Diretores de escolas alertam para agravamento de falta de docentes a partir de janeiro

A falta de professores nas escolas irá agravar-se no início do próximo ano com a reforma de docentes que, neste momento, têm turmas atribuídas, alertou o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE).
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir

Segundo uma estimativa da Federação Nacional de Professores (Fenprof), há atualmente cerca de 100 mil alunos sem todos os professores atribuídos, mas os diretores escolares dizem que a situação “vai piorar já em janeiro”.

“Os professores que se vão reformar no próximo ano têm neste momento turmas atribuídas mas, quando chegar o momento de se irem embora, os alunos ficarão sem professor e as escolas terão de encontrar substitutos”, explicou à Lusa Manuel Pereira. Este ano, já se reformaram quase 1600 docentes e os sindicatos estimam que irão ser mais de dois mil até ao final de dezembro. No próximo ano a situação será semelhante, já que os professores no ativo são uma classe cada vez mais envelhecida. A maioria tem mais de 50 anos e é nas escolas públicas no norte e centro do país que a média de idades é mais alta, segundo dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), que mostram que a percentagem de docentes com pelo menos 50 anos duplicou na última década.

É no pré-escolar público que se encontram os educadores mais velhos, com uma idade média de 54 anos.

Nos outros níveis de ensino, a média de idades também está acima dos 50 anos: no 2.º ciclo os professores têm em média 52 anos, seguem-se os do 3.º ciclo e secundário (51 anos) e, por fim, os do 1.º ciclo (49 anos). Nos últimos anos, os problemas para substituir professores reformados ou de baixa têm-se sentido mais nas escolas da zona de Lisboa e Vale do Tejo e do sul do país. A explicação é simples: A maioria dos docentes vive e tem família no norte e a oferta de uma vaga a sul significa mais despesas, muitas vezes, em troca de baixos salários, disse Manuel Pereira. “Cerca de 30% dos professores que hoje estão nas escolas vão reformar-se no próximos três a quatro anos e por isso são precisas medidas urgentes”, alertou o presidente da ANDE.

Também os sindicatos têm defendido medidas que incentivem os jovens a ingressar na carreira docente e programas de incentivos que permitam aos docentes aceitar colocações longe de casa.

“O problema de substituir docentes já é antigo e por isso é preciso também repensar todo o processo de colocação de professores”, acrescentou o vice-presidente da ANDAEP, David Sousa.
 

    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.