BE quer acabar com obrigação de alunos terem exames a disciplinas que não deram

O Bloco de Esquerda vai propor, no Parlamento, uma alteração legislativa para acabar com a obrigatoriedade de os alunos do ensino profissional terem de realizar exames a disciplinas que não frequentaram durante o curso.
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Para concorrer ao ensino superior, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) decidiu que os alunos do ensino profissional teriam de realizar exames iguais aos dos alunos dos cursos científico-humanísticos.
A Associação Nacional de Escolas Profissionais (ANESPO) veio alertar para o facto de o decreto-lei do Ministério, datado de 2012, prever a realização de exames a disciplinas que os alunos não tinham tido durante o curso.

A questão chega agora à Comissão de Educação, Ciência e Cultura: os deputados do Bloco de Esquerda (BE) vão apresentar, na terça-feira, um projeto de lei que estipula a "eliminação da exigência de realização de exames a disciplinas a que os alunos do ensino profissional são impedidos de se inscrever".

Em alternativa, o BE quer que o Ministério crie novos exames, tendo em conta os programas das disciplinas da componente científica e/ou geral administradas nos cursos profissionais. Para o Bloco, as alterações ao Decreto-Lei n.º 139/2012 deviam ser aplicadas já este ano.

Enquanto o diploma não é alterado, os estudantes têm de seguir as regras de avaliação sumativa externa dos alunos dos cursos profissionais.

Entre os exames a realizar, encontra-se a obrigatoriedade de fazer provas "numa disciplina bienal de formação específica, escolhida de entre as que compõem os planos de estudo dos vários cursos científico-humanísticos. Ou seja: "a) Português; b) Matemática A, História A ou Desenho A; c) Inglês, História e Culturas das Artes ou Matemática B".

"Acontece que as disciplinas de Matemática A, História A ou Desenho A não são lecionadas no ensino profissional. Os alunos de ensino profissional estão de facto impedidos de terem aulas às disciplinas a que serão obrigados a realizar exame", alerta o BE, que, na terça-feira, apresenta a sua proposta na Comissão de Educação, Ciência e Cultura.

Para o Bloco de Esquerda, acabar com esta obrigatoriedade é permitir "aos alunos do ensino profissional progredir sem discriminação na sua carreira académica e profissional".

Em fevereiro, o presidente da ANESPO, José Luís Presa, considerou que a legislação aprovada pelo MEC "configurava a discricionariedade", porque estavam "a exigir aos alunos do ensino profissional a prestação de exames relativamente a matérias que não fazem parte dos planos curriculares".
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