Fenprof diz que sistema educativo bloqueava se dependesse do ministro

O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, considerou hoje que sistema educativo em Portugal já tinha bloqueado se dependesse do trabalho do ministro da Educação e do Governo, realçando que o sistema funciona graças aos professores.
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“O sistema educativo em Portugal funciona apesar de termos um Ministério [da Educação] que pouco ou nada faz para que ele funcione. Porque, se fosse apenas em função do trabalho do senhor ministro [da Educação, Tiago Brandão Rodrigues] e do Ministério da Educação e do Governo, o sistema já tinha bloqueado completamente”, declarou Mário Nogueira, depois de ter ouvido críticas feitas hoje pelo Ministro da Educação à estrutura sindical.

Segundo o secretário-geral da Fenprof, o ministro da Educação veio dizer para as televisões em direto que é o sindicato que desvaloriza os docentes, mas Mário Nogueira considera que as escolas só abrem em condições razoáveis porque “estão lá os professores”.

“O senhor ministro veio dizer numa escola do Porto, em direto nas televisões, que quando nós [sindicato] dizemos que as coisas estão a correr mal, que estamos a desvalorizar os professores (…) Mas a questão é outra. É exatamente o contrário. É que as escolas só conseguem abrir em condições razoáveis e funcionar e dar uma boa resposta, porque estão lá os professores, porque estão lá as direções”, referiu Mário Nogueira, recordando que já tinha dito isso na conferência de imprensa, mesmo antes de o ministro da Educação ter falado hoje no Porto, depois de uma visita à Escola Fontes Pereira de Melo.

Mário Nogueira reiterou que os professores são os protagonistas, acusando o ministro da tutela de ser um mero figurante.

“Os professores tem sido protagonistas nisto tudo e tem sido a eles e graças a eles que as escolas conseguem funcionar. O senhor ministro não tem passado de figurante e, como tal, eu diria que apesar de uma ausência de uma política de investimento na educação, de uma política de valorização dos profissionais, uma política de defesa da escola pública, as escolas funcionam, porque os professores, e os outros trabalhadores, têm ido bem para além daquilo que lhes é exigido. Os professores nunca se pouparam ao trabalho”, afirmou.

Questionado sobre as dúvidas levantadas pela Fenprof em relação à recuperação de aprendizagens depois dos períodos de confinamento que marcaram o ano letivo de 2020/2021, o ministro ressalvou que este é “um ano de provação”, mostrando-se confiante no trabalho das escolas.

“As organizações sindicais têm que entender que quando falam mal de todo o sistema educativo, quando falam mal de todo o trabalho que se está a fazer nas escolas estão também a dizer aos trabalhadores que representam que, de certa forma, não entendem o trabalho que eles fazem todos os dias e isso não é, claramente, positivo “, disse o ministro.

Mário Nogueira apontou que, apesar de estar em curso um plano de recuperação, as escolas não tiveram um reforço de professores para poderem concretizar as medidas que é suposto concretizarem.

A Fenprof realizou hoje uma conferência de imprensa no Porto para balanço da abertura do ano letivo e perspetiva ano que se apresenta como o da municipalização.

As aulas para cerca de 1,2 milhões de alunos do 1.º ao 12.º ano começaram esta semana, entre terça-feira e hoje, com um novo ano marcado pelo arranque do plano de recuperação de aprendizagens. Desde o início da semana que está também a decorrer uma greve promovida pelo Sindicato de Todos os Professores (STOP), que abrange todos os profissionais de educação desde creches ao ensino superior.

Para o dia 05 de outubro a Fenprof agendou uma manifestação em Lisboa, junto ao Ministério da Educação, para exigir que as condições de trabalho e os direitos dos professores sejam respeitados.
 

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