PISA: O que sabem e conseguem fazer os alunos a matemática, leitura e ciência?

Países asiáticos lideram a tabela dos melhores resultados no PISA 2012. Portugal permanece abaixo da média da OCDE, mas consegue uma subida relativamente a anos anteriores.
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Sete anos de escolaridade formal equivalem à diferença de mais de 300 pontos que separa os melhores dos piores alunos a matemática nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Reduzir estas diferenças observadas no desempenho dos alunos é ainda “um desafio formidável para todos os países”, lê-se no sumário executivo do último relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA, sigla inglesa para Programme for International Student Assessment).

Por outro lado, a organização responsável pelo PISA faz uma chamada de atenção para a necessidade dos países suprimirem “as desvantagens socioeconómicas que estão intimamente ligadas a muitas características dos alunos e das escolas com influência no sucesso escolar”.

Turquia e México, onde 69% e 56% dos estudantes se incluem no grupo dos mais desfavorecidos, bem como Portugal, Chile, Hungria e Espanha, com 20% dos estudantes em igual situação socioeconómica, enfrentam desafios muito maiores do que países como a Islândia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, onde menos de 5% dos alunos são desfavorecidos.

Conhecimentos de matemática
Xangai (China) obtém o melhor resultado na avaliação a matemática, com uma pontuação média de 613 pontos. Ou seja: 119 pontos. O equivalente a quase três anos de escolaridade, acima da média da OCDE. Singapura, Hong Kong (China),

Taipei chinesa, Coreia, Macau (China), Japão, Liechtenstein, Suíça e Holanda, em ordem decrescente, situam-se nos dez melhores desempenhos em matemática.

No entanto, entre 2003 e 2012 registou-se uma melhoria tendencial nas pontuações obtidas a matemática em 25, dos 64 países com dados relevantes, Portugal incluído. Os estudantes lusos obtiveram 487 pontos, sendo a média geral de 494.

Cerca de 13% dos alunos avaliados conseguem pontuações máximas de nível 5 e 6 (numa escala de 1 a 6) e mostram-se “capazes de trabalhar com modelos de situações complexas, de forma estratégica usando competências bem desenvolvidas ao nível do raciocínio”, lê-se no sumário executivo do PISA.

É na economia parceira de Xangai (China) que se encontram os melhores alunos a matemática, com 55% a alcançarem os níveis 5 ou 6. São seguidos por Singapura com 40%, Taipé chinesa com 37% e Hong-Kong (China) com 34%.

Do outro lado da escala, 23% dos estudantes dos países da OCDE, e 32 % dos alunos em todos os países participantes e as economias parceiras, não conseguiram alcançar o nível 2 a matemática. Ou seja, um patamar de conhecimentos mínimo onde se espera que os alunos possam extrair informações relevantes de uma única fonte e possam usar algoritmos básicos, fórmulas, procedimentos ou convenções para resolver problemas envolvendo números inteiros.

A média dos países da OCDE a matemática foi de 494 pontos, mas muitos dos países que ainda ficam por alcançar esta meta registaram melhorias entre 2003 e 2012. Incluem-se neste grupo Itália, Polónia e Portugal.

Na diferenciação por género, os rapazes conseguem superar as raparigas a matemática em 37 dos 65 países avaliados pelo PISA 2012, o inverso acontece apenas em cinco países.

Avaliação da leitura
Xangai, Hong-Kong, Singapura, Japão e Coreia lideram o topo da tabela no que toca aos conhecimentos na área da leitura. No geral, dos 64 países e economias com dados comparáveis ao longo de sua participação no PISA, 32 melhoraram os seus desempenhos. Portugal volta a ser destacado. Na avaliação dos conhecimentos de leitura, os alunos portugueses tiveram um resultado médio de 488, enquanto o nível da média geral se fixou nos 496.

Apenas 8% dos alunos alcançam os níveis 5 ou 6, ou seja, os mais avançados em termos de proficiência. E que representam a capacidade de lidar com textos que não são familiares, na forma ou conteúdo, e de realizar uma análise refinada aos textos.

Cerca de 25% dos melhores alunos estão localizados em Xangai, mais de 15% em Hong Kong, Japão e Singapura e 10% na Austrália, Bélgica, Canadá, Finlândia, França, Irlanda, Coreia, Liechtenstein, Nova Zelândia, Noruega, Polónia e Taipei.

Entre as avaliações do PISA 2000 e 2012, Albânia, Israel e Polónia aumentaram o número de alunos a atingir os melhores níveis de classificação e, simultaneamente, reduziram os mais baixos desempenhos na leitura.

A diferença entre os sexos no desempenho da leitura - entre 2000 e 2012 - favorece as raparigas que obtêm agora melhores notas que os rapazes em 11 países.

Desempenho nas ciências
Os países asiáticos dominam também o ranking que avalia os conhecimentos científicos. Xangai, Hong-Kong, Singapura, Japão e Finlândia são os cinco melhores.

Olhando para os resultados dos programas anteriores, entre 2006 e 2012, Itália, Polónia e Qatar, e entre 2009 e 2012, a Estónia, Israel e Singapura, conseguiram que mais alunos ficassem classificados entre os melhores e menos alunos figurassem entre os piores. Os alunos portugueses obtiveram 489 pontos, sendo a média de 501 nesta área.

Contabilizando todos os países da OCDE, apenas 8% dos estudantes conseguem situar os seus conhecimentos nos níveis 5 ou 6 a ciência. Isto significa que podem identificar, explicar e aplicar o conhecimento científico e o conhecimento sobre a ciência numa variedade de situações de vida complexas.

Equidade e sucesso
No capítulo que avalia a combinação entre o sucesso escolar, nível de equidade e oportunidades concedidas aos alunos para alcançar a excelência, os dados recolhidos pela OCDE mostram que Austrália, Canadá, Estónia, Finlândia, Hong-Kong, Japão, Coreia, Liechtenstein e Macau são os países que mais conseguem combinar altos níveis de desempenho com a equidade nas oportunidades de ensino.

México, Turquia e Alemanha foram os países – entre os 39 participantes no PISA 2003 e 2012 – que tanto melhoraram quer o desempenho em matemática, quer os seus níveis de equidade na educação durante este período.

Em todos os países da OCDE, os estudantes provenientes de meios socioeconómicos mais favorecidos obtêm resultados em 39 pontos superiores a matemática do que um aluno menos favorecido. Na prática, o equivalente a quase um ano de escolaridade entre uns e outros.

Esta disparidade gera preocupações, alerta a OCDE. “Os países com maiores proporções de crianças desfavorecidas enfrentam desafios maiores do que os países com menores proporções destes estudantes", lê-se no documento do PISA 2012.

Por outro lado, há sinais de otimismo. Cerca de 6% dos estudantes dos países da OCDE - quase um milhão de alunos - são “resilientes”, diz a organização: “Significa que vencem as adversidades socioeconómicas que existem contra eles e superam as expectativas, quando comparados com os alunos em outros países.”

Na Coreia, Hong-Kong, Macau, Xangai, Singapura e Vietname, mais de 13 % dos alunos são “resilientes”, alcançando o topo das 25% melhores prestações nos testes do PISA, entre todos os países da OCDE.

A participação de estudantes imigrantes no PISA aumentou de 9% em 2003 para 12% em 2012. No entanto, a desvantagem de desempenho dos alunos imigrantes, por comparação com os alunos não imigrantes, mas com estatuto socioeconómico semelhante diminuiu 11 pontos na pontuação durante o mesmo período. Por isso, diz a OCDE, “a concentração de estudantes imigrantes numa escola não está associada ao mau desempenho”.

Outro indicador que pesa na avaliação do sucesso escolar é a pré-escolarização. Assim, os alunos com frequência de mais de um ano na pré-primária superaram aqueles que não usufruíram desta escolarização em 53 pontos, na avaliação dos conhecimentos de matemática. Ou seja, o equivalente a mais de um ano de escolaridade.

O número de professores por aluno é também um fator que faz a diferença no sucesso educativo em meios menos favorecidos, alerta a OCDE, reconhecendo a dificuldade que essas escolas enfrentam na contratação de professores qualificados.

Preparados para aprender
Alunos cujos pais esperam vir a conseguir um diploma universitário e um emprego de grande capacidade profissional tendem a ter mais perseverança e motivação para aprender matemática. Se há menos ambição parental, os alunos tendem a fazer menor esforço académico, conclui a OCDE no capítulo onde avalia o compromisso com as aprendizagens.

Aprender implica também que os alunos se sintam “felizes na escola”, avança o estudo. E, neste parâmetro, quatro em cada cinco estudantes dos países da OCDE dizem ser esse o seu caso. Em média, nos países da OCDE, 78% dos alunos desfavorecidos e 85% dos favorecidos concordam com a afirmação: “Eu sinto que pertenço a esta escola.”

Mas nem todos partilham estes sentimentos de felicidade e pertença. Mais de um em cada três estudantes responde aos avaliadores do PISA ter chegado atrasado às aulas, nas duas semanas antes da avaliação, e mais do que um em cada quatro confessa ter faltado a uma aula ou a um dia de escola.

Falta de pontualidade e absentismo escolar estão “negativamente associados ao desempenho dos alunos”, garante a OCDE. Os alunos que chegam atrasados à escola obtêm menos 27 pontos na avaliação dos conhecimentos a matemática do que os colegas mais pontuais. Enquanto faltar às aulas ou mesmo perder dias de escola reflete nos exames do PISA resultados de menos 37 pontos, ou seja, o mesmo que perder quase um ano de escolaridade.

Os alunos que sentem ser mais capazes de lidar com uma grande quantidade de informações e são rápidos a entender a matéria e a juntar os factos têm resultados a matemática que diferem dos restantes colegas em 30 pontos. Já a diferença entre alunos mais e menos empreendedores é ainda maior: alcança os 38 pontos.

Além dos baixos desempenhos escolares a matemática, os alunos em desvantagem socioeconómica registam os mais baixos níveis de motivação, autoconfiança e resiliência. E só conseguem romper este ciclo os que partilham características elevadas de empreendedorismo, semelhantes às dos alunos favorecidos. Por outro lado, a balança pode ser equilibrada com a melhoria da relação professor-aluno, “fortemente associada com maior envolvimento dos alunos com e na escola”, diz a OCDE.

A autoconfiança do aluno está diretamente relacionada com o desempenho. Cerca de 30% dos alunos da OCDE dizem sentir-se “impotentes para resolver problemas de matemática”, destes 25% são rapazes e 35% raparigas. O mesmo sentimento é partilhado por 35% dos estudantes desfavorecidos e 24% dos favorecidos.

Os resultados do PISA mostram ainda outras diferenças entre sexos. Mesmo com a mesma pontuação, são elas que mostram menos motivação para aprender matemática, menos autoconfiança na sua capacidade e mais ansiedade. As raparigas são ainda as que mais atribuem o fracasso a matemática a si mesmas, em vez de a fatores externos.

Realizado desde o ano 2000, a cada três anos, o PISA é o maior estudo de avaliação do desempenho escolar englobando as áreas da matemática, leitura e ciência. Os dados são recolhidos através de um exame de duas horas dirigido aos alunos. Pais e diretores das escolas respondem também a questionários. A edição de 2012 envolveu 510 mil estudantes, num total de 28 milhões, com 15 anos, e a frequentar escolas básicas em 65 países membros e parceiros da OCDE. Este ano foi dado um enfoque especial aos conhecimentos matemáticos dos alunos.
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