Votos da comunidade educativa para 2014

A poucos dias do Ano Novo, o EDUCARE.PT ouviu sindicatos, associações de professores, de empresários e pais sobre o que esperam ver concretizado no setor da Educação em 2014.
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O ano de 2013 foi difícil para os professores. Desemprego e descontentamento são palavras que descrevem a situação e o estado de espírito da classe. O presidente da Associação Nacional de Professores Contratados (ANVPC), César Israel Paulo, conhece bem “os problemas mais relevantes” que deseja ver resolvidos pelo Ministério da Ciência e Educação (MEC) no próximo ano. Uns prendem-se com a qualidade do sistema educativo. São necessários “mais cursos profissionais e de formação de adultos e uma oferta educativa adequada às necessidades regionais e escolhas motivacionais dos alunos”, refere César Israel Paulo. E para que a lista esteja completa: “O fim da atribuição de disciplinas a professores sem a habilitação profissional para lecionar nesses grupos de recrutamento.”

A resolver o MEC tem ainda “questões de índole profissional”. Aquelas pelas quais a ANVPC se tem batido durante todo o 2013. E não são poucas: a realização de um concurso externo para vinculação dos contratados do ensino público; o fim da obrigatoriedade de concorrer a duas zonas geográficas e também da oposição a concurso, na primeira prioridade, dos docentes do ensino particular; colocação através de concurso nacional nas escolas TEIP e com contrato de autonomia e, por fim, a abolição da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades.

Entre as “possibilidades” que o ano de 2014 pode trazer para a Educação em Portugal, Diogo Simões Pereira, presidente da Associação Empresários pela Inclusão Social (EPIS), também defende a “erradicação da contratação prolongada de professores, por passagem obrigatória aos quadros”.

>Outro dos desejos da EPIS passaria pela criação de um “quadro técnico nacional de professores dedicados à potenciação do sucesso escolar dos alunos mais necessitados, pelo menos a partir do 2.º ciclo”. A Associação de Empresários sugere ainda a execução de um plano nacional de emergência de combate ao “flagelo da retenção crónica”, de mais de dois anos, no 3.º ciclo e ensino secundário.

A Associação Nacional dos Professores de Informática (ANPRI) espera “acordo entre os decisores políticos para que os principais documentos orientadores da Educação estabilizem por médio e longo prazo e não deambulem conforme os gostos e sabores de cada equipa ministerial”. Fernanda Ledesma, presidente da ANPRI, faz votos para que a criatividade, “tão necessária para estimular os talentos escondidos de cada aluno”, não seja “sufocada pela burocracia” e que “os discursos apologistas do regresso ao passado não limitem a vontade de inovar”.

Também a pensar no “sucesso dos alunos”, José Alberto Rodrigues, presidente da Associação de Professores de Educação Visual e Tecnológica (APEVT), espera que em 2014 seja reconhecido “o devido valor às Artes e Tecnologias no currículo”.

Reforço do tempo dedicado a estas áreas para que “os alunos possam ter uma formação mais abrangente e alargada, transversal e dinamizadora de aprendizagens, essenciais para a formação dos cidadãos do século XXI”, são os votos do presidente da APEVT. “E que todos vejam na escola um sentido fundamental para a sua vida e para o sentido crítico e social, cada vez mais importante vincar em democracia”, conclui.

Defender a escola pública é a missão pela qual a Federação Nacional dos Professores (FENPROF) se continuará a bater nos próximos tempos. Mário Nogueira prevê um ano de 2014 “extremamente difícil para a Educação”, desde logo, com “um orçamento comprovadamente insuficiente para cumprir bem as missões que lhe estão confiadas”, “mais desemprego de professores e piores condições de vida mesmo para os que mantiverem o emprego”.

Face ao contexto nacional, o secretário-geral da FENPROF acredita que o maior desafio para 2014 seja impedir o Governo de privatizar a educação. “Estamos perante um problema seriíssimo que não é apenas dos professores, defender a escola pública, valorizando-a e exigindo investimento, é obrigação de todos os portugueses”.

“Que a política educativa seja um compromisso a longo prazo, para que seja possível implementar medidas educativas progressivas e duradouras.” Assim, se resumem os votos dos encarregados de educação para 2014.

Na lista de desejos para o novo ano, Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), inclui uma série de itens todos iniciados pela palavra “mais”: autonomia administrativa e pedagógica para as escolas; envolvimento das famílias na vida educativa dos filhos; reconhecimento por parte da tutela da importância do movimento federativo de associação de pais. No final, Jorge Ascenção lembra que a educação pode até ser muitas coisas “negócio”, “emprego” e “poder”, mas não pode deixar de ser “serviço solidário e responsável”.

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