiro para comprar algo que se deseje muito ou para juntar a uma quantia que já se tem para comprar alguma coisa mais cara é uma hipótese. Uma forma de ajudar a “promover a regulação do comportamento, o planeamento e o autocontrolo. Simultaneamente, a criança ganha maior consciência do valor do dinheiro”. Oferecer experiências também é uma possibilidade. Inês Afonso Marques sugere aos pais que criem um livrinho-cheque-brinde que a criança pode ir gerindo e usando ao longo do ano. “Esse livro pode incluir, por exemplo, um ida com os amigos ao cinema, uma dormida em casa do melhor amigo, a confeção de um jantar para a família, etc.”

Almofadas de areia, aventuras em grupo, histórias contadas em família

Catarina Agante é psicóloga e trabalha em contexto escolar. Nesta altura, o natal não passa despercebido em qualquer lugar e os olhos dos mais pequenos andam com um brilho especial. O que oferecer a uma criança de colo? Porque não perguntar aos pais o que mais precisam de forma que a prenda não seja um brinquedo repetido ou mais um objeto para o cesto das brincadeiras? Se o presente for demasiado pesado apenas para uma carteira, junte um grupo para a compra. “Tudo é necessário para quem acabou de ser pai, e quando as necessidades são maiores, por vezes, coisas tão simples como um vale para as vacinas não contempladas pelo plano de vacinação, pode ser um bom presente.” Ou então uma cama de viagem que se transforma em parque desmontável, uma cadeira para o carro ou até mesmo um intercomunicador.

Brinquedos que integrem a estimulação tátil, sonora e visual podem fazer parte da lista de prendas para bebés de poucos meses que têm todos os sentidos em alerta. Também há a opção de arregaçar as mangas e fazer presentes em casa por mãos habilidosas. Catarina Agante sugere uma almofada de areia com um formato escolhido pela imaginação - o enchimento poderá incluir uma planta aromática relaxante para ajudar a um sono mais descansado - ou guizos de diferentes formatos e feitios.

As crianças que já caminham exploram o mundo com mais autonomia. Pensando no caminhar, calçado ou barreiras para colocar nas escadas podem ser prendas para embrulhar. E não só. “As mesas de exploração e estimulação são prendas que as crianças gostam e podem ser adaptadas aos temas de maior interesse de cada uma delas: cozinha, mecânica, saúde, um teatro”. Tudo o que a imaginação quiser. As novas tecnologias surgem habitualmente nas listas de Natal. Catarina Agante lembra que é possível recuar à infância e encontrar lojas que vendem brinquedos que ensinam a fazer croché ou tricot ou aplicações de imagens em borracha através de estampagem. “São brinquedos que estimulam a manipulação, a paciência e a criatividade que nem sempre o telemóvel ou o tablet fazem”, refere. Apesar de quase tudo estar disponível na Internet, campos de férias de inverno ou aventuras de grupo, possibilidade de experimentar um desporto, são prendas que algumas crianças gostariam de receber. Para os pré-adolescentes e adolescentes, um diário em papel com capa personalizada pelo dono terá um valor especial, porque reflete o carinho de quem oferece.

Há prendas que podem envolver toda a família, como construir uma árvore genealógica em conjunto ou registar histórias que uniram vários elementos e diversas gerações. Prendas partilhadas. Há também a opção de ajudar crianças que não fazem parte da família. Este ano, Catarina Agante tem uma prenda especial para o seu círculo de amigos e familiares. Bateu à porta de uma instituição que acolhe crianças e pediu aos responsáveis que fizessem uma lista das suas necessidades. Esses pedidos serão tornados realidade numa troca de presentes pouco habitual. Catarina Agante vai “oferecer” essa lista aos amigos para quem ofereçam a quem precisa e não pode dar e recebam em troca um “banho” de cidadania e uma aprendizagem para a vida.
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