CITE quer combater segregação de género nas escolhas profissionais dos jovens

A CITE – Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego apresentou hoje o projeto IgualPro, que até 2024 pretende estudar estereótipos de género nas escolhas profissionais e lançar uma campanha nacional para jovens de combate à segregação nas profissões.
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O ‘Projeto Igual Pro – As profissões não têm género’, hoje apresentado, tem previsto um conjunto de atividades, da investigação científica à produção de materiais e conteúdos, que deve estar concluída até abril de 2024.

O estudo científico “sobre os estereótipos associados às escolhas profissionais junto de jovens de ambos os sexos” que frequentem os cursos profissionais do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e dos Centros de Formação Profissional com protocolo estabelecido com o IEFP pretende “promover a desconstrução dos estereótipos associados a profissões onde se confirma a existência de maior segregação por sexo” e fica a cargo do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.

Tatiana Moura e Tiago Rolino, investigadores do CES, com trabalhos anteriores desenvolvidos sobre a temática, referiram na apresentação do projeto a perceção de que a juventude continua exposta a estereótipos e a violência de género e que se sentem ainda “determinismos culturais e sociais” que se traduzem em aspetos como a desigualdade salarial entre géneros.

Em Portugal, acrescentaram, a diferença salarial média entre homens e mulheres é de cerca de 10%, abaixo da média europeia, que ronda os 14%, mas pende sobre as mulheres o maior peso do trabalho não remunerado, com mais horas gastas do que os homens a cuidar dos filhos e da família ou com trabalho doméstico.

Referiram ainda o caso de uma escola profissional na área agrícola e do turismo, como exemplo de segregação de género nas escolhas profissionais: as raparigas concentram-se na área do turismo, os rapazes no setor agrícola e florestal.

O projeto da CITE, que pretende combater este tipo de segregação nas escolhas profissionais, tem entre as atividades previstas o desenvolvimento de um ‘kit de ferramentas’ que possa ser, por exemplo, usado nas escolas profissionais.

Para além de ações de sensibilização e de um estudo científico sobre estereótipos de género nas escolhas profissionais, o projeto pretende ainda dar origem a uma campanha nacional dirigida aos jovens sobre as escolhas das profissões.

O projeto é financiado pelo mecanismo financeiro EEA Grants, de apoio a países da União Europeia com economias mais divergentes da média europeia, financiado pela Islândia, Liechtenstein e Noruega, países extracomunitários parceiros do mercado interno da União Europeia.

O objetivo passa por reduzir desigualdades económicas e sociais dentro do espaço económico europeu e reforçar as relações bilaterais entre doadores e beneficiários, estando o programa focado em cinco eixos, que passam por áreas como ambiente, cultura ou igualdade de género.

No programa de financiamento em vigor, as EEA Grants 2014-2021, Portugal beneficia de uma alocação financeira de 102,7 milhões de euros.

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