“A mensagem enviada aos classificadores apenas traduziu factos”

Notas do teste de Inglês do 9.º ano serão divulgadas em julho. A data ainda será anunciada. As provas não foram corrigidas no prazo estipulado e Hélder Sousa, presidente do IAVE – Instituto de Avaliação Educativa, revela que 50% dos classificadores “tiveram uma participação inferior ao esperado”.
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Os alunos do 9.º ano fizeram o teste de Inglês, que este ano se tornou obrigatório, mas ainda não sabem as notas. A data de divulgação dos resultados não foi cumprida e só em julho é que as pautas serão afixadas. Hélder Sousa, presidente do IAVE – Instituto de Avaliação Educativa, garante que se todos os professores afetos à correção tivessem dedicado uma hora por dia a essa tarefa que o prazo teria sido respeitado. “Cerca de 50% dos professores que intervieram no processo de classificação da componente escrita tiveram uma participação inferior ao esperado, na prática inferior a cerca de cinco horas de trabalho efetivo”, adianta ao EDUCARE.PT.

O ocasional desempenho irregular da plataforma eletrónica não pode, na sua opinião, ser apresentado como uma desculpa para o pouco envolvimento dos professores. “Vale a pena salientar que se entende por participação esperada cerca de 10 a 12 horas de trabalho ao longo de 10 dias úteis (cerca de 1 hora por dia)”, sublinha. O IAVE prometeu formação gratuita aos professores que participassem no processo de classificação do teste de Inglês, mas, perante o cenário, haverá distinções a fazer.

EDUCARE.PT (E): O IAVE – Instituto de Avaliação Educativa já tem uma data para divulgar os resultados dos exames de Inglês feitos pelos alunos do 9.º ano?
Hélder Sousa (HS):
Os resultados serão divulgados durante o mês de julho. A data precisa será dada a conhecer oportunamente.

E: O atraso na divulgação das notas deve-se à pouca colaboração dos professores afetos à correção? Ou há outros fatores que explicam o não cumprimento da data inicialmente fixada?
HS:
Cerca de 50% dos professores que intervieram no processo de classificação da componente escrita tiveram uma participação inferior ao esperado, na prática inferior a cerca de cinco horas de trabalho efetivo.

E: No email que o IAVE enviou às escolas, destacava-se a “elevadíssima qualidade técnica” dos professores que corrigiram as provas e revelava-se que dos 1100 docentes envolvidos no processo apenas 400 tinham cumprido. O que se passou?
HS:
Apenas pouco mais de 450 professores dos 1091 certificados estiveram envolvidos de forma regular no processo e classificaram um número de itens considerado adequado ao expectável. As razões do não envolvimento dos demais desconhecemos.

Vale a pena salientar que se entende por participação esperada cerca de 10 a 12 horas de trabalho ao longo de 10 dias úteis (cerca de 1 hora por dia). Se todos os professores classificadores tivessem tido um nível de participação como o referido, a classificação da parte escrita teria sido concluída no dia 23 de maio, como previsto, e não apenas no passado dia 10 de junho.

E: É grave, na opinião do IAVE, haver professores que não corrigiram as provas de Inglês no prazo estipulado?
HS:
As respostas às questões anteriores são esclarecedoras. O teste era de realização obrigatória e os professores são os únicos técnicos habilitados a classificar provas de avaliação de alunos.

E: Fala-se na lentidão da plataforma eletrónica destinada à correção da componente escrita do teste. Este não será um motivo para explicar os atrasos por parte dos professores classificadores?
HS:
A plataforma teve ocasionalmente um desempenho irregular que esteve associado ao elevadíssimo número de itens para classificar - cerca de 4,7 milhões. Esse facto não pode servir de desculpa para a situação observada. A janela para a classificação era de 14 dias, de 9 a 23 de maio, e a data em que terminou foi dia 10 de junho, ou seja, 18 dias depois do previsto.

E: O email do IAVE provocou algumas observações. A Associação Portuguesa de Professores de Inglês, por exemplo, referiu que o tom era “completamente desadequado e inadmissível”. Haveria outra forma de abordar o assunto por parte do IAVE?
HS:
A mensagem enviada aos classificadores apenas traduziu factos. Na data em que foi feita havia classificadores cujo desempenho era extraordinário, muito acima do esperado, e isso foi plenamente reconhecido e reiterado, e outros sem qualquer participação ou com um envolvimento muito abaixo do esperado, tendo em conta os benefícios de que dispunham em termos da redução da sua componente não letiva (20 horas). A estes professores solicitava-se a sua participação, nuns casos, e um envolvimento mais ativo, noutros. Não se entendem, por isso, as observações a que se refere.

Não podemos ignorar estes factos e muito menos considerar que os professores são todos iguais ou que têm todos um desempenho igual: nunca foi assim e nunca será, e, neste caso concreto, foi precisamente essa diferença de compromisso perante a tarefa em causa que foi assinalada.
 
E: Mais correções no final de um ano letivo, altura em que os docentes andam assoberbados de trabalho. Será legítimo questionar a “responsabilidade” e “o dever de solidariedade” dos classificadores do exame de Inglês?
HS:
A classificação, caso tivesse sido efetuada por todos de forma mais ou menos equitativa, teria terminado há mais de duas semanas. E afinal o trabalho diário solicitado era diminuto, relembra-se, em média não mais de uma hora diária. Quanto à questão da solidariedade, faço notar que quando num processo destes há uma enorme heterogeneidade de participação (há classificadores que nada fizeram, outros que classificaram menos de 500 itens – cerca de uma hora de trabalho, e outros que classificaram mais de 20 mil itens), o trabalho sobra sempre para os mais empenhados.

E: A formação gratuita aos professores classificadores, conforme prometido inicialmente, ficará dependente do nível de participação?
HS:
Seguramente que sim. O compromisso assumido pelo IAVE era o de assegurar formação gratuita aos professores que participassem no processo de classificação. Nunca foi dito que bastaria fazer a formação, obter a certificação como classificador e depois não classificar ou fazê-lo de forma manifestamente aquém do esperado, como sucedeu com uma parte muito significativa dos professores. Mais uma vez aqui é essencial distinguir os professores cujo desempenho é meritório e justifica-se também um forte investimento na sua formação.

E: A criação de um quadro regulador para professores classificadores, como o Governo pretende, será uma boa medida para evitar atrasos na divulgação de resultados?
HS.
A criação deste «quadro regulador» é uma medida na qual se está a trabalhar desde há vários meses e que virá dar continuidade à Bolsa de Professores Classificadores, criada em 2010. Pretende-se valorizar a função de professor classificador, definir um novo quadro de direitos e deveres destes professores, reforçando a sua importância, na medida em que a qualidade da classificação constitui um fator essencial para assegurar a qualidade e validade dos resultados da avaliação.

O atraso na divulgação dos resultados do teste Key for Schools não está associado a esta iniciativa, pois, como se referiu, com um nível de participação de todos os professores dentro do esperado não teriam ocorrido atrasos.

E: Os alunos do 9.º ano consideraram o teste bastante fácil, muito acessível. Terá sido demasiado básico para a exigência que se pretendia?
HS:
Esperemos pelos resultados para aferir o verdadeiro nível de dificuldade do teste. Em todo o caso, vale a pena repetir que o teste Key for Schools foi escolhido tendo por referência, entre outros aspetos, os resultados do estudo First European Survey on Language Competences, da Comissão Europeia, sobre competência linguística dos alunos no 9.º ano, realizado em 2011. Esses dados mostram que nessa data cerca de 70% dos alunos tinham um desempenho abaixo do nível B1, o nível que pode ser alcançado com um resultado acima de 90% no teste Key for Schools.

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